Oferta limitada e forte procura mantêm preços na habitação elevados

Agência Lusa , AM
11 mar, 11:37
Fitch (AP Photo)

Analista da Fitch salientou que continuam a existir dificuldades no acesso à habitação, nomeadamente porque o ritmo do aumento nominal nos preços é mais rápido que a subida dos salários

A Fitch não antecipa uma inversão na tendência de subida dos preços da habitação em Portugal, porque existe uma oferta limitada e a procura é forte, tanto por portugueses como estrangeiros.

Juan Garcia, diretor sénior de Financiamento Estruturado e Ratings de Títulos da Fitch, disse esta quarta-feira num 'webinar' sobre as perspetivas para Portugal não ver uma inversão dos preços da habitação "por causa da oferta limitada e porque a procura é forte por nacionais e também estrangeiros", que podem ser europeus ou de outras partes do globo.

O analista salientou que continuam a existir dificuldades no acesso à habitação, nomeadamente porque o ritmo do aumento nominal nos preços é mais rápido que a subida dos salários.

Neste cenário, "não vemos uma inversão nos preços das casas no curto prazo", disse.

A Fitch foi também questionada sobre possíveis riscos para a banca derivados dos créditos à habitação, mas Julien Grandjean, diretor de Ratings Bancários, disse não ver desvios significativos.

"O aumento nos preços é motivado pela procura alta e oferta limitada", reiterou, acrescentando que o Banco de Portugal "tem requisitos muito apertados para os créditos que os bancos têm de cumprir", pelo que "há outra camada de prudência".

Além disso, nos créditos mais recentes tem-se verificado um aumento na taxa fixa e mista, o que traz mais estabilidade, notou o analista.

A Fitch prevê um aumento do preço nominal das casas de 15% em 2026, após um crescimento recorde dos preços em 2025, de 18%.

Despesa com apoios deve levar a défice orçamental este ano

A Fitch projeta que Portugal terá um défice orçamental de 0,8% do PIB este ano, nomeadamente devido aos apoios para responder aos danos do mau tempo, existindo ainda incerteza quanto ao impacto do conflito no Médio Oriente.

Num 'webinar' sobre as perspetivas para Portugal, realizado hoje, Utku Bora, diretor associado de 'ratings' soberanos da Fitch, salientou que a agência de notação financeira antecipa défices pequenos este ano e no próximo.

Para este ano, a previsão da Fitch é de um défice de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), nomeadamente devido à despesa com as tempestades, que é considerado um 'one-off', ou seja, um gasto que só acontece uma vez devido a um evento inesperado.

O analista apontou que ainda existe alguma incerteza quanto ao impacto total do mau tempo, bem como no que diz respeito aos preços do petróleo e os efeitos que isso pode ter.

O Governo já anunciou medidas, como o desconto no ISP devido ao aumento dos preços dos combustíveis, mas o impacto irá depender de quanto tempo os preços se mantêm elevados.

"Há um equilíbrio delicado e tudo depende da evolução dos preços do petróleo e do impacto da tempestade", assumiu o analista, destacando que poderá ter de existir uma escolha entre lidar com a inflação e o saldo orçamental, dependendo da perspetiva do Governo.

Além disso, a utilização mais alta de empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência "também acrescenta pressão" às contas públicas, sinalizou o responsável.

Ainda assim, o analista apontou que Portugal alcançou excedentes em 2023 e 2024, sendo que em 2025 é esperado um saldo positivo mais elevado do que o previsto, particularmente graças à receita fiscal.

Utku Bora salientou ainda que, apesar das várias eleições nos últimos anos, os governos "têm mantido prudência orçamental e priorizado a consolidação".

A 6 de março, a agência de notação financeira Fitch manteve o ‘rating’ da dívida de Portugal em ‘A’, melhorando o ‘outlook’ (perspetiva) para positiva.

A Fitch indicou que a revisão da perspetiva reflete a opinião da agência “de que a dívida pública de Portugal em relação ao PIB continuará a cair de forma significativa” ao longo do horizonte de previsão (2026-2029), apoiada por “uma política orçamental prudente, com défices que se mantêm bem abaixo da mediana do grupo de pares”.

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