Um relatório do ISW no início do mês já dava conta de que a Rússia estaria a desenvolver infraestruturas militares junto à fronteira finlandesa, "provavelmente como parte de um esforço mais amplo de expansão militar para preparar as forças russas para um eventual conflito futuro com a NATO"
A Rússia está a reforçar as suas capacidades estratégicas no Ártico e a construir novas instalações militares ao longo da fronteira com a Finlândia, “tal como durante a Guerra Fria”, afirmou o ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, numa entrevista à Euronews divulgada esta segunda-feira.
“A Rússia concentra a maior parte das suas maiores capacidades estratégicas - nucleares, submarinos e bombardeiros de longo alcance - na região da Península de Kola”, declarou, acrescentando que os russos “estão a construir novas instalações militares ao longo da nossa fronteira, tal como durante a Guerra Fria”.
Na sua perspetiva, “seria sensato monitorizar o Ártico e desenvolver capacidades de dissuasão nessa região”. Antti Hakkanen considerou ainda que as discussões sobre a dissuasão nuclear europeia são bem-vindas, mas, para já, não podem substituir a NATO.
Para o governante finlandês, os Estados Unidos "continuam firmemente comprometidos com a garantia fundamental da NATO prevista no Artigo 5.º", relativo à defesa coletiva, sustentando que, “a curto prazo, esta é a única opção para a Europa” assegurar plenamente a dissuasão. “A longo prazo, seria melhor que os europeus tivessem capacidades fortes próprias. Mas a curto e médio prazo, precisamos dos EUA. É crucial para a segurança europeia”, afirmou.
No início do mês, um relatório do Institute for the Study of War (ISW) indicou que a Rússia estaria a desenvolver infraestruturas militares junto à fronteira finlandesa, “provavelmente como parte de um esforço mais amplo de expansão militar para preparar as forças russas para um eventual conflito futuro com a NATO”.
O relatório sublinha que a emissora pública finlandesa Yle "publicou imagens de satélite, entre junho de 2024 e outubro de 2025, que mostram construção russa na base militar de Rybka, em Petrozavodsk, na República da Carélia, a cerca de 175 quilómetros da fronteira com a Finlândia". Segundo esta emissora, a área de guarnição da era soviética "estava maioritariamente abandonada desde o início dos anos 2000, mas será agora utilizada pelo 44.º Corpo de Exército do Distrito Militar de Leninegrado".
O ISW recordou ainda que a Rússia reestruturou o Distrito Militar Ocidental em 2024, dividindo-o entre o Distrito Militar de Leninegrado e o Distrito Militar de Moscovo, “provavelmente para melhorar o comando estratégico ao longo da sua fronteira norte e posicionar-se face à NATO junto à fronteira com a Finlândia”.
Responsáveis russos, incluindo Vladimir Putin, já ameaçaram no passado a Finlândia, recorrendo a uma linguagem que espelha as justificações usadas por Moscovo para a invasão da Ucrânia.
Também Dmitry Medvedev acusou, no início deste mês, a Finlândia de desmantelar as relações russo-finlandesas, afirmando que Helsínquia “eliminou” as relações positivas que surgiram após o colapso da União Soviética. O vice-presidente do Conselho de Segurança da Federação Russa alegou que a Finlândia se esqueceu de como a União Soviética “esmagou” o país quando este era aliado dos nazis e advertiu que os conflitos do século XX não foram “favoráveis” à Finlândia.