Calor extremo em França obriga a cortar em festas e no álcool

21 jun, 19:01
Beber álcool (Getty Images)
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Mais de 50 milhões de pessoas estão abrangidas por alertas de calor, numa vaga que pode levar as temperaturas aos 42 graus. Em várias cidades francesas, as autoridades fecharam escolas, cancelaram concertos e impuseram restrições ao consumo de álcool em espaços públicos

Em várias cidades francesas, a Fête de la Musique foi condicionada pelo calor extremo.

A celebração anual do solstício de verão, que leva concertos gratuitos para ruas, praças, bares e esplanadas, decorreu este ano com cancelamentos, atuações transferidas para espaços interiores e restrições ao consumo de álcool em espaços públicos.

Este domingo, 35 dos 96 departamentos da França continental estavam no nível máximo de alerta, reservado para situações de risco para a vida. Outros 45 encontravam-se em aviso laranja.

No total, cerca de 53 milhões de pessoas, mais de três quartos da população, estavam abrangidas por alertas de calor.

A Météo-France descreve a situação como uma vaga de “severidade e duração excecionais”. Em várias regiões, as temperaturas podem ultrapassar os 40 graus e chegar aos 42, ou mesmo acima disso, a partir desta segunda-feira.

Também o índice nacional de calor, calculado a partir das temperaturas diurnas e noturnas em 30 estações meteorológicas, deverá atingir o valor mais alto de sempre.

O Governo francês não espera alívio imediato. “Não vemos as temperaturas a descer antes do fim da semana”, avisou o ministro da Ecologia, Mathieu Lefèvre, apelando a “grande prudência” e “muitas precauções”.

Perante este cenário, as autoridades locais reviram a programação da Fête de la Musique. Em várias localidades, concertos marcados antes das 19h00 foram cancelados ou transferidos para espaços interiores. Nas zonas em alerta vermelho, várias autarquias proibiram o consumo de álcool na rua e em espaços públicos. Nos eventos organizados por municípios, a venda de bebidas alcoólicas foi suspensa.

Em Paris, também sob alerta vermelho, as restrições concentraram-se sobretudo nas margens do Sena e do Canal Saint-Martin. Nestas zonas, ficaram proibidas bebidas de maior teor alcoólico, uma medida justificada pelo risco acrescido de quedas à água durante uma noite de multidões, calor e festa. Bares, cafés e esplanadas licenciadas puderam, ainda assim, continuar a funcionar.

A capital reforçou o dispositivo para a noite da festa. Foram mobilizados quase cinco mil polícias e 2.500 profissionais de emergência e saúde. A autarquia instalou mais de 1.300 fontes públicas de água gratuitas e criou uma rede de mais de 1.500 lojas disponíveis para encher garrafas sem cobrar.

A vaga de calor obrigou também a mexer no funcionamento das escolas. O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou que mais de 800 estabelecimentos não abririam esta segunda-feira por causa das temperaturas extremas. Outros 1.800 alteraram horários de aulas e exames de fim de ano.

Nos transportes, a empresa pública ferroviária francesa aconselhou os passageiros mais vulneráveis a adiarem viagens de comboio sempre que possível. Jean Castex, responsável pela operadora, avisou que os sistemas de ar condicionado e outras infraestruturas estavam a ser postos sob forte pressão.

As autoridades francesas comunicaram ainda a morte de quatro crianças, entre os 11 e os 17 anos, em acidentes de natação ocorridos no sábado. Duas morreram no rio Doubs, em Besançon, numa zona onde o banho estava proibido.

A vaga de calor deverá continuar nos próximos dias, sem descida significativa das temperaturas antes do fim da semana.

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