Com dificuldades em produzir os novos iPhone, China manda chamar o exército

17 nov, 19:09
Pequim isola Foxconn do resto do mundo e pode estragar o Natal da Apple (Imagem Getty)

São precisos mais 100 mil trabalhadores numa das maiores fábricas do mundo, mas as políticas da empresa e da China estão a fazer com que haja menos candidaturas

Não está fácil retomar os trabalhos na Foxconn, a maior empresa chinesa na produção de iPhone, que agora enfrenta uma corrida contra o tempo para tentar entregar as várias encomendas que tem do mais recente modelo da marca, o iPhone 14.

E tudo por causa de uma série de surtos de covid-19, que na China ainda é enfrentado com recurso à política Covid Zero, e que originou o caos naquela fábrica. Retidos no local de trabalho e impedidos de regressar a casa, milhares de trabalhadores acabaram por fugir do local, na cidade de Zhengzhou, em imagens que rapidamente se tornaram virais, com várias pessoas a correr em campo aberto para tentar escapar da fábrica, para onde muitos não querem voltar.

Acontece que o lançamento do iPhone 14 coincidiu com a chegada do Natal, o que faz disparar a necessidade de produção na fábrica, que agora estuda uma solução inusitada para não parar. A hipótese em cima da mesa é chamar militares que estão na reserva para ajudarem a retomar a produção numa empresa que, normalmente, tem cerca de 300 mil colaboradores.

Apesar dos muitos anúncios de trabalho na fábrica, e mesmo com condições salariais mais atrativas, a empresa está com dificuldades em conseguir encontrar gente. É que a política Covid Zero vai obrigar esses trabalhadores a ficarem fechados na fábrica, ao mesmo tempo que estão debaixo de olho por parte do empregador, ficando impedidos de ir a casa durante o pico de produção, o que deve acontecer até perto do Natal. Na prática, um trabalhador que comece agora a trabalhar na Foxconn deverá ficar cerca de um mês fechado no complexo.

"A linha de montagem final na central chinesa de Zhengzhou está atualmente a operar a uma capacidade significativamente reduzida devido às restrições de covid", confirmou a Apple num comunicado, no qual refere que se continua a verificar uma "elevada procura dos modelos iPhone 14 Pro e iPhone 14 Pro Max". Ainda que não estimando quanto tempo será, a empresa norte-americana já disse que o mais certo é que as encomendas sofram atrasos.

Trabalhadores da Foxconn são ajudados a regressar a casa após fuga da fábrica (Getty Images)

Por isso mesmo, as autoridades de Henan, a província onde fica a cidade de Zhengzhou, tiveram uma ideia diferente. O objetivo é realocar soldados reformados do Exército Popular de Libertação, até porque são necessárias mais 100 mil pessoas para regularizar a produção. Em Henan, por exemplo, foram pedidos mais dez mil funcionários, mas as dificuldades da população em aceitarem os cargos na fábrica fazem com que esse número não suba dos dois mil.

Caso não se venha a resolver o problema, o impacto pode ser sério. A Foxconn é responsável pela produção de 70% dos iPhone em todo o mundo, sendo que a planta de Zhengzhou foi, em 2019, a terceira maior na exportação destes aparelhos, produzindo equipamentos no valor de 32 mil milhões de dólares (sensivelmente o mesmo valor em euros).

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