Português morto em atentado de Mulhouse era de Ermesinde e estava em França há 33 anos

23 fev 2025, 14:04
Ataque em Mulhouse (Getty Images)

Quatro pessoas foram, entretanto, detidas, na sequência do esfaqueamento deste sábado

O português que foi morto este sábado, num atentado em Mulhouse, era natural de Ermesinde, tinha 69 anos, um filho e estava em França desde 1992. A informação foi avançada à CNN Portugal por fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

No âmbito da investigação ao atentado, foram, entretanto, detidas quatro pessoas, incluindo o suspeito, informa a Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT), contactada pela Agência France-Presse (AFP). O principal suspeito, Brahim A., de 37 anos, de nacionalidade argelina e com permanência ilegal em França, foi detido pouco depois do ataque com faca que matou um emigrante português e feriu cinco agentes da polícia municipal.

Os restantes detidos são “duas pessoas” do seu “círculo familiar”, que foram detidas no sábado, e uma terceira, o seu senhorio, foi detido já este domingo de manhã.

Brahim A. estava referenciado pelos serviços de alertas para a prevenção da radicalização de natureza terrorista, de acordo com o procurador de Mulhouse, Nicolas Heitz, citado pelo jornal Le Monde. O ministro do Interior, Bruno Retailleau, avançou que o suspeito estava obrigado a abandonar o território francês e acusou a Argélia de ter recusado dez vezes a emissão de um salvo-conduto consular. O ministro afirmou ainda que o suspeito tinha “um perfil esquizofrénico” e que o seu ato tinha “uma dimensão psiquiátrica”.

Brahim A. tinha sido detido no final de 2023, pouco depois do ataque do Hamas em Israel, a 7 de outubro. Foi condenado a seis meses de prisão por apologia do terrorismo. No âmbito deste processo, foi submetido a um exame pericial “que detectou um perfil esquizofrénico”, de acordo com Bruno Retailleau.

Após a saída da prisão, foi colocado num centro de detenção administrativa, mas não pôde ser deportado para a Argélia. Brahim A. foi então colocado em prisão domiciliária e obrigado a apresentar-se todos os dias na esquadra de polícia. No sábado, chegou às 14:26 à esquadra, mas não assinou o registo de entrada, como era obrigado a fazer.

O ataque ocorreu pouco mais de uma hora depois e durou “cerca de dez minutos”, entre as 15:40 e as 15:50. O agressor, que gritava “Allahou akbar” (“Deus é o maior” em árabe), enquanto atacou o cidadão português, que ficou mortalmente ferido, antes de ser perseguido por agentes da polícia municipal, que conseguiram dominá-lo sem utilizar armas de fogo.

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