Sonho dos «quartos» ficou difícil, mas continua vivo
Portugal conseguiu retificar a imagem dada na jornada de estreia no Europeu feminino de futebol, salvou-se da derrota em cima do minuto 90, mas deixa o jogo com a Itália (1-1) numa situação frágil no que concerne às contas do apuramento para os quartos de final. Mas vivo. E se houve algo que este jogo mostrou foi que, para as portuguesas, enquanto houver vida, há esperança. Uma palavra tão querida no nosso dicionário.
Francisco Neto, o selecionador português, tinha prometido mexidas no onze, relativamente ao jogo com a Espanha, mas poucos esperariam a “revolução” por si operada, com um total de cinco trocas e, igualmente importante, um sistema tático mais arrojado, quiçá mais condizente com as qualidades - e o espírito - das Navegadoras.
É claro que poder contar com Kika Nazareth ajuda muito a encarar tudo com outra coragem. Recuperada de uma cirurgia ao tornozelo esquerdo, a craque do Barcelona voltou aos relvados quase quatro meses depois, saltando diretamente para a titularidade.
Portugal abordou o decisivo jogo com a Itália num 4-4-2 em losango, sólido no jogo interior, no qual Kika tinha liberdade para imaginar formas de causar problemas à defesa italiana. Só que, na prática, as Navegadoras demonstraram grandes dificuldades em encontrar o seu rumo durante a primeira parte.
Ao minuto 8, a capitã italiana, Cristiana Girelli, obrigou Patrícia Morais a uma intervenção vistosa. Aos 20m, a defesa-central Cecilia Salvai cabeceou à barra e, um quarto de hora depois, Severini viu um golo ser-lhe anulado por fora de jogo, na sequência de uma defesa incompleta da guarda-redes portuguesa.
Não que se assistisse a um domínio claro das italianas em termos territoriais, mas a Squadra Azzurra encontrava sempre melhores soluções para finalizar as suas jogadas, para além de que causava muitos problemas quando pressionava alto as saídas de bola das portuguesas.
Em cima do intervalo, Patrícia Morais voltou a negar o golo a Girelli, agora com uma defesa com os pés, plena de instinto. O mesmo que faltava a Portugal do outro lado do terreno, sendo que a primeira parte fechou com apenas um remate luso, que nem sequer levou a direção da baliza à guarda de Laura Giuliani. E isto apesar de a Seleção nacional ter terminado a primeira parte com mais posse de bola (53 por cento). Faltou-lhe, no entanto, saber o que fazer com ela.
O intervalo fez bem às portuguesas, que vieram do balneário com outra agressividade na disputa pela bola, o que causou um certo desconforto nas italianas em zonas mais adiantas do terreno.
Continuava, ainda assim, a faltar a Portugal mais clareza na abordagem ao último terço, ao contrário das italianas, que voltaram a ameaçar a baliza de Patrícia Morais ao minuto 60, num remate de fora da área, de Arianna Caruso.
O enredo do jogo ficou ilustrado numa obra de arte de Cristiana Girelli, que desbloqueou o nulo com um golaço, na resposta a (mais) um ataque prometedor mal definido pelas Navegadoras.
Girelli com um golaço. 🇮🇹#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #UEFAWomensEuro #Portugal #Italia pic.twitter.com/cyGMgAdi2i
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Aos 81 minutos, a esperança lusa renovou-se com o golo de Diana Silva, na sequência de uma bola parada, mas o lance foi invalidado por fora de jogo. Portugal nunca deixou de tentar. Foi à luta, deixou-se ir para onde o coração quis, e foi feliz. Depois de Carole Costa ter acertado na barra, a outra defesa-central, Diana Gomes, bateu Laura Giuliani.
Diana Gomes empatou a partida 😍#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #UEFAWomensEuro #Portugal #Italia pic.twitter.com/nV0gHbm2C4
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Na resposta, Patrícia Morais voltou a brilhar na baliza portuguesa, negando o 2-1 a Valentina Bergamaschi. Portugal sabia que o empate era apenas um mal menor e quase conseguiu a reviravolta, que Giuliani travou com uma defesa apertada, na compensação. Ainda houve tempo para Ana Borges ser expulsa, num lance com Barbara Bonansea.
Este empate obriga Portugal a vencer a Bélgica, na última jornada, para poder sonhar com o apuramento para os quartos de final. Para além disso, é necessário que a Itália perca com a já apurada Espanha e, também, que a conjugação dos dois resultados permita anular a diferença de seis golos entre as duas seleções, com vantagem para as transalpinas.
FIGURA: Patrícia Morais (Portugal)
Exibição inspirada da guarda-redes de Portugal, que negou por três vezes o golo à Itália, sempre com intervenções de elevado grau de dificuldade. Foi uma das novidades de Francisco Neto no onze português e fez por merecer a aposta.
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MOMENTO: Diana Gomes mantém o sonho vivo (89m)
Numa altura em que Portugal tentava o tudo por tudo para evitar a derrota, a defesa-central portuguesa fez o empate numa jogada em que a sua companheira de setor, Carole Costa, cabeceou à barra. Se as Navegadoras ainda acalentam o sonho de atingir os quartos de final no Euro, é por este golo salvador.