Presidente da República faz um apelo para que a questão seja resolvida «cá dentro» de forma a não afetar o prestígio do desporto português «lá fora»
Marcelo Rebelo de Sousa não interveio na guerra aberta na Federação Portuguesa de Futebol, face ao desentendimento público entre Fernando Gomes e Pedro Proença, mas pede «bom senso» às duas partes, sob o risco de ficarem todos a perder.
O Presidente da República, em declarações proferidas no Palácio de Belém, na manhã desta terça-feira, começou por enquadrar a questão.
«Toda a gente sabe que o desporto português tem muito prestígio lá fora. Todo o desporto, o esforço dos atletas olímpicos, há vários que são muito bons e têm cada vez mais importância lá fora. O futebol, em particular, também tem muita importância lá fora. Não é por acaso que muitos futebolistas, um deles Cristiano Ronaldo, têm seguidores na internet como pouquíssima gente tem em todo o mundo», começou por referir.
Marcelo Rebelo de Sousa teme, assim, que o conflito entre os dois dirigentes possa trazer danos à imagem do desporto português no estrangeiro. «Portanto, aquilo que se passa no futebol português com repercussão lá fora, tanto pode ser muito bom para Portugal, como pode muito mau para Portugal. Felizmente tem sido bom para Portugal ao longo dos últimos anos e acho que deve continuar a ser assim», prosseguiu.
Neste contexto, o Presidente da República pede prudência. «O que se espera é que, se há algumas questões internas aqui, relativamente a instituições que são importantes – a Federação Portuguesa de Futebol é importante lá fora, o Comité Olímpico de Portugal é importante lá fora –, que sejam resolvidas cá dentro, sem repercussão lá fora», defendeu.
O que está em risco, na opinião de Marcelo Rebelo de Sousa, é o prestígio do desporto português. «Se tem repercussão lá fora que não seja positiva, perdem os atletas olímpicos, perdem os atletas que servem as nossas seleções de futebol, perde a organização de campeonatos em que Portugal também está envolvido. Perdem essas instituições, em termos de prestígio, e perdem os seus presidentes. Portanto, como perdem todos, o bom senso obriga a que se evite que todos percam, e sobretudo que Portugal fique afetado desnecessariamente, quando isso pode resolver simplesmente cá dentro», destacou ainda.