O gadget de bolso que mostra qual a comida que faz mal ao seu intestino

CNN , Nell Lewis
2 dez 2021, 19:54
FoodMarble
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Indigestão, cólicas estomacais e prisão de ventre são sinais da Síndrome do Intestino Irritável (SII), uma doença digestiva que afeta uma em cada dez pessoas, em todo o mundo.  

Não há cura, embora possa ser controlada com mudanças no estilo de vida e de dieta alimentar. Mas descobrir quais os alimentos que desencadeiam uma reação negativa nos indivíduos pode ser um longo e penoso processo. E caro também. Um estudo de 2019, realizado em seis países europeus, descobriu que custava aos sistemas de saúde entre 937 e 2108 euros por paciente, por ano.  

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Por isso é que os engenheiros irlandeses Aonghus Shortt e Peter Harte fundaram a FoodMarble, uma startup que inventou dispositivos portáteis, com apenas cinco centímetros quadrados, que testam os níveis de hidrogénio na respiração de uma pessoa - um sinal chave para distúrbios digestivos.

"Os seres humanos não deve ser produzir hidrogénio na respiração", explica Harte. Isso acontece quando os alimentos que não conseguem ser digeridos no intestino delgado avançam para o intestino grosso, onde são divididos por bactérias num processo chamado fermentação. Esse processo liberta gases, como o hidrogénio ou o metano, que podem causar dor ou inchaço.

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A aplicação da FoodMarble tem um banco de dados de quase 1000 alimentos, divididos por ingredientes que são normalmente difíceis de digerir.

O dispositivo AIRE da FoodMarble, lançado em 2018, permite aos utilizadores testar o hidrogénio após as refeições, dando-lhes feedback em tempo real sobre quais os alimentos que fazem mal ao corpo. As leituras são transmitidas via Bluetooth para a aplicação da FoodMarble, onde os utilizadores podem registar o que comem e, ao longo de semanas, identificar os ingredientes que desencadeiam os sintomas.

Democratizar a tecnologia

Os testes respiratórios ao hidrogénio têm sido um método para o diagnóstico de doenças digestivas como a intolerância à lactose e, mais recentemente, ao crescimento excessivo de bactérias no intestino (SIBO), diz Harte. Mas ele acrescenta que a tecnologia não tem estado amplamente acessível ou conveniente - muitas vezes necessitando de várias visitas ao hospital para realizar testes.

“Ao reduzir isso, o nosso objetivo é democratizar a tecnologia”, afirma. “Temos um grande grupo de pacientes que simplesmente não encontraram uma forma de superar essas condições difíceis. O nosso dispositivo é fácil de usar e de perceber, e dá-lhes esperança.”

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O mercado global de tratamentos para a Síndrome do Intestino Irritável também está a crescer, e espera-se que venha a valer mais de quatro mil milhões de dólares em 2028, face aos dois mil milhões de dólares em 2020, segundo um relatório da empresa de pesquisas de mercado, a Research and Markets.

A FoodMarble vendeu 25 mil dos seus dispositivos de medição respiratórios e acaba de abrir as pré-encomendas para uma nova versão que também mede os níveis de metano. Estão disponíveis no mundo inteiro e custam entre 190 e 260 dólares. 

O dispositivo FoodMarble funciona de forma semelhante a um teste do balão.

Mas a empresa, que angariou 5,5 milhões de euros em financiamento, também pretende entrar no mercado clínico e a tecnologia está atualmente a ser testada no Johns Hopkins Medicine, nos EUA, para melhorar o diagnóstico do SIBO. Pankaj Pasricha Jay, o professor responsável pelos testes, diz que, até agora, o dispositivo superou outros métodos de teste de hidrogénio expirado.

Tara Troy, uma gastroenterologista que gere a clínica Comprehensive Gastrointestinal Health, em Northbrook, no Illinois, acredita que um dispositivo reutilizável para levar para casa pode ser extremamente benéfico para médicos e pacientes. A FoodMarble é a única empresa que ela conhece que proporciona isto, embora haja outras, como a Vivante Health, que oferece uma plataforma digital para monitorar a saúde intestinal. 

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Fazer testes à respiração num ambiente clínico pode ser um desafio logístico e exige muito pessoal, disse Troy à CNN Business, exigindo que um assistente médico tire uma amostra da expiração a cada 15 minutos, durante várias horas.

“O apelo do dispositivo FoodMarble é não ser uma análise única à respiração", diz ela. "Uma pessoa pode usá-lo várias vezes para reunir múltiplos dados com os quais se podem fazer melhores análises e avaliações sobre as sensibilidades alimentares.”

Capacitar os pacientes

Troy alerta que os testes de hidrogénio no ar expirado não são um método infalível para diagnosticar problemas digestivos e, às vezes, podem gerar falsos negativos e positivos. É importante complementá-los com outros testes que possam determinar se um paciente sofre de doenças mais graves, como doença celíaca ou doença de Crohn.

Mas ela diz que são extremamente valiosos por oferecerem algum tipo de “critério objetivo” para pacientes com SII.

“Acho que é muito capacitador para esses indivíduos serem capazes de descobrir as coisas sozinhos”, diz Troy. O dispositivo FoodMarble "dá ao paciente a informação objetiva que ajuda a confirmar que é um problema real... [e] dá-lhe a oportunidade de experimentar vários fatores na sua dieta alimentar", acrescenta.

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