Equipado com um sistema de catapultas eletromagnéticas, o Fujian entrou ao serviço no início de novembro, tornando-se o terceiro porta-aviões operacional da China e o mais avançado da sua frota.
O mais recente e avançado porta-aviões da China atravessou o estreito de Taiwan, informou o ministério da Defesa Nacional taiwanês, na primeira passagem de um porta-aviões chinês por esta via estratégica desde abril.
“O porta-aviões Fujian (CV-18) do Partido Comunista Chinês (PCC) atravessou hoje [na terça-feira] o estreito de Taiwan. As Forças Armadas de Taiwan acompanharam de perto os seus movimentos, recorrendo a meios conjuntos de informação, vigilância e reconhecimento”, indicou o ministério em comunicado, acompanhado por uma fotografia do navio sem aeronaves no convés.
A travessia do Fujian não foi acompanhada por um aumento significativo da atividade militar chinesa em torno da ilha.
Segundo o ministério, 11 aeronaves e seis navios de guerra chineses operaram nas imediações de Taiwan entre as 06:00 de terça-feira (23:00 de segunda-feira em Lisboa) e as 06:00 de hoje (23:00 de terça-feira em Lisboa).
Equipado com um sistema de catapultas eletromagnéticas, o Fujian entrou ao serviço no início de novembro, tornando-se o terceiro porta-aviões operacional da China e o mais avançado da sua frota.
Projetado e construído integralmente na China, o Fujian, com mais de 80 mil toneladas, constitui um passo importante nos planos do Exército chinês para dispor de seis porta-aviões até 2035.
O navio já atravessou o estreito de Taiwan em meados de dezembro. O Liaoning, primeiro porta-aviões da China, foi o último a cruzar aquelas águas, em abril.
O reforço da Marinha chinesa tem suscitado preocupações entre os rivais de Pequim, sobretudo devido às disputas territoriais no mar do Sul da China, cuja soberania a China reivindica quase na totalidade, e em torno de Taiwan.
Em declarações ao Clube de Correspondentes Estrangeiros de Taiwan, o presidente do Conselho para os Assuntos Continentais, organismo responsável pelas relações com a China, Chiu Chui-cheng, afirmou na terça-feira que Taipé rejeita o “objetivo final” de Pequim de “unificar-se com Taiwan”.
“Embora Taiwan enfrente uma pressão combinada, crescente e sem precedentes, a nossa determinação em salvaguardar a soberania e o sistema democrático nunca foi tão firme”, declarou.
“Esta é a nossa linha vermelha. Neste ponto não há margem para concessões. Nunca cederemos perante as ameaças militares e a crescente pressão da China. Taiwan nunca se renderá”, acrescentou.
Taiwan alerta que tempo de resposta a ataque chinês está a diminuir
Taiwan precisa de garantir resposta imediata a um eventual ataque chinês, numa altura em que o tempo de aviso prévio está a diminuir, afirmou hoje o ministro da Defesa da ilha, Wellington Koo, durante uma intervenção no parlamento.
As Forças Armadas da ilha iniciaram na segunda-feira cinco dias de exercícios de prontidão imediata para combate, destinados a reforçar a capacidade operacional e testar a eficácia das operações conjuntas face à crescente pressão militar da China, que reivindica soberania sobre Taiwan.
As manobras, que decorrem até sexta-feira, integram o programa anual de treino das Forças Armadas taiwanesas e têm entre os objetivos “reforçar a rápida transição do estado de paz para o de guerra”, um cenário que as tropas da ilha ensaiam com cada vez maior frequência.
Em declarações citadas pelo jornal Liberty Times, Koo explicou que os exercícios visam “realizar rapidamente os preparativos para combate, de forma a responder a eventuais situações imprevistas”.
“Perante a atual ameaça do inimigo e numa situação em que o tempo de aviso prévio está a diminuir, é necessário confirmar que a força de defesa nacional é capaz de responder imediatamente, reagir de forma autónoma e completar em segurança a transição da paz para a guerra”, afirmou o ministro, um dia depois de o Fujian ter atravessado o estreito de Taiwan.
Sobre a travessia do navio, Koo afirmou que Taipé tem “controlo total dos movimentos” em torno do estreito e justificou a divulgação de imagens do Fujian com a necessidade de a população “conhecer claramente” as atividades do Exército chinês nas proximidades da ilha.
Em Pequim, a porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Governo chinês), Zhang Han, acusou hoje as autoridades do Partido Democrático Progressista (PDP), no poder em Taiwan, de manterem uma “posição separatista”, que considerou estar na origem da tensão e instabilidade no estreito.
“Estamos dispostos a explorar as perspetivas de uma ‘reunificação pacífica’ com a máxima sinceridade e o máximo esforço, mas em circunstância alguma nos comprometemos a renunciar ao uso da força, nem deixaremos qualquer espaço para qualquer forma de separatismo da ‘independência de Taiwan’”, afirmou a responsável.
Taiwan governa-se autonomamente desde 1949 sob a designação de República da China e dispõe de Forças Armadas próprias, bem como de um sistema político, económico e social distinto do da República Popular da China.
Pequim considera, contudo, a ilha uma “parte inalienável” do território chinês e intensificou nos últimos anos a campanha de pressão militar, diplomática e económica para concretizar a “reunificação nacional”, um dos objetivos centrais do Presidente chinês, Xi Jinping, no quadro do “rejuvenescimento da nação chinesa”.
