A esquerda está em modo de alerta. Pedro Nuno invoca uma regra de rasgou, Mariana pôs na rua o museu de cera do BE, Rui Tavares fez contas e vê uma ameaça constitucional. As contas estão certas e a IL confirmou a ameaça. Paulo Raimundo, com a sua bonomia, explicou como se destrói o “nheca nheca” de André Ventura. Hoje é o debate dos pequeninos. O que se perca em dignidade do Estado ganha-se em diversão.
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Alerta constitucional. Rui Tavares fez as contas e deu o alerta: como as coisas estão encaminhadas, não é só a AD que se preparara para reforçar a vitória de 2024; não é só a possibilidade de poder alcançar a maioria absoluta aliando-se à IL. É pior, avisou o líder do Livre: a direita está embalada para poder ter uma maioria constitucional, ou seja, os dois terços do Parlamento que permitiriam mudar a Constituição. Pela contas de Tavares, podem faltar só quatro deputados para isso. "Quando sabemos que Luís Montenegro foi líder parlamentar de um governo que estava sequioso por mudar a Constituição [com Passos Coelho]; quando sabemos que André Ventura tem sempre qualquer proposta de alteração da Constituição, até no que diz respeito aos direitos fundamentais (...), e eu não tenho dúvidas de que Rui Rocha também gostaria de mudar a Constituição.” Ou seja, a Constituição, que faria 50 anos em abril de 2016, e cujo espírito resistiu a várias revisões, pode não resistir aos resultados de 18 de maio. “Ou a esquerda tem clareza e mobiliza os votos progressivos e democráticos, ou podemos estar em face de uma situação que é constitucionalmente perigosa para o país”, concluiu o coordenador do Livre. Como caderno de encargos, não é pouco.
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O puzzle ganha forma. Poucas horas depois, Rui Rocha confirmou: sim, a IL quer rever a Constituição e retirar a menção ao “caminho para a sociedade socialista”. Rocha referia-se ao Preâmbulo da Constituição, onde é afirmado o propósito de "abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno". O Preâmbulo da Constituição não dita a lei, e é uma espécie de relíquia histórica que foi mantida em todas as revisões constitucionais, precisamente pelo seu valor quase museológico. É como uma cápsula do tempo em que foi escrita. O que importa para a vida dos portugueses é a vontade assumida por Rui Rocha para alterar a Constituição – a do PSD é bem conhecida e a do Chega também. Tudo se encaixa.
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Contas feitas. A Tracking Poll diária da CNN Portugal começa a desenhar tendências que também parecem encaixar no aviso feito por Rui Tavares. AD e IL somados passam dos 43%. A direita toda tem quase 60%. Na distribuição por mandatos pode dar a tal maioria constitucional.
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O melhor debate. O aviso de Rui Tavares foi feito ontem, no último debate desta campanha, o debate na rádio dos oito partidos com assento parlamentar, poucas horas depois de os mesmos a oito terem espadeirado na RTP, no domingo à noite. Não sei quantas pessoas ouviram o debate organizado pela Antena 1, Renascença, TSF e Observador, mas sei que foi o melhor debate desta campanha (e deus sabe a seca que é segui-los todos). Talvez por estarem fartos daquilo (dezenas de debates um ano depois de dezenas de debates iguaizinhos), alguns líderes mostraram-se mais soltos, menos formatados, mais audazes e imaginativos no confronto, ou mais genuínos nos comportamentos. Luís Montenegro, confiante na vantagem que todas as sondagens lhe oferecem, fez os mínimos, esbanjou o seu sorrisinho malandro enquanto os outros falavam, mas no final acabou de braços cruzados, agastado e com ar de quem tem mais o que fazer do que estar ali.
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Portugal dos pequenitos. Depois de tantos debates, esta é a noite do confronto televisivo entre os pequenos partidos, sem representação parlamentar, na RTP. Será mais um momento para Carlos Daniel mostrar os seus talentos de domador de leões na arena, e a oportunidade de conhecer os programas eleitorais e os (eventuais, e alegados) chalupas que os escreveram. Única garantia: o que se perca em dignidade do Estado ganha-se em diversão.
