Como a morte de Lola, uma menina de 12 anos, está a ser usada como arma política da extrema-direita francesa

24 out, 11:57

O funeral de Lola decorre esta segunda-feira, em Lillers, no norte da França

Os líderes dos partidos de extrema-direita em França estão a ser acusados de instrumentalizar a morte de Lola, uma menina de 12 anos cujo corpo foi encontrado dentro de um baú, em Paris, como arma política. Os pais da menina já pediram aos líderes para que não utilizem a morte da filha para fins políticos e honrem a sua memória "com paz, respeito e dignidade".

Dois dias depois de ter encontrado o corpo da criança, a polícia conseguiu deter a principal suspeita, identificada na imprensa francesa como Dahbia B., uma mulher de 24 anos e de nacionalidade argelina, que vivia em França desde 2016, ano em que chegou ao país com um visto de estudante, que entretanto caducou. Em agosto deste ano, Dahbia B. recebeu uma notificação das autoridades a avisar que tinha 30 dias para abandonar o território.

Quando estes detalhes vieram a público, a extrema-direita francesa não demorou a reagir, acusando o governo de não cumprir as leis da imigração. No entender dos partidos da extrema-direita, se as ordens de deportação tivessem sido aplicadas, Lola ainda estaria viva. 

No dia 20 de outubro, centenas de pessoas concentraram-se na praça Denfert-Rochereau, em Paris, para prestar homenagem à criança. A iniciativa foi convocada por uma organização chamada Institute for Justice, uma associação que alegadamente tem ligações próximas com o partido de extrema-direita Reconquista!, de Éric Zemmour, que falhou a eleição presidencial de 2022. 

Na vigília, centenas de pessoas empunhavam cartazes com dizeres como "o Estado matou-me" e "Lola poderia ter sido a nossa pequena irmã", juntamente com fotografias da menina.

Zemmour participou na homenagem, ao lado de Marion Maréchal Le Pen, vice-presidente do Reconquista! e sobrinha de Marine Le Pen, que esteve ausente. Depois da concentração, Zemmour falou com os jornalistas, onde utilizou o termo "francocídio" para designar "o crime cometido por um estrangeiro contra um francês".

Por sua vez, Marine Le Pen levou o caso à Assembleia Nacional, onde criticou a política de imigração do governo, que classificou como "frouxa". "A suspeita deste ato bárbaro não deveria estar no nosso país. O que a impede de finalmente acabar com esta imigração clandestina e descontrolada?", questionou, dirigindo-se à primeira-ministra francesa, Élisabeth Borne.

Na resposta, Borne pediu que a líder da União Nacional tivesse “um pouco de decência” e respeitasse “a dor da família”.

Esta semana, Macron recebeu os pais de Lola no Palácio de Eliseu. No final da reunião, o casal pediu aos políticos para que parem de explorar a morte da filha para fins políticos e "honrem a memória" da sua filha "com paz, respeito e dignidade".

O funeral de Lola decorre esta segunda-feira, em Lillers, no norte da França.

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