Sobe a tensão: oito filipinos feridos (um perdeu um dedo) após confronto com a guarda costeira chinesa em zona disputada

19 jun, 09:18
Filipinas (AP)

Manila fala em ações "ilegais e agressivas", mas Pequim garante que agiu dentro da lei e com proporcionalidade

Pelo menos oito fuzileiros da marinha das Filipinas ficaram feridos esta semana durante uma confrontação com a guarda costeira da China, num caso que promete aumentar a tensão numa zona já de si tensa, até porque vários países, incluindo estes dois, continuam a reclamar territórios no Mar do Sul da China.

De acordo com os responsáveis filipinos, um dos fuzileiros perdeu mesmo um dedo no incidente, ocorrido enquanto a marinha das Filipinas entregava comida e outros mantimentos num local onde estavam outros representantes da armada.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas denunciou de imediato o que entende serem ações “ilegais e agressivas” por parte da China, acrescentando que o “diálogo e a cooperação” não podem ser atingidos caso as palavras da China “não correspondam às suas ações na água”.

Em causa está, como quase sempre nos últimos meses, um banco de areia onde está encalhado um navio, o Sierra Madre, e que ambos os países reclamam como território seu, embora seja a marinha filipina a ocupar o território de momento.

É precisamente ali que a China tem intensificado as suas operações, pressionando diretamente as Filipinas, mas também outros países – Brunei, Taiwan, Malásia ou Vietname também reclamam território – para que cedam acesso à zona.

Responsáveis filipinos com conhecimento da missão em causa referiram à agência AP que dois botes da marinha das Filipinas aproximavam-se do Sierra Madre com mantimentos quando vários membros da guarda costeira chinesa chegaram em lanchas para interromper a missão, originando confrontos e até colisões entre as embarcações.

Cinco dos oito feridos tiveram mesmo de ser resgatados pela guarda costeira das Filipinas, que tinha um navio nas redondezas.

Do lado chinês chegou uma versão diferente: as Filipinas têm “toda a responsabilidade pelo caso”. Defende a marinha da China que os botes filipinos “ignoraram vários avisos e se aproximaram perigosamente da embarcação chinesa que seguia em navegação normal, o que resultou na colisão”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse que os botes filipinos também avançavam com a guarda de lanchas que estavam a tentar entregar materiais de construção ao Sierra Madre. Quanto à ação da sua guarda costeira, Pequim garante que foi “profissional, contida, razoável e legal”.

Os Estados Unidos, um dos mais fortes aliados das Filipinas, já lembraram que estão obrigados a defender o país asiático, nomeadamente pelo tratado que ambos assinaram. De resto, e por essa mesma razão, ainda esta semana o exército norte-americano anunciou um conjunto de exercícios militares que envolveram as Filipinas e também Reino Unido e Canadá.

Este não é, nem de perto, o primeiro incidente junto daquele banco de areia, mas a situação está a tornar-se mais tensa a cada semana.

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