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Os piores indicadores económicos. Fez bem a AD em forçar uma moção de confiança a pretexto da empresa familiar do primeiro-ministro. Era uma desculpa tão boa como qualquer outra, dava ares de honra ferida e coisas grandiosas, e era inaceitável para o PS. E assim Montenegro vai a eleições antes de ficar à mostra o lado B da sua governação: isto de esbanjar o superavit recebido do Governo anterior acaba por cobrar a conta – ou ver-se nas contas. Foi o que aconteceu esta semana. O primeiro trimestre deste ano foi o pior da economia portuguesa desde há muito tempo. 2024 correu bem, em boa medida porque o Governo anunciou aumentos salariais para 19 carreiras da função públicas, deu apoios extra aos pensionistas, e distribuiu o que pôde porque tinha a margem herdada – e a economia lá foi mexendo à conta disso. Mas pode ter sido um crescimento artificial, percebe-se agora. O Público explica que foram “medidas orçamentais expansionistas com efeito temporário” – sobretudo as mexidas no IRS e o suplemento extraordinário de pensões. No primeiro trimestre de 2025, a economia caiu em cadeia 0,5%. Não é coisa pouca. O crescimento trimestral médio foi de 0,4%. A manter-se o ritmo, só nas contas deste ano a variação do PIB ficará um ponto abaixo do que está prometido pelo Governo. Os analistas falam em “riscos descendentes significativos”.
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Quem quer um Miranda Sarmento? Em 2019, houve um famoso debate entre António Costa e Rui Rio em que, face aos bons resultados da economia e à enorme popularidade do então ministro das Finanças, Mário Centeno, Rio anunciou ao mundo que também tinha o seu Centeno: era um tal de Joaquim Miranda Sarmento. Costa riu-se e respondeu à Costa: “Olhe, mas eu não troco o meu Centeno pelo seu. E os portugueses também não!” De facto, desde que Miranda Sarmento chegou à cadeira que era de Mário Centeno, não fez história, tirando ter encontrado um suposto buraco nas contas mal entrou em funções, o que não o impediu de distribuir dinheiro ao longo de um ano. Por alguma razão, nesta campanha ninguém argumentou que também tinha o seu Miranda Sarmento. Para quê?
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No melhor Cavaco cai a nódoa. Cavaco Silva, militante do PSD, ex-líder do PSD, ex-primeiro-ministro eleito pelo PSD e ex-Presidente da República apoiado pelo PSD, escreveu um longo texto a anunciar que vai votar no PSD. Por todo o país, zero pessoas ainda não recuperaram da surpresa. Os argumento de Cavaco, esses, em vez de engrandecerem Montenegro, apoucam o autor do panegírico. Fazem do chefe da AD um inigualável poço de virtudes, afirmando que nenhum outro candidato poderia reclamar “qualquer superioridade em relação ao atual primeiro-ministro na dimensão ética e moral na vida política”. É o que dá quando não se estuda: escrevem-se asneiras. Mais: Cavaco considera que as notícias sobre e empresa de lobbying familiar do primeiro-ministro, a que este se manteve ligado quando tomou posse, e que depois passou para a mulher, e depois pôs em nome dos filhos, é “devassa da sua vida privada”. Claro: um primeiro-ministro que continua a beneficiar, através do núcleo familiar, de negócios e avenças com clientes com quem ele próprio lidava, é claramente um caso para ficar no recato do lar, e não nas manchetes dos jornais. Vindo de Cavaco, infelizmente, não espanta. Do homem que ganhou uns milhões com uns negócios obscuros, e de favor, com ações da SLN, do defunto BPN, do seu amigo Oliveira e Costa; do homem que deu sempre carta branca ao amigo Dias Loureiro, e fez subir ao estrelato o insuspeito Duarte Lima, não se pode esperar mais. Nem melhor. Por muito que diga, como disse uma vez num debate: “Para serem mais honestos do que eu têm de nascer duas vezes”.
