Um «galo» a voar para longe da aflição nas penas de Pablo
Um banquete servido pelo chef Pablo permitiu ao galo saciar a fome de vitórias às custas de um Boavista que deu ares de uma certa resignação perante as adversidades e vê a vida complicar-se a cada jornada que passa. Já o Gil Vicente, que não vencia desde meados de janeiro, ganha outro fôlego na corrida pela permanência na Liga.
O «medo» de deixar fugir o jogo demasiado cedo toldou as duas equipas ao longo da primeira parte, com alguns espasmos de irreverência pelo meio, quase todos assinados por Touré e Bermejo, os mais inconformados no lado gilista. Até à meia hora, os extremos assumiram o protagonismo, ainda que ténue, já que lhes ia faltando maior assertividade na hora de definir os lances que o seu talento era capaz de criar.
A primeira ocasião flagrante de golo pertenceu mesmo aos minhotos, aos 32 minutos, saída da cabeça de Pablo, que Vaclík negou com uma defesa apertada.
Se chegou até aqui, poderá ter ficado com a ideia de que o Boavista foi uma equipa submissa, o que esteve longe de acontecer. Com uma linha de quatro defesas, os axadrezados tentavam pressionar alto, mas a segurança que o Gil privilegiou no seu jogo, sobretudo com a bola em sua posse, bastou para anular as intenções adversárias.
A exceção aconteceu em cima do intervalo, quando Kurzawa fugiu pela esquerda e cruzou com a categoria exigida a um internacional francês para um cabeceamento perigoso de Moussa Koné, que Andrew travou com segurança.
Só que, quando pouco o faria prever, a resistência do Boavista desabou com uma entrada em falso na segunda parte. O treinador dos axadrezados, Lito Vidigal, percecionou a desgraça e ainda tentou emendar a mão quando trocou Reisinho por Diaby, mas logo a seguir surgiu o 1-0 do Gil Vicente. A seguir o segundo. E pouco depois o terceiro!
Em apenas dez minutos, o Gil Vicente resolveu o jogo com um hat-trick de Pablo, também ele vindo do nada, perante a descrença total da pantera, que se rendeu de pronto.
Os ânimos ainda se exaltaram aos 80 minutos, quando Touré foi expulso, «picado» com os adeptos do Boavista. Mas no que a bola diz respeito, o jogo estava há muito fechado, ainda que Bozenik tivesse reduzido, de penálti, no último suspiro.
MOMENTO: Dois golos consecutivos foram demais para o Boavista (56m)
O bom início de segunda parte do Gil Vicente teve no primeiro golo de Pablo, que desbloqueou o nulo, um momento de libertação. Mas o 2-0, apontado no lance imediatamente seguinte, quebrou de vez o ânimo da pantera. Foi aí que os minhotos fizeram xeque-mate ao jogo.
FIGURA: Pablo
Não é todos os dias que se assina um hat-trick, muito menos no espaço de uma dezena de minutos. Até inaugurar o marcador, Pablo até parecia algo desinspirado no momento de finalizar, mas a partir do minuto 55 roubou o espetáculo todo só para ele. Uma exibição de gala a fazer lembrar as melhores noites em Portugal do pai, Pena, no início do século.
POSITIVO
Que bela exibição de Bamba no meio-campo do Gil Vicente. Esteve em todo o lado, dando boas soluções com bola e mostrando grande intensidade quando a tinha de recuperar. No Boavista, Sidoine Fogning esteve em bom plano até ao naufrágio coletivo dos axadrezados.
NEGATIVO
A primeira parte do Boavista andou longe de deslumbrar, mas o arranque do segundo tempo foi um desastre. Antes de sofrer dois golos num par de minutos, já tinha levado com sustos suficientes para «acordar» para a fase decisiva do jogo. Reisinho, que até saiu com o resultado ainda em 0-0, espelhou o desnorte e a desinspiração dos axadrezados. Cenário criado em torno da expulsão do gilista Touré foi de todo escusado.
