A subida do petróleo não é o pior da guerra. A seguir vem o gás e "será difícil reabastecer todas as nossas reservas para o inverno"

24 jul, 18:00

Há "dois riscos" para novas subidas das taxas de juro. E o petróleo não é o pior

Nova subida no preço dos combustíveis. Como é que isto se explica?

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Economistas dizem à CNN Portugal que a Europa vai ter de fazer compras sob pressão do mercado, depois de ter adiado a compra de reservas de gás

A escalada do conflito no Médio Oriente está a aumentar a preocupação dos economistas com um novo impacto na economia europeia. Se, numa primeira fase, a atenção esteve centrada no aumento do preço dos combustíveis, há agora outro receio que começa a ganhar força: o gás natural.

Para os economistas ouvidos pela CNN Portugal, este poderá representar um problema ainda maior para a Europa, sobretudo numa altura em que o bloco europeu adiou a reposição das reservas estratégicas para o próximo inverno e poderá ser obrigado a comprar energia num mercado pressionado pela guerra.

Para Filipe Grilo, existem atualmente "dois riscos" distintos para a economia: o petróleo e o gás. No entanto, considera que, "do ponto de vista europeu, o mais preocupante é o preço do gás".

O economista explica que a Europa “optou por adiar a compra de reservas de gás para o próximo inverno”, esperando que a tensão com o Irão fosse ultrapassada. "O problema é que não está resolvido" e, por isso, "vamos ter que fazer compras de gás já sob pressão do mercado", alertou, acrescentando que "será difícil também reabastecer todas as nossas reservas para o inverno".

"O próximo segundo semestre vai ser muito sensível nesta ação do gás, porque se o preço do gás aumenta, aí sim o preço da energia vai aumentar significativamente na Europa e aí poderemos ter inflação não no segundo semestre, mas no primeiro semestre do próximo ano", avisa.

Também Filipe Garcia alerta para a vulnerabilidade europeia neste cenário. O economista recorda que o Catar "é um dos principais fornecedores de gás natural para a Europa" e que "as unidades de processamento de gás natural e de exportação de gás natural estão condicionadas".

Ainda assim, sublinha que a Europa conseguiu "melhorar a sua autossuficiência energética através do aumento de produção, através de energia renovável", embora admita que, "sem dúvida, a Europa está exposta".

Na sua leitura, já é possível observar que "a componente que mais sobe é a componente ligada à energia". A grande preocupação, acrescenta, passa por perceber "até que ponto é que a subida dos preços da energia depois acaba por contaminar o resto da economia em termos de preços", através dos chamados "efeitos de segunda ordem".

Com isso, surge um novo problema: a subida das taxas de juro. Filipe Garcia considera que os mercados já anteciparam uma eventual resposta do Banco Central Europeu (BCE).

"Em rigor, as pessoas já estão a pagar essas taxas de juros mais altas, porque o BCE só subiu 25 pontos base, mas a taxa a um ano, desde o início da guerra, já subiu 70 pontos base", sublinha.

Ainda assim, o economista admite que esta possa não ser a solução mais eficaz. "É discutível que isso seja a forma mais eficiente", afirma, defendendo que a evolução da inflação dependerá sobretudo da duração da crise. "O que vai decidir se a inflação entranha ou não na economia é o tempo que esta crise demora."

A preocupação surge numa semana em que o barril do Brent encareceu mais de 10 dólares, ultrapassando a fasquia dos 100 dólares, e em que o presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu continuar os ataques ao Irão, sobretudo após o envolvimento dos houthis no conflito na região. 

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