Termo “voluntariado” no recrutamento das Forças Armadas “é errado e ilegal”

Agência Lusa , MJC
31 jul, 12:35
Forças Armadas - Fuzileiros
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O voluntariado assenta na gratuitidade, no altruísmo, na solidariedade social e na prática dos direitos e deveres de cidadania”, enquanto “o programa de recrutamento militar anunciado introduz fortes incentivos materiai", afirma a confederação

 A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) pediu ao Governo para retirar a palavra “voluntariado” do programa de recrutamento para as Forças Armadas, considerando que o termo “é errado e ilegal” naquele contexto, foi hoje divulgado.

Numa carta dirigida ao primeiro-ministro, ministro da Defesa e membros do Governo e enviada há uma semana, o presidente da direção da CPV, Eugénio da Cruz Fonseca, solicita que a palavra em causa seja substituída “por expressões que respeitem a legislação em vigor como “Regime de Adesão Voluntária” ou “Contrato de Prestação de Serviço Militar”.

Na página ‘online’ do Exército Português indica-se que a candidatura para o “Regime de Contrato / Voluntariado” está “disponível exclusivamente para a Categoria de Praças”.

“Reconhecemos a urgência de atrair jovens para as fileiras da Defesa Nacional. Contudo, a terminologia adotada desvirtua o conceito de voluntariado, confunde a opinião pública e colide com o quadro jurídico vigente em Portugal”, refere o dirigente da CPV na missiva enviada hoje à agência Lusa.

Adianta que “o voluntariado assenta na gratuitidade, no altruísmo, na solidariedade social e na prática dos direitos e deveres de cidadania”, enquanto “o programa de recrutamento militar anunciado introduz fortes incentivos materiais, tais como compensações financeiras diretas, prémios e a oferta da carta de condução”.

Eugénio da Cruz Fonseca considera que a expressão certa é adesão voluntária, por significar que “o cidadão concorre por livre iniciativa e escolha própria, sem a coação do antigo Serviço Militar Obrigatório”.

“Ao associar o termo ‘voluntariado’ a um modelo claramente remunerado e focado em benefícios contratuais, esvazia-se o valor humano e o desinteresse material que definem o ato voluntário puro”, afirma o responsável da confederação, que "integra, direta ou indiretamente, dezenas de milhares de organizações promotoras ou enquadradoras de voluntariado e mais de um milhão de pessoas voluntárias em todo o país”.

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