Buscas a ex-adjunto de Galamba: perícias apanham cópia a documentos secretos sobre novo aeroporto 

16 jul 2024, 19:57

Frederico Pinheiro foi entretanto constituído arguido na sequência das buscas de que foi alvo nesta terça-feira

Frederico Pinheiro, que era adjunto do então ministro João Galamba até à véspera do incidente no Ministério das Infraestruturas, em abril do ano passado, de onde levou, à força, um computador de serviço, foi esta terça-feira alvo de buscas da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ e do DIAP de Lisboa, apuraram a TVI e a CNN Portugal. Em causa, vários crimes -  entre eles acesso ilegítimo a documentos classificados. As perícias da PJ concluíram que Pinheiro fez uma cópia aos planos de recuperação da TAP e de localização do novo aeroporto, entre outros, antes de devolver o computador ao Estado através de agentes do SIS.

O ex-funcionário admitiu na comissão parlamentar de inquérito à TAP ter copiado informação que estava no seu computador portátil de trabalho - como notas, para sua defesa, e documentos pessoais -, mas nunca revelou ter feito uma cópia completa do aparelho, que continha uma série de documentos em segredo de Estado, algo que os peritos da PJ detetaram durante a investigação.

As buscas a Frederico Pinheiro foram domiciliárias e os inspetores procuraram em casa do suspeito um rasto digital ou de suporte físico dos documentos classificados, que contém segredos de interesses do Estado em áreas essenciais. 

Frederico Pinheiro incorre ainda noutros crimes, no âmbito da mesma investigação dirigida pelo DIAP, pela forma violenta como conseguiu sair do Ministério com o computador, em confrontação física com outros funcionários, nomeadamente a chefe de gabinete do ministro. Por esses atos pode ser acusado pelo crime de violência depois da subtração, punível com pena de prisão de 1 a 8 anos.

Contactado pela CNN, Frederico Pinheiro diz que as notícias que o visam, na sequência das buscas de que foi alvo, "têm dados incorretos e falsos". Não quer, no entanto, esclarecer os factos que lhe são imputados pelo Ministério Público, por ser "um cidadão que cumpre a lei e o segredo de justiça", logo não irá fazer "qualquer comentário".

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