Cientistas descobrem dezenas de novas espécies no fundo do mar

27 jul, 14:15
Dia dos Oceanos (Foto: M. Okon/Unsplash)

Há muito acerca do fundo mar ainda por explorar. Uma prova disso é o estudo publicado na revista Zookeys, que concluiu que existe mais megafauna a milhares de metros de profundidade do que o esperado

Cientistas do Museu de História Natural do Reino Unido usaram pela primeira vez um veículo operado remotamente para estudar a biodiversidade da Zona de Fratura de Clipperton, no Oceano Pacífico, e encontraram dezenas de potenciais novas espécies, segundo o estudo recentemente publicado na revista Zookeys.

O resultado foi inesperado, concluindo-se que há uma maior diversidade de organismos maiores no fundo do mar do que o esperado: dos 55 exemplares recolhidos, 48 eram todos de espécies diferentes.

“Sabemos que os animais de tamanho milimétrico chamados macrofauna são extremamente biodiversos no abismo. No entanto, nunca tivemos muita informação sobre os animais maiores a que chamamos de megafauna, pois poucas amostras foram recolhidas. Este estudo é o primeiro a sugerir que a diversidade também pode ser muito alta nesses grupos”, afirmou Adrian Glover, que lidera o grupo de cientistas, citado pelo The Guardian.

Entre os 50 animais recolhidos estão vermes segmentados, invertebrados da mesma família das centopeias, animais marinhos da mesma família das medusas e vários tipos de corais. 36 espécies foram encontradas a mais de 4.800 metros de profundidade, duas estavam numa encosta de um monte submarino, a 4.125 metros, e 17 foram encontradas entre 3.095 e 3.562 metros de profundidade.

“Esta pesquisa é importante, não apenas devido ao número de novas espécies potencialmente descobertas, mas porque tais espécies de megafauna foram estudadas anteriormente apenas a partir de imagens do fundo do mar. Sem os exemplares e os dados de ADN que eles possuem, não podemos identificar adequadamente os animais e entender quantas espécies diferentes existem”, afirmou a principal autora do estudo, Guadalupe Bribiesca-Contreras.

A importância da descoberta

Para além de ser relevante para melhor compreender as dinâmicas existentes no fundo do mar, este estudo é importante para perceber as implicações da mineração em alto mar. 

Esta atividade, que consiste em procurar minerais no fundo do oceano, tem tido cada vez mais procura por ter potencial económico. No entanto, poderá afetar milhares de animais, muitos deles ainda não descobertos pelos humanos.

Entre as implicações que esta exploração mineral tem para os seres vivos, está o ruído e luz emitidos, num ambiente que está constantemente na escuridão. Para além disso, também são levantados sedimentos, que podem sufocar as espécies marítimas.

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