Após carta de Macron, Mélenchon pede ao presidente francês que forme governo e consulte esquerda

Agência Lusa , DCT
10 jul, 18:12
Jean-Luc Mélenchon (Associated Press)

Para Mélenchon, a coligação de esquerda Nova Frente Popular também deveria ter uma palavra a dizer na nomeação do novo comissário europeu francês, um cargo para o qual Macron quer voltar a nomear o atual comissário para o mercado interno, Thierry Breton

O líder da França Insubmissa (LFI, esquerda radical), Jean-Luc Mélenchon, pediu esta quarta-feira ao Presidente francês que inicie o processo de formação de um governo e consulte a sua coligação sobre questões relativas à França na NATO.

"Somos influenciados pelo facto de o homem que dissolveu a Assembleia Nacional não estar a chamar ninguém para formar um governo. É quarta-feira, há três dias que conhecemos o resultado das eleições", afirmou Mélenchon a partir de Bruxelas, depois de participar na reunião do grupo de Esquerda europeu.

Segundo Mélenchon, "não há nenhum sinal de que haja qualquer intenção de dar início a uma resposta à situação".

Nas eleições legislativas, a coligação de esquerda Nova Frente Popular obteve 182 lugares, ficando à frente da aliança centrista de Macron, com 168, e da União Nacional (RN, em francês) partido de extrema-direita, com 143 lugares.

O resultado das eleições, adiantou, deveria "pelo menos ter inclinado" Emmanuel Macron "a consultar um pouco" sobre o que dizer na Cimeira da NATO em Washington, onde o Presidente francês se encontra.

Para Mélenchon, a coligação de esquerda Nova Frente Popular também deveria ter uma palavra a dizer na nomeação do novo comissário europeu francês, um cargo para o qual Macron quer voltar a nomear o atual comissário para o mercado interno, Thierry Breton.

Paralelamente, o líder da esquerda francesa salientou que o bloco político que ganhou as eleições - e mais especificamente a LFI, com mais assentos dentro da coligação - deve ter a capacidade de nomear um primeiro-ministro, embora ao mesmo tempo reconheça que "é melhor que haja acordo sobre o nome" e "é isso que todos estão a tentar fazer".

Até ao momento, nem Emmanuel Macron nem a Nova Frente Popular, que venceu as eleições legislativas de domingo frente ao partido presidencial e à extrema-direita, fizeram qualquer progresso na nomeação consensual de um candidato para o cargo de primeiro-ministro.

Apesar dos partidos da Nova Frente Popular terem dado a si próprios um prazo até ao final desta semana para chegarem a acordo sobre um nome, os nomes que emergem aumentam a incerteza num país que ameaça cair na paralisia institucional se não conseguir um governo estável.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, quebrou esta quarta-feira o silêncio que mantinha desde as eleições legislativas, declarando que as "forças republicanas" devem empenhar-se em construir "uma maioria sólida", para conseguir um primeiro-ministro suficientemente consensual para não ser derrubado de um momento para o outro numa moção na Assembleia Nacional francesa.

"Peço a todas as forças políticas que se identificam com as instituições republicanas, o Estado de direito, o parlamentarismo, a orientação europeia e a defesa da independência francesa que dialoguem de forma sincera e leal para construir uma maioria sólida, necessariamente plural, para o país", escreveu o chefe de Estado francês, numa carta aos franceses publicada na imprensa regional.

Como escreve o Le Figaro, Emmanuel Macron dirige-se a “todas as forças políticas que se reconhecem nas instituições republicanas, no Estado de direito, no parlamentarismo, numa orientação europeia e na defesa da independência francesa”. Mesmo não apontando partidos em concreto, o jornal entende que estes critérios apresentados pelo presidente francês excluem o Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen e de Jordan Bardella, e o França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon, que, segundo Emmanuel Macron, correspondem ao que chamou por várias ocasiões de “arco republicano”. 

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