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Quando o futebol feminino ensina o masculino

4 jul, 10:30
Megan Rapinoe, dos Estados Unidos, segura o troféu após vencer a final do Campeonato do Mundo de Futebol Feminino entre os EUA e a Holanda, no Stade de Lyon, em Décines, nos arredores de Lyon, França, no domingo, 7 de julho de 2019. (AP Photo/Claude Paris)
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O Mundial de 2026 não é apenas uma festa do futebol masculino. É o maior argumento vivo que prova que apostar no futebol feminino constrói um ecossistema plural

Em 2026, os Estados Unidos acolhem o maior espetáculo do futebol masculino sem terem um único título mundial. Mas têm quatro Campeonatos do Mundo femininos. O paradoxo não é acidental, é simplesmente uma lição. Uma lição para todos. Para quem organiza, mas também para quem vê, quem consome e quem faz do futebol o maior espetáculo do mundo.

Em 1972, o Title IX (lei que obrigou as universidades a oferecer às mulheres as mesmas oportunidades desportivas) forçou a igualdade. O futebol feminino explodiu. Criou praticantes, adeptas, mães que puseram os filhos a jogar, ligas profissionais, ícones culturais como Megan Rapinoe. Criou, acima de tudo, uma cultura de futebol que o masculino sozinho nunca teria construído. Os estádios deixaram de estar compostos por praticamente homens, para serem constituídos por famílias. Além do número de praticantes ter aumentado exponencialmente, o perfil do adepto de futebol mudou bastante e com isso os comportamentos menos convenientes por parte do público também evidenciou reduções na mesma proporção. O futebol deixou de ser um desporto de homens para homens.

1 de agosto de 2023, Nova Zelândia. Megan Rapinoe, dos Estados Unidos, abraça Jessica Silva, de Portugal, após o jogo do Grupo E do Campeonato do Mundo Feminino da FIFA entre Portugal e os Estados Unidos, no Eden Park, em Auckland. AP Photo/Abbie Parr

O Mundial feminino de 1999, realizado nos EUA, encheu estádios de 90.000 pessoas e foi transmitido em horário nobre. Uma geração de mulheres cresceu com referências suas no desporto. Olhar para trás é perceber o tamanho do legado. Hoje, quando vemos uma jovem promessa entrar em campo com os olhos brilhantes de ambição, estamos a ver o resultado direto de uma revolução silenciosa. Uma geração inteira de jovens mulheres cresceu embalada pelas suas vitórias, fazendo dos seus triunfos a banda sonora dos próprios sonhos. Ela foi o "eu também consigo" sussurrado nos balneários, o poster colado na parede do quarto, a finta repetida à exaustão nos pátios das escolas, a bola debaixo do braço nos recreios... Mas mais do que recordes batidos, o maior troféu é a certeza de que o desporto no feminino já não se escreve na margem, mas sim nas linhas principais da história.

O mito de que investir no feminino enfraquece o masculino morre aqui. Percebe-se com a clareza dos factos, que o fantasma de que apoiar as mulheres enfraquece os homens já morreu, sob o peso da realidade. O talento não se anula, multiplica-se. Olhar para o fenómeno norte-americano é ver o futuro a acontecer em tempo real: uma Liga Feminina vibrante que esgota estádios, uma Liga Masculina em expansão acelerada e uma seleção masculina que regressa, com garra, à elite do futebol global. Tudo ao mesmo tempo, numa coreografia perfeita que enterra de vez o preconceito e demonstra que o desporto só atinge a sua plenitude quando joga com toda a sua força.

O Mundial de 2026 não é apenas uma festa do futebol masculino. É o maior argumento vivo de que apostar no futebol feminino constrói um ecossistema plural, com famílias inteiras a gostar de futebol e desta forma aumentar exponencialmente o negócio. Bastava aprender com quem já o fez! A Europa neste âmbito está a milhas de distância do continente americano!

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