Macron pede às "forças republicanas" para que formem maioria "sólida" e só depois nomeia novo primeiro-ministro

Beatriz Céu , DCT, atualizado às 16:22
10 jul, 15:54
Emmanuel Macron (AP)

Mesmo não apontando partidos em concreto, o jornal Le Figaro entende que estes critérios apresentados pelo presidente francês excluem o Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen e de Jordan Bardella, e o França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta quarta-feira que vai pedir às várias forças políticas que compõem o bloco republicano para que formem uma maioria "sólida" no parlamento.

Numa carta aos franceses, que o Le Figaro revela e que surge apenas três dias depois do surpreendente resultado das eleições legislativas antecipadas, Macron admite que estas eleições ficaram “marcadas por uma clara exigência de mudança e partilha de poder”, mas assinala que só depois desse processo é que vai nomear um novo primeiro-ministro.

“Nenhuma força política obtém por si só uma maioria suficiente e os blocos ou coligações que emergem destas eleições são todos minoria”, começa por dizer o presidente francês, acrescentando que “só as forças republicanas representam a maioria absoluta”.

Como escreve o Le Figaro, Emmanuel Macron dirige-se a “todas as forças políticas que se reconhecem nas instituições republicanas, no Estado de direito, no parlamentarismo, numa orientação europeia e na defesa da independência francesa”. Mesmo não apontando partidos em concreto, o jornal entende que estes critérios apresentados pelo presidente francês excluem o Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen e de Jordan Bardella, e o França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon, que, segundo Emmanuel Macron, correspondem ao que chamou por várias ocasiões de “arco republicano”. 

“O que os franceses escolheram nas urnas – a frente republicana – as forças políticas devem torná-lo realidade através das suas ações”, vincou. 

Na segunda-feira, no dia seguinte à segunda volta das eleições francesas, Emmanuel Macron pediu a Gabriel Attal para continuar a ser primeiro-ministro "por enquanto" de modo a "assegurar a estabilidade do país". E na missiva aos franceses, Macron voltou a dizer o mesmo: “O atual governo continuará a exercer as suas responsabilidades e a cuidar da atualidade como manda a tradição republicana.”

No domingo à noite, depois de serem conhecidos os resultados, o primeiro-ministro colocou o seu lugar à disposição.

 

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