Dodô chegou a jogar pelo Bahia. Em três anos acumulou prejuízos de quase um milhão de reais
Em apenas três anos, Paulo Athanazio, Dodô no mundo do futebol, acumulou prejuízos de perto de um milhão de reais, pouco mais do que 160 mil euros. Tudo por causa do vício que desenvolveu em apostas desportivas, que experimentou por curiosidade, mas que o conduziram à ruína. «Sujei o meu nome. Tudo o que tinha de valor, perdi», confessa, numa reportagem da Globo Esporte.
Aos 25 anos, a vida de Dodô já passou por muitos altos e baixos, sempre com o futebol como pano de fundo. Na juventude, o seu talento com a bola levou-o até ao Bahia, no início desta década, então a disputar a Série B.
Entretanto, encontrou nas apostas uma forma de poder ganhar algum dinheiro extra. «Ia jogando e vendo coisas na internet daquelas pessoas que apostam, que diziam que tinha de aumentar o valor (da aposta) e diminuir o número de jogos (por aposta). Jogava, ganhava, perdia, ganhava, perdia…».
Esse passou a ser o seu quotidiano durante largos meses, mesmo quando sentia que o jogo passou a tomar conta de si. «Percebi que estava viciado quando comecei a deixar de me focar no futebol. Por exemplo, se fosse treinar às 8:00 da manhã, apostava em jogos da Austrália ou da Coreia, que começavam às 2:00 da manhã e acabavam às 4:30 ou 5:00 da manhã. Só aí é que ia dormir», conta.
Quando as perdas se começaram a avolumar, meteu na cabeça que era capaz de inverter o rumo das coisas. Uma intenção que o fez cair num buraco cada vez mais fundo.
«Pedia dinheiro emprestado aos meus amigos e colegas do futebol. Era para apostar, mas contava-lhes histórias tristes. É para se ter uma noção do nível que atingi enquanto mentiroso e pessoa ruim», desabafa.
Entretanto, foi-se praticamente tudo o que tinha. O apartamento, o carro, até chuteiras e relógios, mas sobretudo a confiança da mãe e da mulher com quem teve uma filha. «Ela não me deixava ficar muito tempo com a minha filha porque tinha medo. Eu entendo, ela só queria protegê-la», diz Dodô.
Hoje, recuperou o apoio da mãe, fundamental para o ajudar a superar o vício. «Quando alguém fala sobre jogo, eu afasto-me», garante.
Na conta bancária sobram «três reais», quase 50 cêntimos. Uma gota no oceano de dívidas que acumulou, de perto de um milhão de reais (160 mil euros). A maior aposta que fez foi de 50 mil reais numa vitória do Corinthians. «O Corinthians perdeu para o Racing, da Argentina, e foi quando eu perdi».
