Portugal e Finlândia convictos de adesão de Helsínquia à NATO apesar de ameaça de veto turco

Agência Lusa
13 mai, 19:31
Membros NATO (Associated Press/ Olivier Matthys)

"Na minha experiência de discussões na NATO, nunca houve dificuldades sobre a ideia de a Finlândia ou a Suécia aderirem", diz o ministro dos Negócios Estrangeiros

Os chefes da diplomacia da Finlândia e Portugal manifestaram esta sexta-feira, em Helsínquia, a convicção sobre a adesão do país nórdico e da vizinha Suécia à NATO, numa conferência de imprensa dominada pela ameaça pela Turquia de bloquear o processo.

“A NATO integra 30 Estados soberanos que adotam individualmente as suas decisões. No entanto, na minha experiência de discussões na NATO, nunca houve dificuldades sobre a ideia de a Finlândia ou Suécia aderirem”, indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, em declarações conjuntas com o seu homólogo finlandês Pekka Haavisto, no final da sua visita oficial de um dia a Helsínquia.

“Estou confiante que será um processo que vai decorrer rapidamente e com naturalidade no futuro próximo”, acrescentou Gomes Cravinho, após manifestar a esperança numa solução consensual nos processos de adesão, que incluem diversas fases.

“Do lado português, pensamos que através do diálogo com os aliados no seio da NATO, e com a Finlândia na perspetiva de se tornar um Estado-membro, será possível encontrar soluções. Apenas vi as manchetes, não posso comentar em substância, mas estou certo de que existe um espaço para que a Finlândia e Suécia se juntem à NATO” com as questões pendentes a poderem ser solucionadas “nos próximos dias”.

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, manifestou esta sexta-feira a sua hostilidade à adesão da Finlândia e Suécia à NATO. A Turquia, juntamente com a Grécia, foi integrada na NATO em 1952.

Nas duas declarações, e ao justificar o motivo sobre a recusa em fornecer um “parecer positivo”, o líder turco referiu-se ao “erro da NATO em relação à Grécia no passado”, contra a Turquia.

“Não pretendemos cometer um segundo erro”, frisou, acusando Estocolmo e Helsínquia de “servirem de refúgio aos terroristas do PKK”, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão - considerado uma “organização terrorista” pela Turquia mas também pela União Europeia e PELOS Estados Unidos.

Nas suas declarações, o chefe da diplomacia de Helsínquia recordou que a formalização do pedido de adesão do seu país poderá ficar concluída na segunda ou terça-feira, após a aprovação pelo Parlamento, seguindo-se as negociações com a NATO e a deliberação do Conselho da organização, admitindo que as declarações de Erdogan podem complicar o processo.

“Mantive contactos regulares com o meu colega turco Mevlut Çavusoglu, visitei por duas vezes a Turquia esta primavera, tive a oportunidade de o contactar e decerto também sábado em Berlim (no decurso da reunião informal da NATO) prosseguirão as discussões”, disse Pekka Haavisto. “Precisamos de paciência neste tipo de processo, não se resolve num dia, tem de ser passo a passo.”

Na resposta aos jornalistas, o chefe da diplomacia finlandesa referiu-se ainda a anteriores comentários “vindos da Croácia”, que também sugeriam o bloqueio do processo, admitindo a “variedade de abordagens e tópicos que os países querem sublinhar neste tipo de processo” e que constituem “também a oportunidade para expressarem as suas posições políticas”.

No entanto, escusou-se a comentar as relações da Finlândia com a Turquia, “países que mantêm relações bilaterais e podem lidar com esses assuntos” e assegurou que as regras da NATO “devem ser respeitadas”.

Neste contexto, Pekka Haavisto admitiu existirem diversos assuntos “que a Finlândia não pode influenciar diretamente”, manifestou compreensão pelas necessidades próprias que existem noutros membros da NATO e considerou que através de “discussões pacíficas e bons contactos” é possível resolver a maioria dos problemas.

“O Presidente Erdogan colocou estas questões individualmente. A Finlândia tem sido rigorosa nas ações contra o movimento terrorista, integra a coligação internacional anti-Estado Islâmico, esteve na recente reunião de Marraquexe contra o terrorismo, partilhamos o combate global contra o terrorismo, um princípio importante para todos os países da NATO”, frisou o ministro finlandês.

Nas suas declarações iniciais, Cravinho optou por sublinhar a importância da presença em Portugal da empresa de telecomunicações finlandesa Nokia, desejou o prosseguimento “nos próximos anos do importante investimento da Nokia em Portugal que criou 2.500 empregos, muito qualificados”, e anunciou a intenção de reforçar “a interação com esta importante e estratégica empresa”.

Na esfera internacional, disse que no encontro bilateral foram discutidos os “desenvolvimentos em torno da invasão russa da Ucrânia”, sendo manifestada “a nossa solidariedade comum com a Ucrânia e o apoio à sua integridade territorial”, alÉm das perspetivas comuns sobre a forma como é necessário desenvolver uma nova ordem de segurança europeia”.

Numa referência específica sobre o pedido de adesão da Finlândia à NATO, reafirmou que “Portugal saúda e apoia”, com o tema a “garantir amplo consenso em Portugal, incluindo na discussão parlamentar”.

Gomes Cravinho também destacou como tema das conversações o significado da próxima conferência sobre os Oceanos que decorre em Lisboa no final de junho e o redesenhar do mapa de segurança energética da Europa.

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