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Nascer não duas, mas dez vezes. Eis uma frase tão eficaz, e tão verdadeira, que até André Ventura a usa. Disse-a ontem no debate das rádios. Tal como rui Tavares já havia feito, Inês Sousa Real ousou lembrar a Ventura alguns acontecimentos recentes que tiveram como protagonistas responsáveis do Chega, deputados na Assembleia da República e na Assembleia Municipal de Lisboa. Enfim, aquelas coisinhas que se souberam sobre o deputado que gamava malas no aeroporto e o outro que engatava prostitutos de 15 anos em apps gay – isto, no partido que diz querer limpar Portugal, ser implacável com a “roubalheira” e a “pedofilia”, num país onde, lembrou Sousa Real, em três anos o crime de abuso sexual contra menores crescer 46%. Primeiro, Ventura não tugiu nem mugiu, o que nem parecia dele. De olhos postos no papel, desenhava figuras geométricas, talvez a quadratura do círculo. Depois, fez desabar sobre Inês Sousa Real toda a sua fúria, de contornos cavaquistas. Primeiro, o estranho argumento de tamanho: “antes de fazer de moralista, o PAN tem de ter uma bancada, que não tem”, como se a ética ou a moral se aferissem pela dimensão da bancada; depois, aquele arrasador “quando quiser fazer moralismo tem de nascer dez vezes” – com Cavaco eram duas, com Ventura são dez, enfim, deve ser da inflação ou da demagogia.
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O Aníbal do BES. Pedro Nuno Santos despachou Cavaco em pouco tempo e só preciso de um facto: “Cavaco Silva, 13 dias antes de o BES cair, ele disse que estava tudo bem". Os mais novos podem não se lembrar mas aconteceu mesmo. O homem que nunca tinha dúvidas enganava-se, e não era pouco.
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PSD em família. Parece que há hoje um almoço de aniversário do PSD, e a família social-democrata (agora tudo é família) vai reunir-se à mesa, incluindo os anciãos. Cavaco lá estará, a aquilatar a moralidade pristina de Luís Montenegro, mas também Manuela Ferreira Leite, Rui Rio, Passos Coelho, Marques Mendes, Santana Lopes, Filipe Menezes e Fernando Nogueira, um cavalheiro que em tempos foi mesmo muito importante no PSD, chegou a líder, mas depois foi traído em público por Cavaco Silva (esse mesmo, o avaliador de caráteres) e decidiu abandonar a “porca da política” (as palavras não são minhas, são do Eça e do Bordallo Pinheiro). Parabéns ao PSD. E nada de pensar que este almoço será um ato de campanha política. É mesmo “só para reunir a família”... Até porque, como é bem sabido há 40 anos, Cavaco Silva não é político. E o Conselho de Ministros no Mercado do Bolhão, no Porto, também não foi um ato de campanha. São só coisas que acontecem em família durante uma campanha eleitoral. Com jeito, Marcelo dá lá um saltinho para um Sumol e um pastel de nata.
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Crime político em primeiro grau. Luís Montenegro aprendeu todas as lições do Professor Aníbal. Vitimiza-se perante qualquer acusação, brada deixem-me trabalhar (ou melhor, o seu hino de campanha fá-lo por ele), e insinua que os outros são todos desonestos, maus perdedores, falsos como Judas e – o pior de tudo –... são políticos que fazem “jogadas políticas”. A ladaínha voltou a ser desfiada no debate televisivo da noite, e depois no debate radiofónico da manhã. No primeiro, acusou Pedro Nuno de fazer “jogo político puro e duro”, uma sequência de palavras que por alguma razão configura um crime terrível, que já era denunciado nos tempos áureos das maiorias absolutas cavaquistas.
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O homem da máscara moderada. Qualquer que seja a reação de Pedro Nuno Santos – um desmentido, um “mude de cassete”, um revirar de olhos, um suspiro exasperado, um leve ajeitar na cadeira –, Montenegro pede-lhe que “tenha calma”. “Não fique alterado”. “Hoje está particularmente nervoso.” Porque Montenegro tem uma estratégia: mostrar-se como um homem simples e genuíno, que até canta com o Tony Carreira, e pintar o líder do PS como um dissimulado, que usa uma “máscara” de moderado, com o objetivo único de chegar ao poder e implantar o comunismo. Ou algo parecido. O facto é que a nova bengala de Montenegro, já usada em debates e comícios, é: “Lembre-se da sua nova figura na campanha eleitoral”. Depois, se Pedro Nuno se irrita com essa conversa (quem não?), Montenegro afirma, triunfante: “O verdadeira Pedro Nuno Santos lá apareceu”. Fim de número.
