Novas equipas, motores sustentáveis, inúmeras regras diferentes e carros mais leves
As luzes estão prestes a apagar-se pela primeira vez para a Fórmula 1 de 2026. A primeira corrida, na Austrália – Melbourne – arranca já este domingo, dia 8, às 4 horas da madrugada (Hora de Lisboa). Mas já lá vamos.
Esta temporada houve aquela que é já considerada a maior mudança no regulamento das últimas décadas. Carros mais leves e pequenos, combustíveis sustentáveis, o fim do famoso DRS, novas equipas, novo circuito e mais corridas sprint.
A mudança é enorme. Mas não se preocupe. Venha daí que o Maisfutebol ajuda-o a esclarecer todas as inovações para a nova temporada.
Carros mais leves e pequenos
A começar pelo principal: os carros. Estes novos regulamentos trazem-nos carros mais leves e mais pequenos. Em termos de dimensão, a distância entre os eixos dianteiro e traseiro é agora 20 centímetros mais curta: passa de 3,6 metros para 3,4 metros.
Isto, de acordo com os especialistas, contribuirá para o chamado carro mais «ágil», se comparáramos com os de 2025, por exemplo.
A largura dos pneus também foi reduzida. Os pneus dianteiros tornaram-se 2,5 cm mais estreitos. Os traseiros por sua vez, reduziram 3 cm. Esta mudança – respetiva aos pneus – reduzirá o peso e a resistência do ar. Uma vez mais, o foco é o mesmo: tornar o carro mais ágil.
O peso mínimo geral do carro também baixou. Os monolugares podem, agora, ser cerca de 30 kg mais leves. A remoção do MGU-H (Motor Generator Unit – Heat) foi também um dos fatores que justifica esta redução de peso.
Os carros passam de ter um limite de peso de 800 kg em 2025 para 768 kg em 2026.
Motor cem por cento sustentável e fim do DRS
O motor também sofreu alterações significativas. Apesar de continuar híbrido, o motor é agora composto por 50 por centro de energia elétrica. Os restantes 50 por cento são preenchidos por combustão interna. O combustível será, pela primeira vez, cem por cento sustentável.
Outra mudança que chama logo a atenção é o fim do famoso DRS (Drag Reduction System). No fundo, este sistema era utilizado quando um carro se encontrava a menos de 1 segundo do carro da frente. Neste caso, a asa traseira abria, o que dava maior velocidade – facilitando a ultrapassagem entre os monolugares.
Agora, a grande mudança é que não será apenas a asa traseira a fazer esse trabalho. Ambas as asas – a dianteira e a traseira – trabalham em conjunto de uma forma ajustável, variando entre retas e curvas.
Surge, com isto, um novo modo de ultrapassagem, que permite ao piloto gerar potência elétrica adicional. Ou seja, o carro que «ataca» terá uma vantagem de potência para ultrapassar o da frente. Ainda assim, continua a existir a regra de 1 segundo para poder utilizar este modo. Por norma, haverá um ponto de detenção por volta para este modo.
Há também um novo botão de «boost» que é acionado pelo piloto. Este modo poderá, sim, ser utilizado tanto para ultrapassar como para defender uma posição.
Novas equipas no grid
As mudanças não se ficam pelo regulamento. Há ainda muito mais para explorar, desde logo duas equipas novas.
A começar pela Sauber, que se tornou oficialmente a Audi. A gestão e os pilotos - o alemão Nico Hulkenberg e o brasileiro Gabriel Bortoleto - mantém-se os mesmos. O que muda, no fundo, é a marca... e o motor. Isto porque a Audi estreia-se na F1 logo a produzir o próprio motor.
Mas há outro nome - e esse sim completamente novo - a entrar no espetáculo. A Cadillac vai estrear-se e mudar a F1 como a conhecemos. O pelotão - até então composto por 10 equipas e 20 pilotos - passará agora a contar com 11 equipas e 22 pilotos.
A marca norte-americana entra em cena e conta logo com dois pilotos experientes. Sérgio Pérez, ex-Rel Bull, e Valtteri Bottas, ex-Mercedes, serão os homens por trás do volante da mais recente adição do paddock. Ao contrário da Audi, a Cadillac dará os primeiros passos com um motor Ferrari.
