Em França, mais de 20.000 piscinas foram detetadas (e tributadas) em meses. A culpa é da IA

30 ago, 22:54
Piscina

Desde outubro, as finanças francesas arrecadaram mais de 10 milhões de euros em impostos e esperam somar mais 40 nos próximos meses

França, à semelhança de outros países, está a atravessar uma seca histórica. Para muitos, as piscinas são uma refrescante solução ao calor - os dados mais recentes estimam, aliás, que existam 3,2 milhões de piscinas em todo o território francês. Mas, com o aumento do número de piscinas, surge também uma mais rigorosa fiscalização por parte das autoridades... e da inteligência artificial. 

As piscinas são sujeitas a tributação por acrescentarem valor à propriedade em que se inserem, pelo que aquelas que não são declaradas representam uma fuga aos impostos - que é agora combatida através de um sistema de inteligência artificial desenvolvido pelas multinacionais Google e Capgemini. A partir de imagens aéreas, a inteligência artificial consegue detetar aquilo que interpreta como o delineamento de piscinas em propriedades privadas e compará-lo, depois, com a base de dados original. Uma vez "denunciados" pela inteligência artificial, os proprietários têm 90 dias para regularizar a situação. 

Desde a primeira utilização deste sistema, em outubro do ano passado, já foram descobertas cerca de 20.356 piscinas não declaradas. As autoridades fiscais anunciaram ter recuperado cerca de 10 milhões de euros em impostos, referentes a nove regiões francesas, mas esperam conseguir arrecadar mais 40 milhões para os cofres do Estado até 2023. 

O próximo passo é "generalizar" o sistema por todo o território francês, embora a inteligência artificial nem sempre seja infalível. Em alguns casos, painéis solares foram lidos como piscinas; noutros, foi impossível reconhecer qualquer estrutura coberta por árvores. Ainda assim, Antoine Magnant, o diretor-geral adjunto das Finanças Públicas, elogia o sistema e expressa a intenção de aplicá-lo noutras extensões não declaradas, como varandas e pérgulas. 

"Mas temos de nos certificar que o software consegue encontrar edifícios com uma grande pegada, não a casota do cão ou a casa de brincar das crianças", advertiu. 

Piscinas polémicas noutra questão - a seca 

Na devastadora situação de seca que assola a França, as piscinas privadas já tinham sido alvo de controvérsia por outros motivos.

Várias associações ambientalistas insurgiram-se contra a utilização de água para fins lúdicos num momento em que água potável escasseia em muitas aldeias francesas, dependentes da entrega de água oriunda de outros pontos do país. Grupos de agricultores alertaram, ainda, que a escassez de alimentos provocada pela seca será particularmente dramática no inverno que se avizinha.

O secretário nacional do partido Europa Ecologia - Os Verdes, Julien Bayou, causou controvérsia ao comentar que não se oporia à proibição de piscinas privadas, no caso de os períodos de seca se tornarem piores e mais frequentes. Mais tarde, na rede social Twitter, esclareceu: "O desafio não é banir piscinas, é garantir as nossas necessidades básicas de água." 

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