Tratado de Ottawa proíbe o uso, produção e armazenamento de minas antipessoais. Finlândia justifica decisão com a crescente ameaça da Rússia na Europa
A Finlândia prepara-se para se retirar do Tratado de Ottawa, que proíbe o uso, produção e armazenamento de minas antipessoais, como resposta à crescente ameaça da Rússia na Europa.
Além disso, o governo finlandês quer aumentar o investimento na defesa, anunciando um aumento de mais três mil milhões de euros para a indústria militar, almejando passar dos atuais 2,4% para 3% do PIB em defesa em 2029.
A decisão foi avançada pelo primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo, que avisou que a Rússia representa uma ameaça a longo prazo para toda a Europa. "A retirada da Convenção de Ottawa permite-nos preparar para as mudanças no ambiente de segurança de uma forma mais versátil", justificou, em conferência de imprensa, citado pela Reuters.
A decisão é apoiada pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb, que sublinha que esta medida "faz parte do contributo da Finlândia para que a Europa assuma uma maior responsabilidade na própria defesa".
O ministro da Agricultura e das Florestas, Sari Essayah, garantiu que a Finlândia vai "utilizar as minas de forma responsável", descrevendo-as como "um fator de dissuasão" necessário para a defesa do país.
“A Finlândia utilizará as minas de forma responsável, mas é um fator de dissuasão de que necessitamos”, declarou o ministro da Agricultura e Florestas, Sari Essayah, em conferência de imprensa na terça-feira.
A Finlândia partilha uma fronteira de quase 1.400 quilómetros com a Rússia. O anúncio surge numa altura em que o presidente dos EUA, Donald Trump, tem vindo a insistir em pôr fim ao conflito na Ucrânia da forma mais rápida possível, o que tem suscitado preocupações crescentes na Polónia e nos países Bálticos, como Estónia, Letónia e Lituânia - que ainda no mês passado anunciaram que pretendem retirar-se do mesmo tratado de Ottawa, assinado em 1967.
O Tratado de Ottawa faz parte de uma série de acordos internacionais celebrados após o fim da Guerra Fria para incentivar o desarmamento ao nível mundial. A Finlândia destruiu mais de um milhão de minas antipessoais a partir de 2012, tendo sido o último Estado da União Europeia a assinar a Convenção de Ottawa, que foi assinada por mais de 160 países - mas não pela Rússia.
A saída deste tratado requer a aprovação do parlamento finlandês, o que, a avaliar pelo apoio generalizado dos partidos da oposição nesse mesmo sentido, não será difícil.