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Eu estou aqui como sou, pelo jogo. A conversa do “mascarado”, respondeu Pedro Nuno, “é de um homem que não está de forma séria na política, está habituado a mentir e a enganar as pessoas, e acha que são todos iguais. Eu não engano ninguém, eu sou genuíno, sou transparente”, disse o líder socialista, parecendo mais um concorrente da Casa dos Segredos do que um candidato a primeiro-ministro.
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Zigue, zague; zigue, zague. Este é o soundbite com que Luís Montenegro foi instruído para salientar contradições ou supostas contradições de Pedro Nuno Santos. Às vezes os homens do marketing acertam numa fórmula de sucesso que se transforma num soundbite imbatível. É duvidoso que esta fórmula resista à primeira semana de campanha. Nem sempre os marqueteiros acertam.
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Da não inutilidade. Inês Sousa Real está numa cruzada para provar a utilidade do voto no PAN. O esforço é notório. Mas quando o argumentário de um partido vai às bases da sobrevivência – demonstração de não inutilidade – o mais provável é que não sobreviva.
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Pintou um clima. Na suprema questão de saber quem apoia quem se não houver maioria absoluta de um só partido, o concubinato da AD com a IL tornou-se um segredo de Polichinelo. O que é curioso, pois Rui Rocha, a propósito da trapalhada da Spinumviva, tem dito coisas pouco abonatórias sobre o caráter de Luís Montenegro, e até já o acusou de ser o grande fator de instabilidade do país. Mas, enfim, quem nunca disse “Ele é um cafajeste mas é o meu cafajeste” que atire a primeira pedra. Ontem, no debate das rádios, Rui Tavares resumiu nestes termos as negociações para a futura coligação AD-IL: “A IL quer uma conversa sobre a Spinumviva e a chave do armário onde está a motossera [para cortar na despesa do Estado]. A partir daí está pronta para fazer tudo." Felizmente, apesar de ser rádio, foi filmado e está gravado. Montenegro e Rocha trocaram sorrisos e pintou um clima.
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Variações sobre a negação. Pergunta igual para todos os líderes: se o seu partido tiver um resultado pior, deixa a liderança?
LM: “É um cenário que não equaciono.”
PNS: “Não é esse o cenário que equacionamos.”
AV: “Não equaciono esse cenário.”
RR: “É um cenário que não coloco”.
MM: “Não faz sentido perguntar a nenhum líder partidário se acha que vai ter pior resultado. Não, não acho, acho que vou ter melhor resultado, estou aqui para isso, a mobilizar esse voto.”
PR: “Todas as vitórias e derrotas são coletivas.”
RT: “[Liderança do Livre] é completamente partilhada e é isso que me permite responder a essa pergunta sem dizer que esse é um cenário que não equaciono. Sim, se o Livre tiver menos representação, farei uma reflexão pessoal, individual…”
ISR: “Qualquer reflexão sobre resultados é feita após as autárquicas.”
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BE em modo SOS. Para mobilizar o voto no BE, Mariana Mortágua foi ao museu das velhas glórias limpar o pó a Francisco Louçã, Luís Fazenda e Fernando Rosas. Catarina Martins, ex-líder e eurodeputada, e Marisa Matias, que foi duas vezes candidata presidencial, também voltaram à linha da frente. Ontem, já estavam todos juntos num comício. É o que se chama por a carne toda no assador. Parece desespero, e as sondagens explicam.
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Informação fidedigna. Ainda sabemos pouco sobre o apagão, mas vamos sabendo a cada dia mais um bocadinho. Ontem, passada uma semana, Montenegro relevou que o sms da Proteção Civil, que as pessoas só receberam quando a crise estava resolvida, foi enviado às 5 da tarde (seis horas depois do apagão) porque Luís Montenegro entendeu que só então tínhamos “informação fidedigna para transmitir”. Entretanto, claro, no deserto de informação deixado pelo Governo já tinham alastrado as fake news. Mas o importante era ter “informação fidedigna”. Fui ler o sms: “Ligação de energia está a ser gradual. Com a serenidade de todos garantiremos os serviços essenciais e a normalização da situação nas próximas horas”. À hora a que recebi o sms (22h53) a serenidade já fora demonstrada no açambarcamento de papel higiénico, conservas e pilhas; e já havia luz em todo o lado.
