Depois da detenção dos ativistas que seguiam a bordo da Flotilha Global Sumud surgiram várias manifestações pela Europa. Cartazes, vidros partidos, montras vandalizadas e o bloqueio de uma universidade com pneus marcaram estes protestos
Manifestantes pró-palestina vandalizaram lojas e restaurantes na quinta-feira, após a interseção da Flotilha Global Sumud por Israel. Cerca de 40 navios que tentavam romper com o bloqueio israelita foram intercetados e mais de 400 ativistas detidos. É o caso de Greta Thunberg, mas também dos portuguseses Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves. Logo depois, começaram os protestos.
Em Barcelona, várias lojas e restaurantes ficaram com os vidros partidos ou pintados com slogans anti-Israel, incluindo a cadeia de cafés Starbucks, a franquia de hambúrgueres Burger King e a cadeia de supermercados Carrefour, acusados de cumplicidade na ofensiva de Israel na Faixa de Gaza.
“Estes protestos são a única coisa que podemos fazer”, disse Akram Azahomaras, que estava entre os manifestantes, à agência Reuters, referindo que o vandalismo das lojas era contraproducente: “fazer isso assim, não acho certo, precisamos de o fazer pacificamente, com as nossas palavras, não com ações.”
Em Itália, estudantes ocuparam universidades, incluindo a Statale de Milão e a La Sapienza de Roma, e bloquearam o acesso à universidade de Bolonha com pneus de carros. Em Turim, centenas de pessoas bloquearam o trânsito na cidade. Médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais deveriam participar num “flash mob” em Roma, em que acenderiam lanternas e luzes de telemóveis e liam os nomes dos 1.677 profissionais de saúde mortos em Gaza, disseram os organizadores. Os sindicatos italianos convocaram uma greve geral em apoio à frota de ajuda humanitária a Gaza, com mais de 100 marchas ou comícios previstos em todo o país.
O ministro da Defesa de Itália, Guido Crosetto, criticou a perturbação causada por alguns dos manifestantes. “Alguém acredita realmente que bloquear uma estação, um aeroporto, uma autoestrada ou destruir uma loja em Itália trará alívio ao povo palestiniano?”, escreveu na rede social X.
Por toda a Europa, milhares de manifestantes saíram às ruas em Dublin, Paris, Berlim e Genebra para condenar a interceção da frota por Israel. Comícios também ocorreram em Buenos Aires, Cidade do México e Karachi.
Em Istambul, uma multidão reuniu-se em frente à embaixada de Israel a segurar faixas com slogans como “Israel está a massacrar a humanidade, não Gaza" e "Não fique em silêncio, não fique parado, levante-se”.
Em Lisboa e no Porto reuniram-se milhares de manifestantes com lenços palestinianos e cartazes que exigiam o fim da guerra e a libertação dos quatro portugueses que seguiam na flotilha. No MUDE pintaram palavras como “Free Gaza” e “Free Palestine” e ainda tingiram o edifício com tinta vermelha.
A guerra em Gaza já matou mais de 66 mil pessoas, segundo as autoridades palestinianas. Israel iniciou a sua ofensiva após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 levadas como reféns para Gaza, de acordo com dados israelenses.