Mentor do assalto ao Louvre ficou desapontado. Ladrões poderiam ter levado "muito mais"

13 jul, 12:24
Assalto ao Louvre (Thibault Camus/AP)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

O jornal francês Le Monde teve acesso às transcrições dos interrogatórios feitos pelas autoridades francesas à dupla identificada como Abdoulaye e Ghelamallah, os dois assaltantes que roubaram um dos museus mais vigiados do mundo

Há quase um ano, em outubro de 2025, dois ladrões entraram no Louvre, em Paris, – um dos museus mais vigiados do mundo – e conseguiram fugir com um total de 88 milhões de euros em joias da coroa. No entanto, de acordo com as transcrições dos interrogatórios feito pelas autoridades francesas, o mentor do assalto ficou desapontado, porque a dupla “poderia ter levado mais”.

O jornal francês Le Monde teve acesso às transcrições das declarações em que os suspeitos, identificados como Abdoulaye N. e Ghelamallah A., admitem ter invadido a galeria Apollo do Louvre a mando de um cliente, que recusam identificar por medo de represálias contra as famílias.

A dupla conseguiu fugir do Louvre com oito peças das joias da coroa francesa, incluindo tiaras, um broche, colares e brincos. Contudo, durante a fuga, os dois homens deixaram cair a coroa cravejada de pedras preciosas, usada no século XIX pela imperatriz Eugénia, mulher de Napoleão III.

De acordo com as transcrições, Abdoulaye admite, enquanto lhe era mostrada uma fotografia da coroa altamente danificada: “Sim, fui eu, caiu da minha bolsa”. “O que fizemos não foi certo, é muito grave”, acrescenta.

O suspeito assegura que o remanescente do roubo foi entregue ao cliente, que “não ficou nada satisfeito” com o resultado. “Achou que poderíamos ter levado mais”, conta Abdoulaye.

Os testemunhos dos dois suspeitos são coincidentes. Ambos contam que foram contratados dois ou três dias antes do assalto e que lhes foi mostrado um vídeo gravado no interior da galeria, em que se podia ver as vitrinas e as joias napoleónicas expostas.

A missão era clara, afirma Abdoulaye: “Partir os vidros e roubar as joias que estavam no interior das vitrinas.”

Abdoulaye diz que estava numa “desesperante situação financeira” e que lhe prometeram entre 15 e 20 mil euros pelo roubo. “Ou talvez mais até, dependendo do dinheiro que rendesse.”

Já o cliente e suposto autor moral, de acordo com os dois suspeitos, tinha uma motivação meramente financeira e apenas queria revender as joias roubadas ao famoso museu francês.

“Eu sabia que ia assaltar o Louvre”, confessa Abdoulaye aos investigadores. Ghelamallah nega que soubesse qual era o alvo do roubo. Foi inicialmente apresentado como “uma joalharia que fabrica joias em Paris” e não o museu mais visitado do mundo, explica Ghelamallah.

"Eu jamais teria posto os pés lá se soubesse", diz, acrescentando que tinha concordado com um pagamento de 20 ou 25 mil euros.

Após conseguir ter acesso à varanda do primeiro andar com um elevador para móveis, a dupla arrombou a janela da galeria Apollo, entrou no Louvre e começou a cortar as janelas das duas vitrinas. ´

“Quando entrámos, não havia ninguém, estava escuro, apenas as luzes das vitrinas estavam acesas”, recorda Abdoulaye N, citado no relatório. “Ao longe, pude ver um segurança a movimentar-se, atrás de uma porta ou algo assim.”

Abdoulaye diz que estavam numa corrida contra o tempo. “Tivemos de levar o máximo de joias possível. Se demorássemos mais de três minutos, sabíamos que teríamos de ir embora ou seríamos apanhados. Para mim, o que fizemos foi demorar de mais.”

Tanto Abdoulaye quanto Ghelamallah garantem que desconhecem o paradeiro atual das joias, mas recusaram fornecer qualquer detalhe sobre a identidade do cliente ou de quaisquer cúmplices, por medo de represálias.

“Eles não são santos nenhuns”, refere Ghelamallah. Abdoulaye é igualmente cauteloso: “Não fui ameaçado, mas recebi ligações de fora [enquanto estava detido]. Mandaram-me ficar quieto.”

O jornal Le Monde adianta ainda que os investigadores não confirmaram nem desmentiram se os suspeitos estavam efetivamente a agir sob as ordens de um autor moral.

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Europa

Mais Europa