Frederico Pinheiro foi entretanto constituído arguido na sequência das buscas de que foi alvo nesta terça-feira
Quando prestou declarações na comissão parlamentar de inquérito à TAP, em maio do ano passado, Frederico Pinheiro protagonizou um momento insólito ao entregar voluntariamente aos deputados, e sem que ninguém lho tivesse pedido, o telemóvel de serviço. Foi logo selado e entregue à PJ nessa noite, mas a perícia da investigação ao aparelho revelou que se tratara, afinal, de uma encenação: o ex-adjunto de João Galamba, então ministro das Infraestruturas, apagou tudo o que tinha no telemóvel antes de o entregar, apuraram a TVI e a CNN Portugal.
Frederico Pinheiro pretendia, com aquele momento, revelar que os serviços do Estado foram demasiado diligentes para apreender o computador de serviço do ex-funcionário das Infraestruturas, enviando agentes do SIS para proteger documentos em segredo de Estado - mas nunca se preocuparam em apreender o telemóvel de serviço, que pode guardar os mesmos documentos.
Entregou então o telemóvel para demonstrar que nada tinha a esconder, mas sem contar aos deputados que antes de ir ao Parlamento tinha apagado todo o conteúdo do aparelho.
Contactado pela CNN, Frederico Pinheiro diz que as notícias que o visam, na sequência das buscas de que foi alvo, "têm dados incorretos e falsos". Não quer, no entanto, esclarecer os factos que lhe são imputados pelo Ministério Público, por ser "um cidadão que cumpre a lei e o segredo de justiça", logo não irá fazer "qualquer comentário".