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Fake news oficiais. Montenegro continua a insistir que não faltou informação dada por membros do Governo. De facto, o ministro Leitão Amaro fez uma declaração bastante prematura, dizendo que a situação atingia toda a Europa. O ministro Castro Almeida acrescentou que podia ter tido origem num atentado. Mas o problema foram as fake news.
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Orgulho e preconceito. O primeiro-ministro ficou muito agastado com as críticas ao evento “São Bento em Família”, que celebrava o 25 de Abril a 1 de Maio, mas também “a cultura” e “a família portuguesa”. “Não sei qual o preconceito à volta da Família”, indignou-se, numa tirada digna de Ventura. Deu a melhor deixa a Mariana Mortágua: “Chamou ao Dia do Trabalhador o Dia da Família, e acha que há um preconceito contra a família? Qual é o seu preconceito com os trabalhadores e com o 1º de Maio?”
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A regra da reciprocidade não existe. Tal como antigamente se acreditava na regra do vencedor – quem ganhava as eleições governava (até António Costa e a geringonça mudarem isso) –, Pedro Nuno Santos acredita na regra da reciprocidade: tal como ele segurou durante um ano um governo minoritário da AD, a AD há de segurar um eventual governo de minoria liderado pelo PS. Ontem, num almoço com a Confederação do Turismo, Francisco Calheiros, presidente da organização, disse-lhe que “é provável que a direita chumbe o seu programa de governo”. “Era só o que faltava”, retorquiu Pedro Nuno. Deixar governar um Executivo PS, ainda que minoritário, “não é um favor ao Partido Socialista, é simplesmente respeitar o país. E, já agora, respeitar também, primeiro o país e os portugueses, e em segundo lugar o partido que quando estava na oposição deu estas condições de governabilidade à AD”. Pedro Nuno, o antigo enfant terrible, parece um velho republicano, guardião de uma ética em desuso e de regras ultrapassadas. O mais extraordinário é que foi ele, um dos dínamos da geringonça, quem deitou fora o antigo livro de regras. Fez, com Costa, em 2015, o necessário para sobreviver. Como escreve a Ana Sá Lopes no Público, “se há uma coisa que se aprende na política e na vida é que a regra da sobrevivência prevalece.”
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Afinal era tão fácil. Tantos anos de André Ventura a matraquear nos debates, a interromper, a sabotar o raciocínio alheio, a inventar números, e factos, e outras macacadas para desorientar o adversário, e era tão fácil secar esta técnica do arruaceiro do Chega. No debate das rádios o comunista Paulo Raimundo voltou a mostrar como se responde ao “nheca nheca” da extrema-direita, mas desta vez explicando o truque, para que outros possam fazê-lo. Ventura, diga-se, estava a pedi-las. Passou parte do debate a encontrar paralelos entre propostas do Ch e do PCP. A cara de Raimundo era impagável. Até que, quando Ventura começou a listar propostas do Chega “quase iguais às do PCP”, mas que este tinha chumbado, Raimundo começou a desconversar por cima. “Porque é que o PCP votou contra?”, escandalizava-se Ventura. “Porque de manhã as vossas propostas são umas, à tarde são outras e à noite são outras”, responde Raimundo. “Tem de me deixar falar”, protesta Ventura. “Estava a falar comigo, eu posso interromper. O senhor é um troca-tintas, nós não vamos credibilizar a sua demagogia nem a sua fábrica de mentiras”, responde Raimundo. Ventura exaspera-se: “Oh homem!, deixe-me falar, por amor de deus! Se não me deixar falar eu não consigo terminar!”. “Mas esse é o objetivo de eu estar a interrompê-lo”, explicou Raimundo, com o ar mais cândido do mundo. Simples, afinal.
