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Irão está a "humilhar" os EUA e a Ucrânia vai ter de ceder: chanceler da Alemanha abre o jogo

27 abr, 13:42
Chanceler alemão, Friedrich Merz (AP)

Friedrich Merz dirigiu ainda palavras fortes aos EUA, levantando dúvidas quanto à estratégia da administração norte-americana em relação ao conflito no Irão, afirmando mesmo que "uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança iraniana"

O chanceler alemão, Friedrich Merz, sugeriu esta segunda-feira que a Ucrânia poderá ter de ceder algum território num eventual futuro acordo de paz com a Rússia, associando essas concessões às perspetivas de adesão do país à União Europeia (UE).

"Em algum momento, a Ucrânia terá de assinar um acordo de cessar-fogo; em algum momento, esperançosamente, um tratado de paz com a Rússia. Pode ser que nessa altura parte do território ucraniano deixe de ser ucraniano", admitiu Merz, durante uma visita a uma escola em Marsberg, citado pela Reuters.

"Se o presidente Zelensky quiser comunicar isto à sua população e obter uma maioria a favor, e se precisar de realizar um referendo sobre o assunto, então terá de, ao mesmo tempo, dizer ao povo: 'Abri o caminho para a Europa para vocês'", acrescentou Merz.

Até agora, o início do processo de adesão da Ucrânia à UE foi sempre bloqueado pelo ex-primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, mas a sua derrota nas eleições no início deste mês aumentou as esperanças de que a Ucrânia, que já possui o estatuto oficial de país candidato, possa avançar para a próxima etapa da adesão ao bloco comunitário.

Mesmo assim, o chanceler alemão alerta que o processo de adesão não será tão rápido quanto o desejado por Zelensky, que sugeriu o dia 1 de janeiro de 2027 como o dia em que a Ucrânia seria oficialmente parte da UE.

"Zelensky sugeriu aderir à UE a 1 de janeiro de 2027. Isso não vai dar. Mesmo o dia 1 de janeiro de 2028 não é realista", apontou Merz, citado pela agência de notícias.

Chanceler alemão diz que iranianos estão a "humilhar" os EUA

Sobre o conflito no Irão, o chanceler alemão deixou palavras fortes aos EUA, destacando a "habilidade" dos iranianos nas negociações para um cessar-fogo e levantando dúvidas quanto à estratégia da administração norte-americana.

"Os iranianos são claramente mais fortes do que se pensava e os americanos também não têm uma estratégia realmente convincente nas negociações", observou Merz durante a mesma visita em Marsberg, uma cidade na sua região natal, Sauerland.

"O problema com conflitos como este é sempre o mesmo: não basta entrar, é preciso sair. Vimos isso de forma muito dolorosa no Afeganistão durante 20 anos. Vimos isso no Iraque", lembrou, para a seguir traçar um paralelismo com o que assistimos hoje no Irão: 

"Neste momento, não vejo qual a saída estratégica que os norte-americanos vão escolher, especialmente porque os iranianos são obviamente muito hábeis a negociar - ou melhor, muito hábeis a não negociar, deixando os americanos viajar para Islamabad e depois partir sem qualquer resultado", apontou.

O chanceler alemão foi mais longe e disse mesmo que "uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança iraniana, particularmente pela chamada Guarda Revolucionária".

As declarações de Merz surgem no mesmo dia em que o Irão apresentou aos EUA uma nova proposta para reabrir o estreito de Ormuz e pôr fim à guerra, propondo adiar para mais tarde as negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo o site de notícias Axios, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, apresentou em Islamabad, no Paquistão - país que está a mediar as conversações - um plano para contornar a questão nuclear, propondo que o cessar-fogo se prolongue ou que ambas as partes acordem o fim definitivo da guerra, deixando as negociações nucleares para mais tarde, após a reabertura do estreito e o levantamento do bloqueio.

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