Primeiro-ministro, que falou à porta fechada numa reunião do conselho nacional do PSD, isentou de culpas a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, do caso que resultou na saída de Gandra D'Almeida da direção-executiva do SNS - algo que aconteceu devido a acumulação indevida de funções
O primeiro-ministro atirou esta terça-feira a responsabilidade pelas incompatibilidades de António Gandra d’Almeida para o Governo anterior.
O agora ex-diretor executivo do SNS, nomeado pelo atual Governo, pediu a demissão do cargo após uma reportagem da SIC que denunciou que o responsável acumulou, durante mais de dois anos, as funções de diretor do INEM do Norte, com sede no Porto, com as de médico tarefeiro nas Urgências de Faro e Portimão, algo incompatível por lei.
Luís Montenegro, que falou à porta fechada numa reunião do conselho nacional do PSD, isentou de culpas a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e defendeu que a pressão que enfrenta não é fruto daquilo que o Executivo está a fazer, mas sim do que o anterior não fez.
Esta intervenção valeu aplausos dos presentes na sala.
"Nem eu nem a ministra da Saúde sabíamos ou tínhamos como saber que, na vigência do governo anterior, possa ter havido alguma incompatibilidade", disse o primeiro-ministro, apurou a CNN Portugal.
Gandra D´Almeida, especialista em cirurgia geral, foi diretor da delegação do Norte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) a partir de novembro de 2021 e, nas Forças Armadas, acumulou funções de chefia e de coordenação.
Foi escolhido pelo Governo na sequência da demissão apresentada por Fernando Araújo no final de abril de 2024, depois de liderar a direção executiva do SNS durante cerca de 15 meses, alegando que não queria ser um obstáculo ao Governo nas políticas e nas medidas que considerasse necessário implementar.
Gandra d’Almeida demitiu-se na sexta-feira após a reportagem da SIC. A lei diz que é a acumulação de cargos é incompatível, mas António Gandra D'Almeida conseguiu que o INEM lhe desse uma autorização com a garantia de que não ia receber vencimento.
No entanto, através de uma empresa que criou com a mulher e da qual era gerente, terá recebido “mais de 200 mil euros por esses turnos”.