Incêndio em Moimenta da Beira em fase de resolução. Fogo de Póvoa de Penela já está controlado. Bombeiros preveem uma noite de muito trabalho
O incêndio em Moimenta da Beira entrou em fase de resolução, segundo dados da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que mantêm mais de mil homens nos fogos da Covilhã, Trancoso e Vila Real. Às 21:30, o 'site' da ANEPC indicava que o incêndio que começou na sexta-feira à tarde em Alvite, em Moimenta da Beira, já está em resolução, continuando no local 248 homens e 73 viaturas.
Também o incêndio de Póvoa de Penela, no Douro, já se encontra controlado, estando no local 65 homens e 16 viaturas.
Os casos mais preocupantes continuam a ser os incêndios de Trancoso, com 604 homens e 205 viaturas no local, e o de Vila Real, que começou há uma semana e está a esta hora a mobilizar 406 homens e 132 viaturas, depois do reacendimento no sábado.
Um pouco mais a sul, o incêndio que deflagrou este domingo na Covilhã está a ser combatido por 422 homens e 131 viaturas e é a terceira ocorrência mais significativa.
Trancoso é a ocorrência que mobiliza mais meios
Apesar da colaboração de muitos populares, em Trancoso e Vila Real o fogo chegou perto das habitações e várias pessoas tiveram de ser retiradas para locais seguros.
O incêndio em Trancoso resulta de uma reativação ocorrida hoje cerca das 12:00 devido ao vento forte e combustível seco, uma vez que o alerta aconteceu pelas 17:21 de sábado e na manhã de hoje o fogo chegou a estar em resolução.
Segundo Mário Silvestre, comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), tendo em conta a rotação do vento, nas próximas horas o incêndio “irá na direção das aldeias de Moreira do Rei, Golfar e Souto Maior, havendo já preocupação e informação ao dispositivo, que já toma as diligências necessárias”.
“No último levantamento que fizemos, pelas 15:00, a área ardida deste incêndio era de 3.700 hectares, com um perímetro de cerca de 15 quilómetros”, informou o comandante nacional da ANEPC.
Mário Silvestre disse que é esperada uma “perda de intensidade durante a noite e com uma janela de oportunidade para combater o incêndio entre as 00:00 e as 08:00, com o aumento da humidade e a diminuição da velocidade do vento”.
“E com o decréscimo da altura da camada limite irá permitir-nos, durante a noite, ter trabalho efetivo no incêndio, ou seja, começarmos a combater este incêndio”, assumiu o comandante.
Neste incêndio do distrito da Guarda, a Câmara Municipal de Trancoso ativou o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.
“Ao dia de hoje tivemos ainda quatro operacionais assistidos e também quatro transportados a uma unidade hospitalar, felizmente, nenhum deles com problemas graves, com ferimentos ligeiros e já em casa. Houve também um civil que foi assistido”, contabilizou Mário Silvestre.
Vila Real: autarca apela a um reforço de meios
438 elementos e 142 viaturas continuam a combater o fogo na região de Sirarelhos, Vila Real. O incêndio que começou no dia 2 entrou em resolução na quarta-feira e reativou-se no sábado à noite.
O presidente da Câmara de Vila Real considera que os operacionais que estão no combate ao incêndio que lavra no concelho “são insuficientes” e pediu ao Governo um reforço de meios para acabar com a calamidade. "Vai ser uma noite de muito trabalho, nomeadamente nas zonas de Lordelo e Ramadas. O fogo está efetivamente à porta destas aldeias. Precisamos de um aumento do número de meios e também de refrescar aqueles que estão no terreno. Os homens estão extenuados", disse Alexandre Favaios.
"Quase há dez dias que vemos este flagelo. Os danos são irreparáveis e incalculáveis. Aquilo que nós percebemos é que os meios era insuficientes face à extinção do incêndio", afirmou à CNN Portugal. "Mais uma vez este fim de semana, o distrito de Vila Real estava sob aviso vermelho, teria sido desejável que os meios estivessem pré-posicionados. Teria sido desejável que tivéssemos solicitado ajuda aos nosso parceiros europeus."
O autarca deixa também um apelo "ao Governo para que, finalmente, faça tudo o que está ao seu alcance para dar paz a estas populações que nos últimos dias estiveram sempre em sobressalto". Alexandre Favaios diz que "sem esse reforço claramente esta calamidade não vai terminar”.
No distrito arderam algumas casas devolutas e também armazéns. Houve também várias pessoas retiradas das suas habitações, por exemplo nas aldeias de Muas e Relvas. "A maior parte das pessoas tinham retaguarda familiar e neste momento estão em segurança. Outras foram deslocalizadas para a junta de freguesia, já com devido apoio. Agora estamos a fazer a avaliação para perceber se podem voltar às suas casas" ou se precisam de um lugar para pernoitar.
Covilhã: “Ainda estamos perante muitas horas de trabalho”
O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Vítor Pereira, disse que “a estratégia está muito bem delineada e montada” e que é esperado que as condições sejam favoráveis "a partir das quatro da madrugada, para que de manhã possa vir a ser controlado o incêndio”.
O fogo deflagrou a meio da tarde de hoje em Sobral de São Miguel, numa zona “muito longe do centro do concelho” o que fez com que os “primeiros meios demorassem cerca de 30 minutos a chegar”, disse o comandante de Operações de Socorro, acrescentando que o declive do terreno também dificultou os trabalhos, mas neste momento há “uma estratégia para fechar o incêndio”.
“Ainda estamos perante muitas horas de trabalho”, reconheceu o comandante, explicando que às 22:00 estavam “todos os operacionais a trabalhar em todas as frentes”.
O aumento do estado de prontidão para o nível máximo a partir das 00:00 de hoje, e que se vai prolongar até às 23:59 de dia 12, prevê um reforço de pré-posicionamento de meios face à previsão de uma "complexidade significativa" das condições meteorológicas nesse período.