FIFPro quer jogadores a revoltarem-se contra a FIFA

25 jul 2025, 17:42
FIFPRO (Foto: Sindicato dos Jogadores)

«É tempo de os jogadores exigirem respeito, justiça e solidariedade na gestão do futebol mundial», apela Joaquim Evangelista

Preocupados com a saúde e o bem-estar dos futebolistas, 60 sindicatos membros da FIFPro, entre eles o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, reuniram, na cidade neerlandesa de Hoofddorp, para discutir as relações institucionais com a FIFA, que consideram ter um «modelo de governação autocrático, sobrepondo as necessidades dos protagonistas aos interesses comerciais».

«A má gestão dos calendários internacionais e os problemas causados pela fadiga e carga excessiva a que são submetidos os jogadores, somada à realização das provas em condições climatéricas extremas, colocam em causa os seus direitos fundamentais. Ao mesmo tempo, o sistema apresenta enormes desequilíbrios, sem capacidade para combater problemas como a precariedade e o incumprimento salarial», pode ler-se na nota partilhada na página do Sindicato dos Jogadores.

Joaquim Evangelista, que é também membro do Board mundial da FIFPro, reafirmou a urgência de um novo modelo de governação para o futebol mundial.

«Esta reunião serviu, em primeiro lugar, para afirmar a união entre os sindicatos membros da FIFPro na legitimação dos nossos dirigentes para representar e defender os interesses das jogadoras e dos jogadores no plano internacional. Isso significa que a FIFA não pode simplesmente ignorar uma organização legitimada e reconhecida democraticamente, só porque não gosta de ser confrontada para a resolução dos problemas», sublinha o dirigente.

«É tempo de os jogadores, protagonistas sem os quais não existe futebol, mostrarem a sua união e exigirem respeito, justiça e solidariedade na gestão do futebol mundial», defende Joaquim Evangelista, que considera «inaceitável que se continuem a ignorar direitos fundamentais e necessidades básicas dos jogadores, enquanto trabalhadores e seres humanos, e ao mesmo tempo se ignorem os problemas reais, que se verificam em diferentes partes do mundo».

Para o responsável, «é muito fácil falar de números como os da receita gerada pelo Mundial de Clubes ou pela venda de bilhetes para o Mundial do próximo ano, mas mais difícil criar condições para que essas receitas possam ser canalizadas para resolver os problemas estruturais do futebol».

«O modelo de gestão comercial é importante, mas não se podem utilizar os números e as receitas para legitimar tudo, especialmente quando o presidente da FIFA decidiu que não precisa de falar com a FIFPro. A FIFPro continuará a dar-lhes voz, a lutar contra a instrumentalização e injustiças, a promover a inclusão, a criação de mecanismos de solidariedade e respostas que tornem a indústria mais equilibrada e sustentável. Sem os jogadores não há futebol», completou Joaquim Evangelista.

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