Foi na estrada I-10, no Louisiana, que a criança foi encontrada. Autoridades policiais suspeitam de abandono. Irmão de quatro anos tinha sido encontrado morto na véspera. Menino terá estado dois dias sozinho durante o furacão. Polícia chama-o "o nosso bebé milagre"
Um camionista encontrou um menino de um ano vivo numa vala ao largo de uma autoestrada interestadual no Louisiana, EUA, esta semana, um dia depois de o irmão de quatro anos ter sido encontrado morto perto da mesma autoestrada. Os investigadores pensam tratar-se de um caso de abandono, na altura em que as condições de tempestade tropical atingiram a área, segundo disseram as autoridades.
A mãe dos rapazes, residente no Louisiana, foi detida no Mississippi e enfrenta acusações de homicídio e outras, sendo ainda acusada de ter abandonado as crianças no Louisiana, informaram as autoridades esta quinta-feira.
Um xerife do Louisiana, que diz acreditar que a criança de um ano passou dois dias ao longo da Interstate 10, incluindo enquanto o furacão Beryl ou as suas iterações mais fracas fustigavam a região ocidental da Costa do Golfo com chuva e vento forte - está a elogiar o condutor do camião por ter visto a criança e ter parado para a ir buscar na terça-feira.
"Olhamos para esta criança de um ano como o nosso bebé milagre, (porque) ainda estava vivo", disse esta semana o xerife da Calcasieu, Stitch Guillory. "Este miúdo passou dois dias ao relento, na berma da estrada. ... Graças a Deus que o camionista (o) viu".
Uma investigação começou na tarde de segunda-feira, quando o corpo do menino de quatro anos foi encontrado a flutuar na água atrás de uma paragem de descanso na estrada I-10 na paróquia de Calcasieu, no oeste da Louisiana, do outro lado da fronteira com o estado do Texas, disse o gabinete do xerife. A causa da morte não foi anunciada de imediato.
Nesse dia, e segundo os meteorologistas da CNN, o Beryl atingiu o Texas como furacão e depois enfraqueceu, transformando-se em tempestade tropical e depressão tropical ao atingir o Louisiana, deixando cair a chuva e fazendo soprar rajadas de vento até 100 quilómetros/hora na paróquia.
Os detetives acabaram por descobrir que a criança de quatro anos tinha sido vista pela última vez no sábado com a mãe, Aaliyah Jack, de 25 anos, de Lake Charles, e o irmão de um ano, segundo o gabinete do xerife. A polícia de Meridian, Mississippi, encontrou então Jack sem a criança de um ano, tendo ela sido detida no local, inicialmente por suspeita de não comunicar o desaparecimento de uma criança, informaram as autoridades.
Na terça-feira de manhã, a criança de um ano apareceu - viva - ao longo da I-10 no Louisiana, disseram as autoridades.
"Aquilo parece um bebé"
O camionista Reginald Walton estava a conduzir na I-10 quando viu algo "à direita, no ... desnível", disse ele à KADN, afiliada da CNN, acrescentando que assumiu que era uma boneca que alguém tinha atirado para fora de um veículo.
"Mas, quando ia a passar, vi-a mexer-se e disse: 'Ei, aquilo parece um bebé'", disse Walton, do Texas, à KADN.
Walton estava a viajar a 90-120 km/h, e demorou cerca de meio quilómetro para parar o camião, disse ele. Ligou para o 112, parou o camião e voltou a correr, disse à KADN.
"Sim, estava um menino sentado no aterro. Quando me aproximei, ele sorriu-me e depois levantou-se, começou a chorar e veio na minha direção", disse Walton.
O menino de um ano foi encontrado perto do marco 10 - a cerca de 15 quilómetros da paragem de descanso onde o seu irmão tinha sido encontrado morto no dia anterior, disse o gabinete do xerife.
Os delegados identificaram o menino como sendo o filho de um ano de Jack. A criança foi levada para um hospital e mais tarde liberada para o Departamento Estadual de Crianças e Serviços Familiares, disse a porta-voz do Gabinete do Xerife da paróquia de Calcasieu, Kayla Vincent, à CNN.
Na quinta-feira, Jack - ainda sob custódia no Mississippi - foi acusada na Louisiana de homicídio em segundo grau, crueldade para com um jovem e duas acusações de não comunicação de uma criança desaparecida, disse o departamento do xerife.
Não se sabe se ela tem um advogado.
Embora Guillory tenha dito que acredita que a criança de um ano passou dois dias ao longo da estrada I-10 - o que teria incluído a segunda-feira, quando o Beryl varreu a área -, o gabinete do xerife não disse se os investigadores sabem exatamente quando os irmãos foram abandonados.
Walton, entretanto, disse à KADN que não se sentia um herói.
"Sinto apenas que foi a vontade de Deus que eu estivesse no sítio certo à hora certa", disse à KADN.
Avó: "Só quero o meu neto de volta"
Conswella Jack, a mãe de Aaliyah Jack e avó das crianças, disse à CNN que a última vez que viu as crianças foi no sábado, no funeral da mãe, após o qual a filha as levou. Conswella Jack disse que ela e a filha tinham um acordo segundo o qual a avó tomava conta dos dois rapazes, mas Aaliyah Jack podia vê-los sempre que quisesse.
Conswella Jack soube da morte do seu neto de quatro anos na terça-feira, depois de a avó paterna lhe ter telefonado a contar, disse ela. Pouco depois, um detetive telefonou-lhe para confirmar a morte. Ela não sabe o que levou à morte do menino ou como seu neto de um ano acabou na beira da estrada, disse à CNN.
"Não sei como é que uma coisa destas aconteceu. ... Sei que, neste momento, só quero o meu neto de volta", disse a avó.
Conswella estava a viver em Houston quando soube da notícia e, desde então, mudou-se para Lake Charles, contou. Tem telefonado diariamente para os serviços de proteção de menores para receber informações atualizadas sobre o seu neto sobrevivente, disse ela.
"Não sei o que pensar. Enterrei a minha mãe no sábado e agora fico a saber disto", disse Conswella Jack.
Ela descreveu o seu neto de quatro anos como "um miúdo fantástico".
"Lamento, bebé... que (tu) tenhas partido. Lamento imenso", disse ela.
A avó disse na quinta-feira que ainda não tinha falado com a sua filha para saber o que aconteceu e esperava reunir-e com o seu neto sobrevivente em breve.
Taylor Ward, da CNN, contribuiu para este artigo.