Liga: Casa Pia-AVS, 3-3 (crónica)

23 jan, 22:37

Afinal, quem é que acredita mais?

Na noite de todos os fenómenos, o mais significativo é o da deteção de um sinal de vida no mundo muito próprio em que vive este AVS. É que, apesar de ainda não ter sido desta que se estreou a vencer na Liga, foi capaz de recuperar de uma desvantagem de três golos nos últimos minutos do jogo com o Casa Pia, que por sua vez continua sem ganhar em casa, esta época. O 3-3 final surgiu ao minuto 90+9, depois de um bis do quarentão Nené. Foi mesmo tudo incrível nesta história.

Esta abençoada loucura começou com um apito em falso. Corajoso perante a intempérie, o árbitro, Ricardo Baixinho, ainda ordenou o início do jogo, já depois de um primeiro recolher inesperado ao túnel para causa do granizo, mas logo teve de interromper a partida tal era a tormenta em Rio Maior. E assim se “jogaram” os 40 segundos mais agrestes desta Liga.

RECORDE O FILME DO JOGO

Seguiram-se cinco minutos de muita chuva e grande ventania (nem as telas publicitárias aguentaram), mas o tempo lá deu uma trégua. E, não fossem as coisas tornarem a piorar, o Casa Pia logo tratou de se colocar em vantagem no resultado, pelo central David Sousa (9m), em antecipação ao guarda-redes adversário.

Como em tudo na vida, há sempre um lado bom nas coisas. No caso do temporal que se abateu sobre Rio Maior, ele abriu o jogo logo desde início, tornando-o imprevisível, já que a bola pingava frequentemente junto das duas áreas (com mais frequência na do Casa Pia). O futebol de régua e esquadro deu lugar àquele que se joga de alma e coração. E quem ainda viveu o futebol no século passado dificilmente não se identificou com tudo isto.

A luta pela sobrevivência ao ritmo do rock and roll, daquele mais pesado, com descargas de emoção constantes. Óscar Perea, o mais reacionário no AVS, obrigou Patrick Sequeira a “voar” para lhe negar o empate, ao minuto 15, naquela que foi a melhor ocasião dos nortenhos até ao intervalo, pese embora as muitas carambolas na área contrária.

O Casa Pia, que fechou o primeiro tempo com menos bola (40 por cento) e um quarto dos remates do rival (4 contra 16), teve, ainda assim, a melhor ocasião de todas aos 40 minutos, quando Adriel negou o 2-0 a Tiago Morais com uma defesa apertada.

A mudança de lados deixou os casapianos a atacarem a favor do vento, e como isso era relevante aqui. Isso e o facto de os gansos terem conseguido imitar o que fizeram na etapa inicial, ou seja marcar cedo, agora por Larrazabal (51m), num lance em que Livolant, no início da jogada, fugiu, no limite, ao fora de jogo.

Como o jogo estava, avesso a qualquer tentativa de controlo com bola, persistia a sensação de que um golo do AVS poderia reabrir a questão. E Algobia ainda o vislumbrou num remate aos 64 minutos, que Cassiano desviou de forma corajosa. Só que, logo depois, Osundina fez o 3-0 na primeira vez em que tocou na bola. E assim parecia ter fechado o encontro.

Parecia, porque Nené entrou logo de seguida no AVS e ainda conseguiu bisar, na conversão de dois penáltis cometidos de forma displicente por Abdu Conté e João Goulart (75m e 90m). A transcendência do “eterno” goleador brasileiro (são já 42 anos!) fez ressurgir aquela sensação de que o jogo podia reabrir a qualquer momento e abriu caminho a uma recuperação notável dos avenses, que empataram em cima do minuto 90+9, por Guilherme Neiva. A zona de salvação continua a dez pontos de distância para o AVS, mas depois desta noite, como não acreditar?

FIGURA: Nené (AVS)

Entrou com a equipa a perder por 3-0, bisou de penálti e abriu uma janela de oportunidade ao AVS, que Guilherme Neiva aproveitou para selar o empate no último suspiro do jogo. Nené não brinca em serviço e, aos 42 anos, é um jogador diferenciado numa equipa até aqui descrente. Como será depois desta noite?

MOMENTO: Guilherme Neiva carimba empate no fim (90+9m)

Quando, aos 65 minutos, Osundina fez o 3-0 para o Casa Pia na primeira vez que tocou na bola, poucos acreditariam que os gansos não vencessem o encontro. Mas o AVS ganhou duas vidas extras, em dois penáltis cometidos de forma infantil que Nené converteu, e conseguiu evitar a derrota no último lance da partida, por Guilherme Neiva. Incrível!

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