Eduardo Cabrita é candidato a diretor da Frontex

7 out, 10:55
Eduardo Cabrita

O antigo ministro da Administração Interna é um dos nomes apontados para liderar a agência que controla as fronteiras da União Europeia

Eduardo Cabrita é candidato a diretor da Frontex, a agência que controla as fronteiras da União Europeia. Menos de um ano depois de ter sido demitido do Governo, o ex-ministro da Administração Interna concorre agora ao cargo mais alto da segurança de fronteiras da Europa - num momento em que o continente vive a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial.

Eduardo Cabrita tomou posse como ministro da Administração Interna em 21 de outubro de 2017, substituindo Constança Urbano de Sousa, que se demitiu do cargo após os trágicos incêndios de 2017, e, em outubro de 2019, foi reconduzido depois das eleições legislativas.

Cabrita foi o ministro responsável pelo acolhimento de refugiados em Portugal e as metas nunca foram cumpridas. Sob a tutela de Cabrita houve inclusivamente refugiados detidos ilegalmente no Centro de Instalação Temporária do SEF no aeroporto, incluindo crianças, algo que viola todas as leis internacionais e que levantou até críticas da Provedora de Justiça. Era ministro quando o imigrante ucraniano Ihor Homeniuk morreu, em março de 2020, à guarda do SEF e o incidente motivou uma crise política, a que se seguiu uma reestruturação deste serviço. A gota de água acabou por ser o caso do atropelamento mortal de um trabalhador na A6. O ministro demitiu-se no início de dezembro do ano passado.

Agora, está na corrida ao cargo mais alto dentro da agência que controla as fronteiras da União Europeia. O procedimento passa pela inclusão de Eduardo Cabrita numa lista proposta pela Comissão Europeia à Frontex, só depois é escolhido o candidato ao cargo.

Certo é que nem um ano passou desde a demissão do ministro que somou quase tantas polémicas como a Frontex. Esta guarda de fronteira da UE foi acusada por várias investigações independentes de empurrar refugiados para trás, alguns terão acabado por morrer afogados. O próprio Parlamento Europeu conduziu uma investigação que concluiu que a Frontex não cumpriu os deveres a que estava obrigada. Em abril, o antigo diretor acabou por se demitir debaixo de várias críticas.

O processo de seleção começou em abril e, ao todo, houve 78 candidaturas internacionais apresentadas. Eduardo Cabrita apresentou a candidatura em julho após a publicação, a 21 de junho, no jornal oficial da União Europeia de uma vaga para o cargo de diretor executivo da Frontex. O concurso ainda está a decorrer e a decisão está a cargo da Comissão Europeia, que deverá ser tomada até ao final do ano.

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