«É tempo de os jogadores exigirem respeito, justiça e solidariedade na gestão do futebol mundial», apela Joaquim Evangelista
Preocupados com a saúde e o bem-estar dos futebolistas, 60 sindicatos membros da FIFPro, entre eles o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, reuniram, na cidade neerlandesa de Hoofddorp, para discutir as relações institucionais com a FIFA, que consideram ter um «modelo de governação autocrático, sobrepondo as necessidades dos protagonistas aos interesses comerciais».
«A má gestão dos calendários internacionais e os problemas causados pela fadiga e carga excessiva a que são submetidos os jogadores, somada à realização das provas em condições climatéricas extremas, colocam em causa os seus direitos fundamentais. Ao mesmo tempo, o sistema apresenta enormes desequilíbrios, sem capacidade para combater problemas como a precariedade e o incumprimento salarial», pode ler-se na nota partilhada na página do Sindicato dos Jogadores.
There cannot be a new era of football if we do not first address the inequalities and structural abuses that run through it. There's no legitimate spectacle if it's built on exhaustion, exclusion and abuse.
— FIFPRO (@FIFPRO) July 25, 2025
In defence of players, #FIFPRO denounces FIFA’s autocratic governance ⤵
Joaquim Evangelista, que é também membro do Board mundial da FIFPro, reafirmou a urgência de um novo modelo de governação para o futebol mundial.
«Esta reunião serviu, em primeiro lugar, para afirmar a união entre os sindicatos membros da FIFPro na legitimação dos nossos dirigentes para representar e defender os interesses das jogadoras e dos jogadores no plano internacional. Isso significa que a FIFA não pode simplesmente ignorar uma organização legitimada e reconhecida democraticamente, só porque não gosta de ser confrontada para a resolução dos problemas», sublinha o dirigente.
«É tempo de os jogadores, protagonistas sem os quais não existe futebol, mostrarem a sua união e exigirem respeito, justiça e solidariedade na gestão do futebol mundial», defende Joaquim Evangelista, que considera «inaceitável que se continuem a ignorar direitos fundamentais e necessidades básicas dos jogadores, enquanto trabalhadores e seres humanos, e ao mesmo tempo se ignorem os problemas reais, que se verificam em diferentes partes do mundo».
Para o responsável, «é muito fácil falar de números como os da receita gerada pelo Mundial de Clubes ou pela venda de bilhetes para o Mundial do próximo ano, mas mais difícil criar condições para que essas receitas possam ser canalizadas para resolver os problemas estruturais do futebol».
«O modelo de gestão comercial é importante, mas não se podem utilizar os números e as receitas para legitimar tudo, especialmente quando o presidente da FIFA decidiu que não precisa de falar com a FIFPro. A FIFPro continuará a dar-lhes voz, a lutar contra a instrumentalização e injustiças, a promover a inclusão, a criação de mecanismos de solidariedade e respostas que tornem a indústria mais equilibrada e sustentável. Sem os jogadores não há futebol», completou Joaquim Evangelista.