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A Mensagem de Rui Santos para Farioli: "Parabéns, por tudo aquilo que já fez no FC Porto e no futebol português!"

5 jan, 14:27

O comentador da CNN faz o balanço da intervenção do treinador portista ao cabo da primeira volta e conclui: "Só um cego é que não vê que a mentalidade competitiva do FC Porto, agora repotenciada, é única em Portugal"

Caro Francesco Farioli,

Primeiro dia do ano, dirigindo-se em português aos quase 27 000 adeptos que se dirigiram ao Dragão para assistir ao treino aberto que antecedeu o jogo nos Açores:

“Venho agradecer o vosso amor e apoio incondicional. Seguimos juntos, com força, coragem e paixão. Viva o FCP! Obrigado!”

Cerca de 7 meses depois de chegar ao Porto para ajudar a operar uma revolução no clube do Dragão, promovida pelo presidente e pelas pessoas de confiança que apoiam o presidente André Villas-Boas, o Francesco preparou o seu “improviso” em português e ajudou a consolidar a simpatia que os adeptos construíram em seu redor.

Ainda nada está ganho, mas a verdade é que, no seguimento do investimento feito pelo FC Porto para mudar aquilo que Martín Anselmi e Vítor Bruno não tiveram — um plantel forte e equilibrado — você, Francesco Farioli, encorporou na perfeição e em síntese o verdadeiro “espírito do Dragão”.

O presidente não podia dar nem a Vítor Bruno nem a Martín Anselmi aquilo que lhe deu a si, por causa da situação financeira que encontrou (cofres vazios), e precisou de fazer algumas operações financeiras, entre as quais as vendas de Galeno e Nico Gonzalez num total acima dos 100M€, ainda no tempo de Anselmi, mas a forma rápida como se adaptou ao tal espírito da “famiglia ou família portista” foi um facto meritório e indiscutível.

A energia, a potenciação do discurso (mesmo com aquele toque de mentalidade vintage que permanece e está a ser repotenciado no Dragão depois de uma época muito difícil) e sobretudo a forma como colocou a equipa a jogar, muito diferente em termos de exigência física daquilo que é a realidade no Sporting e Benfica (mais intensidade, mais pressão alta, mais foco nos duelos e na recuperação de bola) colocam-no no topo dos destaques desta primeira volta, com 27 jogos, 23 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, estas na Taça da Liga (eliminado pelo Vitória) e no jogo da Liga Europa, em Nottingham.

Caro Francesco Farioli,

É evidente que as alterações produzidas no plantel foram cruciais. Não se fazem omeletas sem ovos E AVB deu-lhe o essencial. O FC Porto realizou o Mundial de Clubes, ainda com Anselmi, com jogadores como Marcano, Otávio (o central), Nehuen Perez (contraiu uma lesão grave e não é previsível que volte a jogar esta época), Zé Pedro, Fábio Vieira, Vasco Sousa, André Franco, Namaso e Gonçalo Borges, para além de outros atletas que permaneceram no Dragão, e adquiriu jogadores como Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Froholdt, Pablo Rosário, Gabri Veiga, Borja Sainz e Luuk de Jong (também lesionado), para além de Alarcon e Karamoh e sem deixar de relembrar que William Gomes, agora mais entrosado, já havia jogado no Mundial de Clubes, nos Estados Unidos.

A diferença de rendimento foi abissal, até no que diz respeito a jogadores cujo comportamento baixou bastante antes da chegada de Farioli, como foi o caso mais evidente de Pepê.

E isso, caro Francesco Farioli, é mérito seu e deve ser amplamente reconhecido, sem sofismas e, sinceramente, não sei onde André Boas foi buscar a ideia de, em cima da união que está a tentar optimizar haver uma dinâmica de ataques diários da comunicação social ao FC Porto. Talvez seja apenas e afinal a estafada réplica estratégica de manter o grupo unido através do relho dispositivo da escolha do inimigo externo do costume.

Caro Francesco Farioli,

O ambiente no primeiro treino aberto do ano foi magnífico, a sua equipa está a jogar um futebol que aprecio e, como disse e muito bem, não há campeões em Dezembro ou em Janeiro. E sabe, por experiência própria, que no futebol o que conta é como acaba e não como começa, apesar dos indicadores amplamente favoráveis.

Estará muito viva na sua memória e deve ser um trauma a última experiência no Ajax: chegou a ter 7 pontos de vantagem a 5 jornadas do fim e perdeu 10 pontos em 12 possíveis, deixando fugir o título para o PSV, que ganhou a Liga neerlandesa com 1 ponto de avanço.

Os sinais que o FC Porto está a dar (contratação de Thiago Silva para ajudar a resolver qualquer défice na zona central da defesa, apesar do recurso que Pablo Rosário constitui para ser solução em qualquer lugar na equipa e outros ajustamentos que estão a ser preparados) vão no sentido de não consentir qualquer quebra.

Os rivais, nomeadamente através de José Mourinho e Rui Borges, já verbalizaram os méritos do seu FC Porto. Só um cego não vê: a equipa do FC Porto tem sido, em Portugal, a única equipa em que, jogando melhor ou pior, a atitude competitiva é sempre a mesma. E isso é uma grande vantagem, quiçá decisiva quando se dizerem as últimas contas.

Parabéns, Francesco, por aquilo que já realizou em Portugal até agora.

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