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Lucros da Galp disparam 41% para 272 milhões de euros

Agência Lusa , BCE
27 abr, 07:39
Galp
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Lucros aumentaram 41% face ao mesmo período do ano passado

A Galp fechou o primeiro trimestre do ano com um lucro ajustado de 272 milhões de euros, uma subida de 41% face ao período homólogo, sustentado pelo aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil.

Entre janeiro e março, o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) também cresceu 41% para 943 milhões de euros, face ao mesmo período de 2025, informou a petrolífera em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Cerca de 73% deste valor teve origem na unidade negócio de 'upstream' - exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural - "cujo EBITDA aumentou 78%, beneficiando do efeito combinado de um incremento de 23% da produção de petróleo e gás natural com o aumento da cotação média do brent", detalha.

A petrolífera explica que este crescimento foi suportado pela entrada em produção do projeto Campo de Bacalhau, no Brsil, onde detém uma participação de 20%, tendo a produção média diária de petróleo e gás no primeiro trimestre de 2026 sido equivalente a 129 mil barris, contra 104 mil barris no trimestre homólogo. Já a cotação média do brent aumentou 7% para 81,1 dólares por barril.

“A Galp arrancou o ano de uma forma sólida, apesar do aumento da volatilidade dos mercados, e da incerteza global, graças à resiliência dos seus ativos e a uma disciplinada execução operacional”, afirmou Maria João Carioca, co‑CEO da Galp, citada em comunicado.

“Esta solidez permitiu-nos prosseguir o desenvolvimento dos nossos projetos, mas também assegurar o abastecimento energético do país em momentos críticos como as tempestades do início do ano ou a disrupção das cadeias de abastecimento com o bloqueio do estreito de Ormuz”, acrescenta.

Sobre Sines, destaca que “a continuidade operacional e a fiabilidade da refinaria, em paragem programada durante 50 dias no trimestre anterior, a maior da sua história, permitiu à unidade de Industrial & Midstream [refinação, transporte e armazenamento de petróleo e gás] capturar o aumento das margens de refinação internacionais a partir de março, compensando o impacto do mau tempo que afetou o país nos dois meses anteriores e que limitou nesse período o aprovisionamento de crude por via marítima”.

“Apesar de um aumento de 80% no trading de gás natural nos mercados internacionais, e da duplicação do impacto das exportações de produtos refinados – sobretudo gasolinas – o EBITDA desta unidade diminuiu 9% para 198 milhões de euros devido ao impacto contabilístico da subida dos preços dos produtos petrolíferos, que se reflete de imediato nos custos da unidade de Energy Management [que gere a venda do petróleo], mas é diferido no lado das vendas de produtos a clientes”, explica.

Esse efeito, conhecido por time lag, teve um impacto negativo de cerca de 130 milhões de euros, fazendo com que o contributo das atividades no mercado nacional para o resultado líquido ajustado da Galp no trimestre fosse nulo. Foi a atividade internacional a assegurar a totalidade do EBITDA do grupo.

Os resultados líquidos segundo as normas contabilísticas internacionais (IFRS), que refletem o lucro contabilístico da empresa, “traduziram-se em perdas de 111 milhões devido à variação da valorização de instrumentos derivados para cobertura de risco”, detalha.

Nas restantes áreas de operação, registou um aumento do EBITDA no segmento Comercial em 37% para 84 milhões milhões, impulsionado pelo segmento empresarial em Espanha, e nas Renováveis um incremento de vendas de energia de 21% devido ao aumento da capacidade instalada na Península Ibérica.

Até março, o investimento totalizou 201 milhões de euros, uma redução face aos 295 milhões registados no mesmo período de 2025, explicada pela diminuição das necessidades de capital dos projetos de 'Upstream', que ainda assim absorveram metade do investimento no trimestre.

"O investimento nos projetos industriais de produção de biocombustíveis avançados (SAF e HVO) e de hidrogénio verde em Sines – ambos pioneiros a nível europeu – aumentou 17% em termos homólogos, para 51 milhões de euros", acrescenta.

Galp antecipa 2026 "desafiante" e mantém foco na Namíbia e na fusão de ativos com a Moeve

A Galp prevê que 2026 seja um ano “desafiante, mas também bastante entusiasmante”, mantendo os planos de exploração na Namíbia e a negociação da fusão de ativos com a Moeve, antiga Cepsa.

Na conferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre, a co-presidente executiva Maria João Carioca afirmou que a petrolífera continua a gerir “a atual volatilidade do mercado e as perturbações no abastecimento” devido ao conflito no Médio Oriente, mas sublinhou que isso “não prejudicou de forma alguma” a execução das iniciativas estratégicas em curso.

A Galp indicou que não pretende rever já as previsões anuais, apesar da alteração do cenário macroeconómico. Maria João Carioca reconheceu que o enquadramento que sustentava as previsões anteriores “já não se mantém”, mas defendeu que a situação continua marcada por “elevada volatilidade” e “demasiadas variáveis em movimento”.

“Não consideramos que este seja o momento para fixar um novo ‘guidance’”, afirmou, acrescentando que uma atualização poderá ocorrer com a publicação dos resultados do segundo trimestre.

“Continuamos a procurar executar com ritmo e disciplina”, afirmou Maria João Carioca, adiantando que na Namíbia “as atividades de ‘procurement’ [processos de contratação e aquisição de bens e serviços] estão a avançar”, o que permite “manter o objetivo de iniciar as atividades de perfuração da próxima campanha de exploração e avaliação no quarto trimestre”.

“No geral, 2026 está, de facto, a configurar-se como um ano desafiante, mas também bastante entusiasmante para a Galp”, afirmou.

Mais à frente, questionada novamente sobre a Namíbia e o calendário de desenvolvimento, referiu que, “no que diz respeito à parceria, o processo está a avançar a bom ritmo”.

A co-CEO explicou que “um dos passos críticos” dizia respeito aos direitos de preferência, cujo prazo já terminou, acrescentando que “não foram exercidos direitos de preferência”.

“Neste momento, estamos apenas a aguardar pelas autoridades locais”, afirmou, indicando que a Galp espera que a aprovação governamental chegue “tão rapidamente quanto as autoridades considerem viável”.

No que toca às discussões com os acionistas da Moeve sobre a fusão de alguns ativos, a Galp indicou que “continuam a evoluir positivamente”, mantendo-se a expectativa de “um potencial acordo até meados do ano”.

Questionado sobre a combinação com a Moeve, o co-presidente executivo João Diogo Marques da Silva afirmou que a operação dará à Galp “escala adicional” e “ativos complementares”, embora tenha sublinhado que ainda é “muito cedo” para detalhar impactos.

Uma das mais-valias desta combinação poderá estar relacionada com combustível sustentável para aviação, conhecido pela sigla inglesa SAF. “Estamos a pensar na unidade de produção de SAF que temos vindo a construir nos últimos anos, tanto nós como a Moeve”, afirmou João Diogo Marques da Silva.

“Esse é um ativo muito importante a considerar em termos de sinergias”, acrescentou o gestor, apontando também para potenciais ganhos em logística, cadeia de abastecimento, eficiência nas paragens programadas e energia.

A empresa destacou ainda que a dívida líquida se manteve estável. Segundo Maria João Carioca, o desempenho operacional “sólido” do trimestre refletiu-se na demonstração de resultados e reforçou “a robusta posição financeira da Galp”.

João Diogo Marques da Silva afirmou, por sua vez, que a empresa está a acompanhar “de perto os desenvolvimentos” nos mercados internacionais, num contexto em que “o impacto pode ser sentido a nível global”.

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