G7 alarga as sanções para "privar" a máquina de guerra russa de tecnologia, construção e transportes

19 mai, 13:32
G7 voltaram a reunir-se em Hiroshima. As melhores fotografias do encontro (imagem AP)

As sete maiores economias do mundo juntaram-se para "apertar o cerco" à economia russa. União Europeia, Reino Unido e Austrália também anunciaram novas medidas.

Os líderes do G7 reunidos em Hiroshima, no Japão, chegaram esta sexta-feira a um acordo sobre novas sanções para privar a Rússia de meios que a ajudem no esforço de guerra contra a Ucrânia, anunciou o bloco em comunicado.

As novas sanções impostas pelas sete maiores economias mundiais visam "aumentar os custos para a Rússia" e para as empresas e indivíduos que beneficiam ou "apoiam o esforço de guerra".

"Nós vamos privar a Rússia da tecnologia dos países do G7, de equipamentos industriais e de serviços que apoiem a sua máquina de guerra. Vamos alargar as nossas ações para garantir que a exportação de todos os bens essenciais para a agressão russa, incluindo aqueles utilizados pela Rússia no campo de batalha, são restritos em todas as nossas jurisdições", refere o grupo num comunicado.

O grupo composto pelos Estados Unidos, Aleamanha, Japão, Reino Unido, Canadá, França e Itália admite que vai continuar a deixar de fora das restrições o setor agrícola, médico e humanitário, de forma a evitar que estas medidas tenham um impacto demasiado negativo em países terceiros.

O grupo pretende também aumentar o cerco à economia russa ao trabalhar com países que possam estar a ajudar a Rússia a contornar as restrições às importações de certos bens. No comunicado, o G7 promete não só continuar o caminho de redução dramática da dependência energética russa como insiste que vai expandir essa relação ao setor do nuclear.

"Estamos determinados a continuar neste caminho para que a Rússia não seja mais capaz de utilizar a energia contra nós. Reduziremos ainda mais a dependência de bens nucleares civis e bens relacionados russos, incluindo a trabalhar com outros países de forma a diversificar os nossos fornecedores", promete o grupo.

Estes países esperam apertar o cerco a várias áreas que podem beneficiar com a "reconstrução da máquina de guerra", incluindo o setor das máquinas industriais, ferramentas, bem como a construção, transportes e vários negócios considerados  “essenciais para a Rússia no campo de batalha”.

Os sete anunciaram também novas medidas em relação aos ativos russos congelados no estrangeiro, bem como em relação a bancos que estejam a ajudar Moscovo a evitar as sanções financeiras. De acordo com o comunicado, os países do G7 comprometem-se a manter estes ativos até que Moscovo compense Kiev por toda a destruição causada em território ucranino.

"Nós [os países do G7] continuaremos a tomar as medidas disponíveis nas nossas estruturas domésticas para localizar, restringir, congelar, apreender e, quando apropriado, confiscar os bens daqueles indivíduos e entidades que foram sancionados em conexão com a agressão da Rússia (...) Estamos a tomar medidas para mapear completamente os ativos soberanos da Rússia imobilizados nas nossas jurisdições. Reafirmamos que, de acordo com os nossos respetivos sistemas jurídicos, os ativos soberanos da Rússia nas nossas jurisdições permanecerão imobilizados até que a Rússia pague pelos danos causados ​​à Ucrânia", acrescenta o grupo.

Ainda esta sexta-feira, Reino Unido, Austrália e União Europeia anunciaram também novas sanções contra a Rússia, com medidas contra a empresa de energia nuclear estatal, Rosatom. O primeiro-ministro britânico garantiu que o apoio do seu país à Ucrânia será mantido "a longo-prazo".

“A Rússia precisa de saber que nós e outros países estamos firmes na nossa determinação de apoiar a Ucrânia, não apenas aqui e agora com os recursos necessários para se proteger, mas também a longo-prazo”, afirmou Rishi Sunak, citado pela Sky News.

O governo australiano, por sua vez, focou as suas sanções em setores como a exploração de ouro, petróleo e o nuclear. Cerca de 21 entidades serão alvo das restrições, bem como cinco bancos e três indivíduos.

A União Europeia, por sua vez, anunciou que vai "limitar o comércio de diamantes russos" como parte das sanções contra Moscovo na sequência da invasão da Ucrânia, de acordo com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, na cimeira do bloco G7.

"Os diamantes russos não são para sempre", disse, com ironia, Michel à imprensa em Hiroshima, confirmando uma medida da União Europeia que visa “desligar a Rússia dos seus financiadores”.

O presidente do Conselho Europeu garantiu que a UE está empenhada em “fechar a porta às lacunas legais” de que o Kremlin se está a aproveitar para “continuar a atiçar a chama da guerra na Ucrânia”.

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