This is 2026. 👊 pic.twitter.com/VGf3PP8hZ0
— Cadillac Formula 1 Team (@Cadillac_F1) February 25, 2026
Mudanças de Pilotos
Ao contrário de 2025, em que o que não faltou foi troca de cadeiras entre os carros, este ano de 2026 arranca com basicamente tudo igual.
A principal mudança é precisamente a reentrada na Fórmula 1 de Bottas e Pérez pela porta da Cadillac.
De resto, apenas o francês Isak Hadjar salta da Racing Bulls para a Red Bull. Com isto, Tsunoda deixa de ser piloto principal na Fórmula 1.
Surge, também por consequência, o nome do único «rookie» da temporada. O britânico Arvid Lindblad substitui Hadjar na Racing Bulls e assume o papel de único estreante em 2026. Todos os restantes pilotos que terminaram a última temporada continuam nas respetivas equipas.
Mudanças de motores
Além do motor Audi, que entra pela primeira vez na F1, há também «regressos» e despedidas.
Começando pela Alpine. A equipa francesa tinha um motor Renault. Porém, passa a utilizar um motor Mercedes. Deste modo, este «divórcio» marca o fim de uma era da Renault na Fórmula 1.
A Honda deixa uma era da Red Bull mas «regressa» pelas portas da Aston Martin. A marca austríaca passou a fabricar o próprio motor, fornecendo também à Racing Bulls. A Honda, que foi tetracampeã com a Red Bull, passa agora a trabalhar com a Aston Martin. Porém, o início tem sido bastante tremido.
Apesar de todas as expectativas, o carro da Aston Martin mostrou-se muito aquém nos testes. A situação está tão preocupante que os próprios responsáveis – da Aston Martin e da Honda – já avançaram que o carro não deve conseguir fazer mais de 25 voltas seguidas na Austrália.
An update from Adrian Newey and Koji Watanabe. #AusGP pic.twitter.com/jdqj0ujfUs
— Aston Martin Aramco F1 Team (@AstonMartinF1) March 5, 2026
De resto, a estreante Cadillac dá os primeiros passos na Fórmula 1 com um motor Ferrari.
Madrid entra, sai Imola
O próprio Calendário da Fórmula 1 também sofreu uma alteração. Madrid (Espanha) entra como novo circuito em substituição de Imola (Itália).
Porém, dado os recentes incidentes no Médio Oriente, os circuitos do Bahrain e da Arábia Saudita são postos em causa. Entre as opções para substituir surge novamente Imola e até... Portimão (Portugal) que, recorde-se, vai regressar à F1 em 2027.
Corridas Sprint
As corridas sprint vão, também, ser duplicadas. Este tipo de corridas, com menos voltas, servem para conceder pontos extra aos pilotos. Até então havia três: GP da China, GP de Miami e GP de Inglaterra.
Em 2026 acrescenta-se as corridas sprints no GP do Canadá, no GP dos Países Baixos e no GP de Singapura, perfazendo, assim, seis no total.
Novo número 1
Uma alteração que, por si só, também merece o devido destaque. Pela primeira vez em quatro anos, haverá um novo «Número 1» das corridas. Lando Norris - piloto da McLaren - substituiu Max Verstappen, que foi tetracampeão Mundial de pilotos entre 2021 e 2024.
Assim, como a regra da F1 permite, Lando Norris, que usava o número 4, estreia-se a utilizar o número 1, que está destinado ao campeão da temporada passada. Verstappen, por sua vez, usa agora o número 3. Os restantes mantém os números habitualmente utilizados.
2 0 2 6 🔢 D R I V E R 🔢 N U M B E R S #F1 #AusGP pic.twitter.com/SjACQFAEFG
— Formula 1 (@F1) March 5, 2026
As mudanças são muitas e a adaptação – até mesmo para os pilotos – não será fácil. Teremos de reaprender a ver Fórmula 1. Mas o mais importante é isto: estamos a escassas horas da primeira corrida oficial da época 2026.
Coloque o despertador, aperte o cinto e prepare-se para uma temporada que promete, no mínimo, ser revolucionária.