Rio Ave-Estrela da Amadora, 2-0 (crónica)

Rui Almeida Santos , Estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira
5 mai 2025, 22:04

No aproveitar esteve o ganho na festa dos vila-condenses

Foi em casa, ainda que longe de Vila do Conde, que o Rio Ave festejou a manutenção na Liga. O objetivo ficou garantido com o triunfo, o primeiro na casa emprestada do Estádio Capital do Móvel, frente ao Estrela da Amadora (2-0), que continua a ter de olhar pelo espelho retrovisor para evitar uma ultrapassagem indesejada, e comprometedora, na reta final da prova. Aos nortenhos bastou um raio de lucidez no momento da verdade, algo que rareou durante grande parte do tempo.

Se na véspera foi a água que impediu a realização da partida, neste final de tarde foi o «fogo» que muitos dos jogadores foram incapazes de controlar a condicionar o rumo de um duelo «quentinho», cheio de picardias, dentro e fora das quatro linhas, que só na primeira parte resultaram em cinco amarelos e na expulsão do treinador do Rio Ave, Petit, por protestos.

Uma cacofonia dos elementos que só nos últimos minutos do primeiro tempo deixou os adeptos a sofrer por aquilo que realmente lhes importa. Primeiro, Pantalon ajudou João Costa, à boca da baliza tricolor, a impedir o golo do Rio Ave num lance confuso. A bola sobrou para Diogo Travassos, que correu o campo todo com a bola controlada e atirou para defesa apertada de Miszta.

RECORDE O FILME DO JOGO

O intervalo ajudou a serenar os ânimos, mas não a elevar a qualidade do jogo. Com as duas equipas a demonstrarem dificuldades em ganhar algum ascendente, bastou a uma delas, no caso o Rio Ave, saber aproveitar o que lhe caiu no colo. E não foi pouco.

O primeiro sinal de que o Estrela podia desmoronar foi dado por Amine, que perdeu a bola para João Novais em zona proibitiva, num lance que resultou no golo de Clayton, a meio da segunda parte. Aí, valeu aos tricolores que o avançado brasileiro estava em fora de jogo no momento do passe do colega de equipa.

A formação da Amadora não aprendeu com o erro e, à segunda, não houve VAR que lhe valesse. Dramé cometeu penálti sobre Clayton, que o goleador brasileiro converteu no 1-0, colocando um ponto final numa seca de golos que durava desde meados de março.

Se até aí nunca pareceu capaz de controlar as emoções, o Estrela encarou a reta final da partida de peito aberto, ficando exposto à resposta do Rio Ave, que antes de dar a estocada no último lance, por Martim Neto, viu João Costa negar o bis a Clayton com a defesa do jogo.

Custou, mas o Rio Ave lá conseguiu festejar na Capital do Móvel. Dificilmente poderia pedir um momento mais simbólico para o fazer.

Figura: Andreas Ntoi (Rio Ave)

Num jogo de muita luta, o espírito guerreiro do defesa central grego encaixou como uma luva. Nunca virou a cara aos duelos, travou-se de razões com adversários num par de situações e, no que lhe competia, deixou Miszta a salvo dos ataques do Estrela. Muito atento às movimentações dos avançados contrários, protagonizou vários desarmes em zonas, e momentos, cruciais. Deixou o jogo esgotado. E feliz, certamente.

Momento: penálti desequilibra o marcador (77m)

Depois de um primeiro aviso, nascido num mau passe de Amine numa saída de bola para o ataque, o Estrela caiu mesmo à entrada do derradeiro quarto de hora, quando Dramé cometeu falta sobre Clayton no interior da sua área. Desta vez, nem o especialista em defender penáltis, João Costa, valeu à equipa da Amadora. E o jogo fugiu-lhe ali, de vez.

Positivo

Que grande jogo de Pantalon no eixo defensivo do Estrela. No reencontro com a sua antiga equipa, o defesa croata esteve intratável, dominando pelo ar e à flor da relva. Nos descontos, tentou em desespero evitar o 2-0 de Martim Neto, uma abordagem temerária que não prejudica em nada tudo o que de bem fez até aí. Classe de Alan Ruiz surgiu a espaços no miolo do Estrela, assim como a espontaneidade de André Luiz no ataque do Rio Ave.

Negativo

A primeira parte do Rio Ave-Estrela da Amadora vai deixar poucas saudades. Foram 19 faltas, cinco cartões amarelos e uma expulsão, a do treinador dos vila-condenses, Petit, que espelham o ambiente de constante tensão que se viveu dentro das quatro linhas.

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