Bundesbank alerta que os empréstimos adicionais do governo "estão a ser utilizados em grande medida para criar outra margem de manobra fiscal" e que a dívida vai subir
O chanceler alemão, Friedrich Merz, está a ser acusado de utilizar os empréstimos no âmbito do PRR destinados a defesa e infraestruturas para despesas relacionadas com apoios sociais e corte de impostos.
O alerta partiu do Banco da Alemanha, o Bundesbank, e de dois think tanks especializados em economia, avança o Financial Times.
Após chegar ao governo, Merz e o SPD estabeleceram um acordo que permitia a flexibilização de novos empréstimos para as áreas da defesa e das infraestruturas, abrindo a porta ao investimento de um bilião de euros nestes setores. O travão à dívida, que limita os novos empréstimos a 0,35% do PIB, continua em vigor para os restantes setores.
O Bundesbank vem alertar agora que os empréstimos adicionais do governo “estão a ser utilizados em grande medida para criar outra margem de manobra fiscal” e que a dívida vai subir "sem um aumento equivalente nas capacidades e infraestruturas de defesa".
O think tank IW estima que a Alemanha está a planear contrair mais 271 mil milhões de euros em empréstimos até 2029 face aos planos anteriores. No entanto, apenas 164 mil milhões de euros serão dirigidos para a defesa e infraestruturas. Os restantes 107 mil milhões estão destacados para despesas como pensões e cortes de impostos, que deveriam continuar abrangidas pelo travão à dívida.
O think tank Ifo também avisou em setembro que “os principais projetos de investimento do orçamento central estão a ser cortados e a ser transferidos para fundos especiais”, notando que os gastos em defesa e programas sociais estão a aumentar consideravelmente.
O Bundesbank estima que o défice orçamental da Alemanha suba para 3,5% em 2026 e 4% nos anos subsequentes, em comparação com os 2% deste ano.