Sarkozy condenado a cinco anos de prisão efetiva por conspiração com Khadafi

António Guimarães , Notícia atualizada a 12:08
25 set 2025, 09:50
Nicolas Sarkozy em tribunal (Thibault Camus/AP)

Procuradores entendem que o antigo presidente montou um esquema com o ditador líbio para financiar a sua campanha presidencial em troca de favores

O antigo presidente de França Nicolas Sarkozy foi considerado culpado de conspiração criminal entre os anos de 2005 e 2007, mas foi ilibado dos crimes de financiamento ilegal de campanha e de corrupção passiva.

O tribunal criminal de Paris considerou que o antigo presidente teve culpa no caso relacionado com a transferência de milhões de euros a partir da Líbia, país a partir do qual o então líder Muammar Khadafi terá financiado a campanha presidencial do francês.

Depois de ler a decisão, a juíza Nathalie Gavarino anunciou que o antigo presidente francês foi condenado a cinco anos de prisão efetiva. Nicolas Sarkozy terá agora de aguardar um período até um mês para saber quando é que terá de se apresentar na prisão, sendo que a decisão do tribunal regulamentou que a pena de prisão deve começar a ser cumprida mesmo em caso de recurso.

Os procuradores alegaram que Nicolas Sarkozy, que nega todas as acusações, fez um acordo com Muammar Khadafi em 2005, quando era ministro do Interior de França, para conseguir financiamento para a sua campanha presidencial.

Em troca, Nicolas Sarkozy terá prometido apoio internacional ao líder da Líbia, já então isolado a nível político.

Segundo os procuradores, Nicolas Sarkozy e os seus assessores desenharam um “pacto de corrupção” com Muammar Khadafi, tendo a vitória final nas presidenciais de 2007 como objetivo.

Em retorno pelo apoio financeiro, de acordo com o tribunal, o francês prometeu ao líder líbio favores diplomáticos, legais e financeiros, numa lógica de reabilitação da imagem internacional de Muammar Khadafi, que acabaria por morrer assassinado pela rebelião, depois de 41 anos no poder.

Membros da equipa de Nicolas Sarkozy foram acusados de encontros com homólogos líbios logo em 2005. Depois, já como presidente de França, o homem que ainda aguarda sentença convidou Muammar Khadafi para uma longa visita de Estado a Paris, montando até tendas beduínas no Palácio do Eliseu.

Essa marcou a primeira visita de Estado de Muammar Khadafi ao Ocidente desde a quebra de relações ocorrida ainda na década de 1980, já que a Europa via o líder líbio como um ditador patrocinador do terrorismo.

Mais tarde, Nicolas Sarkozy acabaria por levar França a liderar uma frente da NATO que ajudou os rebeldes a derrubar o regime de Muammar Khadafi, que acabou capturado em outubro de 2011.

O tribunal irá ainda detalhar a sua decisão e não sentenciou de imediato Sarkozy, que chegou pouco antes do início da audiência, acompanhado da mulher, Carla Bruni-Sarkozy, e dos seus três filhos.

O antigo chefe de Estado, de 70 anos, pode recorrer da sentença de culpa, o que suspenderia qualquer sentença pendente.

A morte, na terça-feira no Líbano, de um dos arguidos e figura-chave do processo, o intermediário franco-libanês Ziad Takieddine, não alterou o calendário do julgamento.

Em 27 de março, a Procuradoria Nacional Financeira pediu sete anos de prisão e uma multa de 300.000 euros para Nicolas Sarkozy pelo alegado “pacto de corrupção” assinado com o antigo ditador líbio Muammar Kadhafi, morto em 2011.

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