«Varremos a Europa toda»

15 mai, 00:00
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Tomás Paçó falou da conquista da Champions que não foi «apenas» mais um troféu. Em entrevista ao Maisfutebol, o fixo do Sporting abriu o livro sobre um possível fim de ciclo

O Sporting voltou a tocar no céu do futsal europeu. Tomás Paçó abriu o livro sobre a mensagem que motivou os leões à terceira Champions - isto cinco anos volvidos desde a última vez que «varreram» a Europa. 

Em entrevista ao Maisfutebol, confessou que não é «só mais uma» - pode ser a última deste grupo todo junto. Falou também da importância de vencer com o irmão gémeo, Bernardo, em destaque – e sobre como fica nervoso por ele.

Vira, também, as atenções para o campeonato, deixando uma certeza – vencer apenas a Liga dos Campeões nesta época saberia a pouco.

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Perdem a Taça de Portugal e Taça da Liga, como é que se vira o ‘chip’ para a Champions?

Não tem sido uma época fácil. Quando chegámos à final four, tínhamos confiança, porque vínhamos a fazer bons jogos. Faltavam coisinhas pequeninas para ajustar para podermos obter o resultado que queríamos. Chegámos a Itália com o pensamento de que não vamos desesperar. Somos a equipa com mais golos marcados em toda a história da Liga portuguesa. Ultrapassámos esse recorde. Tínhamos de aproveitar esse bom momento. A ideia que a equipa técnica nos passou também foi essa.

A mensagem para a Champions foi ser a «última juntos»?

O Sporting é conhecido por sempre manter uma grande base na equipa. E nessa base, como é normal, há alguns jogadores nesse fim de ciclo, como é normal para todas as equipas. Nesta equipa é mais difícil porque estamos há tanto tempo juntos. Quando começa a haver essas saídas é mais difícil gerir, é mais difícil controlar as emoções. Nós quisemos pegar nisso para nos dar uma motivação extra para ganhar esta Champions, porque sabíamos que para alguns ia ser a última. Queríamos juntar-nos e gerir essa emoção para tirar algo positivo. Não vou estar agora a dizer quem são os jogadores porque não faz parte do meu trabalho. Mas não é segredo nenhum.

Que influência tiveram os jogadores mais experientes na sua carreira?

Desde que subi a sénior esses jogadores acompanharam o meu crescimento. Ajudaram-me em tudo, como jogador e como homem. Acompanharam-me ao processo de os meus pais me trazerem aos jogos e de agora ser eu a trazer a minha filha ou o meu sobrinho para o jogo. Eles (filha e sobrinho) puderam ir a Itália e isso tudo se vive de uma forma muito intensa. Nós somos praticamente uma família. Tenho aqui jogadores que são o meu segundo pai. Até o Nuno Dias é o meu segundo pai. Passamos tantas horas juntos. Eles ajudaram-me imenso e criámos uma ligação emocional muito grande. E claro é sempre difícil despedir.

Confessou que a meia-final com o Cartagena foi o jogo mais emotivo. E a final?

Eu vou ser sincero, eu só queria estar na final. Queria ir disputar a final. A minha obrigação era chegar à final e dar tudo o que eu tinha. Não conseguia pôr na minha cabeça que ia ser mais um ano a disputar o 3º e 4º lugar. Eu sentia que nós tínhamos o dever de chegar à final. Foi uma pressão, um peso que saiu de cima dos meus ombros. Estávamos a jogar de uma forma muito confiante. Estávamos todos leves. Sentia que a meia-final era o momento para nós darmos o clique para voar.

A conquista da Champions poderá ter algum efeito negativo?

É engraçado que nós começámos agora a treinar em Portugal e falámos disso. O importante é agora agarrarmos nisso e assumirmos que somos campeões da Europa. Nós, durante o ano, temos de ser os melhores da Europa. Porque nós ganhámos ao Kairat, ao Benfica, ao Cartagena e ao Palma. Das cinco equipas, essas quatro (e o Sporting) são as que estão no top-5 do ranking da UEFA. Temos de assumir isso. Mas temos de, agora, transportar para estes jogos da Liga. É confiança, mas com os pés bem assentes na terra. Fazer o nosso trabalho, não relaxar. Sabemos que é difícil fazer esta gestão, porque festejámos imenso. O pico da emoção está lá em cima, mas temos de controlar para não tropeçarmos como o ano passado.

O seu irmão já tinha vencido a de 2021. Mas desta vez venceu como titular. Torna mais especial?

Torna-se muito especial... e mais difícil. Porque, eu digo sempre isto, é muito bom ter um irmão no mesmo plantel, mas é difícil. Porque estou a gerir a minha emoção, mas tenho de estar a gerir a emoção dele também, porque eu sinto como se estivesse na pele dele. Então, eu tento focar-me no meu jogo, mas muitas vezes, principalmente quando saio para o banco e o meu irmão está a jogar, eu fico se calhar mais nervoso que ele. Acho que ele está a assumir o papel que tem que assumir. Nunca duvidei que ele tinha a qualidade para assumir. Fico contente por ele, até por todas as críticas que já levou, muitas vezes injustas, porque a posição de guarda-redes é muito ingrata.

Como é que explica o festejo com a vassoura no João Rocha?

Essa questão de eu entrar a varrer... foi porque nós varremos a Europa toda. Varremos as quatro melhores equipas da Europa. Estava ali a entrar e pensei ‘o que é que eu vou fazer? Olha, vou pegar uma vassoura e vou varrer a Europa toda’. E pronto, foi essa a ideia.

No caso de a Champions ser o único troféu conquistado, será uma época positiva?

É muito positivo ganhar este troféu. É o melhor de todos. Toda a equipa quer ganhar este troféu. Mas para nós vai saber a muito pouco, porque o ano passado perdemos o campeonato. Este ano, o pensamento agora depois da Champions está em focar no campeonato. Tem de ser nosso. Se só vencermos este troféu (a Champions), vai saber a muito pouco.

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