Atual diretor desportivo do emblema catalão aborda a reconstrução de um Barcelona ganhador
A reconstrução de um Barcelona vencedor, sem abdicar dos traços identitários que transformaram o clube numa referência à escala planetária, foi explicada por Deco, antigo jogador e atual diretor desportivo dos catalães, no congresso internacional da Associação Nacional de Dirigentes de Futebol, Futsal e Futebol de Praia, em Matosinhos.
Numa conversa com o jornalista Carlos Daniel, o dirigente considerou que «esta época é fruto do que o clube vem fazendo nos últimos anos», numa fase marcada por dificuldades financeiras e pela requalificação milionária do seu estádio, o Camp Nou, cujos custos deverão ultrapassar os mil milhões de euros.
Deco explicou que, esta época, o plano passava por tornar mais homogénea a faixa etária do plantel, «mantendo a base da equipa» e apostando num treinador «que ajudasse nessa gestão», com a escolha a ter recaído no alemão Hansi Flick.
Depois, foi importante resolver alguns «problemas internos», com o reforço do staff e da estrutura do clube como prioridades. «Sentimos que isso ia melhorar a equipa. Os clubes têm de ter estruturas fortes muito fortes, independentes da dos treinadores, para não ficarem dependentes deles», explicou.
Foi igualmente importante respeitar a matriz histórica do Barcelona: «Os adeptos gostam de futebol ofensivo. Querem ganhar, mas com uma equipa que jogue e crie ilusão».
«Nenhum clube vai ganhar todos os anos, precisa é de competir todos os anos», vincou ainda Deco, que vê na atual equipa do Barça «margem para (poder crescer) mais alguns anos».
Sobre reforços, salientou a importância de «não cair na tendência de se contratar sem necessidade», considerando importante que os clubes percebam «o que têm e o que precisam de ir buscar». «As equipas ganhadoras do Barcelona tinham jogadores que vieram para o clube com nome e outros que queriam ganhar coisas importantes. É o que está a acontecer agora», notou.