FMI muito mais otimista que o Governo - prevê crescimento de 2,6% da economia portuguesa

ECO - Parceiro CNN Portugal , Mariana Espírito Santo
9 mai, 14:21
Sede do FMI em Washington

Consumo privado e turismo impulsionaram PIB em 2022 e no arranque deste ano, mas alto custo de vida deverá pressionar crescimento no resto de 2023, prevê o FMI

O Fundo Monetário Internacional estima um crescimento real do PIB português de 2,6% em 2023, um número bastante mais otimista do que os 1,8% inscritos pelo Governo no Programa de Estabilidade. Já no que diz respeito à inflação, o FMI projeta que atinja os 5,6% este ano, acima dos 5,1% que a equipa de Fernando Medina estimou.

Na avaliação anual realizada no âmbito do Artigo IV do FMI, a instituição reconhece que Portugal “sustentou a recuperação económica dinâmica da pandemia até 2022”, registando um crescimento de 6,7%, maior do que a Zona Euro. Este resultado foi impulsionado pela recuperação do turismo e o consumo privado, que beneficiou de apoios e um “mercado laboral forte”, fatores que ajudaram também no arranque do ano.

No entanto, “inflação alta e condições financeiras mais apertadas estão a enfraquecer a economia”, alerta o FMI, que prevê assim que o crescimento real do PIB abrande no resto do ano para uma média de 2,6% em 2023 e que a inflação desacelere para 5,6%. Este número representa também uma revisão em alta das últimas projeções do FMI, que em abril apontavam para um crescimento de 1% este ano.

Previsões têm na base as expectativas de um menor crescimento da procura interna, devido ao alto custo de vida, bem como ao abrandamento das exportações. Já as perspetivas de médio prazo indicam que o crescimento estabilize em torno dos 2%. Este número está em linha com o Programa de Estabilidade, que aponta para um crescimento de 1,9% ao ano até 2027.

No que diz respeito à inflação, ainda que os preços da energia recuem levando a um abrandamento, um “mercado laboral apertado e margens de lucro elevadas” deve manter elevada a inflação subjacente, chamada “core”, que exclui a energia e produtos alimentares não transformados. A estimativa de 5,6% é mais elevada que a de Medina no Programa de Estabilidade, que já foi, ainda assim, revista em alta face ao Orçamento do Estado para este ano.

Quanto aos riscos a estas previsões, a equipa considera que são equilibrados. Por um lado, fatores como maior aperto das condições financeiras ou um abrandamento regional poderão penalizar o crescimento, enquanto a subida de juros pode pressionar a procura interna. Por outro, uma dinâmica mais rápida do turismo e resiliência do mercado de trabalho podem suportar o crescimento económico.

A médio prazo, se a execução dos fundos da bazuca europeia for fraco pode travar o crescimento potencial. É por isto também que o FMI recomenda que “as medidas de despesa têm de aumentar a fatia do investimento público — inclusivamente através da implementação do Plano de Recuperação e Resiliência financiado pelo Next Generation EU — sobre os gastos atuais, invertendo tendências recentes”.

As prioridades nesta despesa pública são “a melhoria da sustentabilidade das pensões, conter o aumento da massa salarial do setor público, fortalecer a situação financeira e a eficiência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e melhorar ainda mais o direcionamento dos apoios sociais”, sublinham.

O FMI deixa ainda recomendações para a política orçamental, apontando que deve “permanecer não expansionista para preservar o espaço orçamental e apoiar a política monetária, ao mesmo tempo que é ágil caso choques se materializem”. Na perspetiva de médio prazo, “sustentar um forte esforço orçamental reconstruiria a margem orçamental e mitigaria ainda mais os riscos da dívida pública”, sinalizam.

Relacionados

Economia

Mais Economia

Mais Lidas

Patrocinados