Esta breve reportagem passou na CNN Portugal na semana passada, esta semana a fome continua a passar-se em Gaza. Mesmo depois de Israel ter autorizado a entrada de camiões de ajuda humanitária, as 11 semanas de bloqueio ainda se fazem sentir na escassez de alimentos. Por isso, o lixo torna-se a única opção: "A maior guerra que a Humanidade pode enfrentar é ser deixada a morrer à fome"
Estamos à procura de comida no lixo. Morremos à fome. Não temos pão, não temos comida.
Se não comermos do lixo, morremos. Ninguém quer saber de nós.
Estamos a viver uma grande tragédia em Gaza. Mesmo quando dizem que trazem ajuda, nada chega até nós. Não passamos de cães de rua, a comer do lixo. Juro por Deus, esta é a nossa vida todos os dias.
Se não comermos não comemos e, por Deus, não comemos.
Até o pão que apanhamos está encharcado pelos líquidos do lixo.
Ontem recolhi comida do lixo, aquecemo-la e comemo-la. Os problemas gastrointestinais são melhores do que a fome. A fome é muito mais difícil. A maior doença real é a fome, a maior guerra psicológica para os seres humanos é a fome.
A maior guerra que a humanidade pode enfrentar é ser deixada a morrer à fome. É lutar contra uma pessoa visando a sua humanidade e dignidade.
Lutem o quanto quiserem, mas deixem os civis comerem.
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O agravamento da crise alimentar devido ao bloqueio israelita afeta toda a população, especialmente as crianças. Muitas crianças palestinianas estão a morrer em consequência da subnutrição e da falta de tratamento na Faixa de Gaza.
Além das centenas de milhares de pessoas em perigo no norte de Gaza, as organizações internacionais e os grupos de ajuda humanitária alertaram para o facto de toda a população de Gaza, mais de dois milhões de pessoas, estar em risco de fome.
Segundo as Nações Unidas, espera-se que cerca de 71 mil crianças menores de cinco anos sofram de desnutrição aguda nos próximos meses. Por outro lado: organizações humanitárias - e ainda a própria ONU - alertam para o facto de haver pelo menos 300 mil pessoas, incluindo 14 mil bebés, em risco de morrer à fome face aos níveis de subnutrição em Gaza, sublinhando que são necessários mais de 500 camiões de ajuda humanitária por dia para suprir as necessidades mais básicas do momento.
A 20 de maio, a ONU foi autorizada por Israel a levar “cerca de 100” camiões de ajuda humanitária a Gaza. Não entrava qualquer ajuda humanitária no território palestiniano desde 2 de março.
De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde de Gaza, já morreram 54.056 palestinianos em Gaza, desde 7 de outubro de 2023. Outros 123.129 ficaram feridos em ataques israelitas.
