Euro feminino: Portugal-Itália, 1-1 (crónica)

7 jul 2025, 22:05

Sonho dos «quartos» ficou difícil, mas continua vivo

Portugal conseguiu retificar a imagem dada na jornada de estreia no Europeu feminino de futebol, salvou-se da derrota em cima do minuto 90, mas deixa o jogo com a Itália (1-1) numa situação frágil no que concerne às contas do apuramento para os quartos de final. Mas vivo. E se houve algo que este jogo mostrou foi que, para as portuguesas, enquanto houver vida, há esperança. Uma palavra tão querida no nosso dicionário.

Francisco Neto, o selecionador português, tinha prometido mexidas no onze, relativamente ao jogo com a Espanha, mas poucos esperariam a “revolução” por si operada, com um total de cinco trocas e, igualmente importante, um sistema tático mais arrojado, quiçá mais condizente com as qualidades - e o espírito - das Navegadoras.

É claro que poder contar com Kika Nazareth ajuda muito a encarar tudo com outra coragem. Recuperada de uma cirurgia ao tornozelo esquerdo, a craque do Barcelona voltou aos relvados quase quatro meses depois, saltando diretamente para a titularidade.

Portugal abordou o decisivo jogo com a Itália num 4-4-2 em losango, sólido no jogo interior, no qual Kika tinha liberdade para imaginar formas de causar problemas à defesa italiana. Só que, na prática, as Navegadoras demonstraram grandes dificuldades em encontrar o seu rumo durante a primeira parte.

Ao minuto 8, a capitã italiana, Cristiana Girelli, obrigou Patrícia Morais a uma intervenção vistosa. Aos 20m, a defesa-central Cecilia Salvai cabeceou à barra e, um quarto de hora depois, Severini viu um golo ser-lhe anulado por fora de jogo, na sequência de uma defesa incompleta da guarda-redes portuguesa.

Não que se assistisse a um domínio claro das italianas em termos territoriais, mas a Squadra Azzurra encontrava sempre melhores soluções para finalizar as suas jogadas, para além de que causava muitos problemas quando pressionava alto as saídas de bola das portuguesas.

RECORDE O FILME DO JOGO

Em cima do intervalo, Patrícia Morais voltou a negar o golo a Girelli, agora com uma defesa com os pés, plena de instinto. O mesmo que faltava a Portugal do outro lado do terreno, sendo que a primeira parte fechou com apenas um remate luso, que nem sequer levou a direção da baliza à guarda de Laura Giuliani. E isto apesar de a Seleção nacional ter terminado a primeira parte com mais posse de bola (53 por cento). Faltou-lhe, no entanto, saber o que fazer com ela.

O intervalo fez bem às portuguesas, que vieram do balneário com outra agressividade na disputa pela bola, o que causou um certo desconforto nas italianas em zonas mais adiantas do terreno.

Continuava, ainda assim, a faltar a Portugal mais clareza na abordagem ao último terço, ao contrário das italianas, que voltaram a ameaçar a baliza de Patrícia Morais ao minuto 60, num remate de fora da área, de Arianna Caruso.

O enredo do jogo ficou ilustrado numa obra de arte de Cristiana Girelli, que desbloqueou o nulo com um golaço, na resposta a (mais) um ataque prometedor mal definido pelas Navegadoras.

Aos 81 minutos, a esperança lusa renovou-se com o golo de Diana Silva, na sequência de uma bola parada, mas o lance foi invalidado por fora de jogo. Portugal nunca deixou de tentar. Foi à luta, deixou-se ir para onde o coração quis, e foi feliz. Depois de Carole Costa ter acertado na barra, a outra defesa-central, Diana Gomes, bateu Laura Giuliani.

Na resposta, Patrícia Morais voltou a brilhar na baliza portuguesa, negando o 2-1 a Valentina Bergamaschi. Portugal sabia que o empate era apenas um mal menor e quase conseguiu a reviravolta, que Giuliani travou com uma defesa apertada, na compensação. Ainda houve tempo para Ana Borges ser expulsa, num lance com Barbara Bonansea.

Este empate obriga Portugal a vencer a Bélgica, na última jornada, para poder sonhar com o apuramento para os quartos de final. Para além disso, é necessário que a Itália perca com a já apurada Espanha e, também, que a conjugação dos dois resultados permita anular a diferença de seis golos entre as duas seleções, com vantagem para as transalpinas.

FIGURA: Patrícia Morais (Portugal)

Exibição inspirada da guarda-redes de Portugal, que negou por três vezes o golo à Itália, sempre com intervenções de elevado grau de dificuldade. Foi uma das novidades de Francisco Neto no onze português e fez por merecer a aposta.

MOMENTO: Diana Gomes mantém o sonho vivo (89m)

Numa altura em que Portugal tentava o tudo por tudo para evitar a derrota, a defesa-central portuguesa fez o empate numa jogada em que a sua companheira de setor, Carole Costa, cabeceou à barra. Se as Navegadoras ainda acalentam o sonho de atingir os quartos de final no Euro, é por este golo salvador.

Relacionados