Frederico Pinheiro arrisca uma acusação por falso testemunho, uma vez que, quando foi ouvido na Comissão de Inquérito à TAP, garantiu aos deputados que não guardava qualquer documento classificado
Frederico pinheiro, ex-adjunto do então ministro João Galamba, à data do incidente no Ministério das Infraestruturas, em abril do ano passado, não só terá copiado documentos classificados em segredo de Estado como os terá conservado em casa até ao início desta semana – quando foi alvo de buscas da Polícia Judiciária, apurou a CNN Portugal. Tinha tudo guardado em discos externos. Este facto coloca-o sob suspeita de um novo crime, por ter alegadamente mentido à Assembleia da República.
Em causa, os planos de reestruturação da TAP e de localização e construção do novo aeroporto, que constavam em ficheiros do computador de serviço que Frederico Pinheiro terá levado à força do Ministério depois de ter entrado em conflito com o ministro, que o despediu, e em confronto físico com funcionárias que tentaram evitar a subtração do computador.
Mais tarde, terá copiado todo o conteúdo do computador, conforme verificaram perícias técnicas da Polícia Judiciária, e agora as buscas à casa do suspeito revelam que durante mais de um ano Frederico Pinheiro guardou ali, em discos externos, quer os planos do Governo sobre a TAP quer sobre o novo aeroporto. Acabou tudo apreendido.
Assim, a juntar ao crime de acesso ilegítimo a documentos classificados, Pinheiro arrisca uma acusação por falso testemunho perante o Parlamento, uma vez que, quando foi ouvido na Comissão de Inquérito à TAP, garantiu aos deputados que não guardava qualquer documento classificado.
A CNN contactou Frederico Pinheiro por escrito para obter um esclarecimento, que chegou já depois da publicação desta notícia. "Continuam a ser publicadas informações falsas a meu respeito. Por estar comprometido ao cumprimento do segredo de justiça - como deveriam estar todas as partes envolvidas - não efetuarei mais nenhum comentário", disse apenas.