Como saber quando o seu filho está demasiado doente para ir à escola

CNN , Madeline Holcombe
1 jan, 20:00
Os especialistas dizem que a febre, dificuldades respiratórias e problemas para comer encontram-se entre os sintomas a que deve estar atento quando pensar em manter o seu filho em casa por causa de uma possível infeção respiratória. Créditos: Lumeez Ismail/peopleimages.com/Adobe Stock

Hoje em dia, uma fungadela, um espirro ou tossir podem ser sinais de alerta para as famílias com crianças pequenas

Vickie Leon, mãe de dois filhos, com 4 e 2 anos, diz que eles podem passar um ou dois meses sem apanhar nenhuma doença na creche. Contudo, por vezes parece que a família de Aurora, Colorado, nos Estados Unidos, funga devido a um vírus a cada duas semanas.

“Quando tal acontece, isto prolonga-se por algum tempo”, afirma.

Devido à covid-19, muitas crianças passaram anos a distanciar-se socialmente para se protegerem. Agora, os sistemas de saúde encontram-se sobrecarregados com casos do vírus sincicial respiratório (VSR). Este pode causar dificuldades respiratórias, secreções nasais, tosse, espirros, febre e diminuição do apetite.

As infeções virais sempre foram comuns. Num dado momento, quase todas as crianças apanham VSR antes de completarem 2 anos, diz o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA. Com o tempo, a imunidade que se adquire após uma infeção geralmente diminui. Isso leva a que as pessoas tenham múltiplas infeções ao longo da vida, explica William Schaffner, professor do Departamento de Doenças Infeciosas da Escola de Medicina da Universidade Vanderbilt, em Nashville, Tennessee.

Este ano, o desafio a nível da saúde pública é que, embora muitas crianças tenham sido mantidas em casa para se proteger contra a covid-19, elas também foram isoladas do VSR. Tal significa que muitas estão a ter agora a sua primeira infeção e, portanto, a mais grave, aponta Leana Wen, analista médica da CNN, médica de emergência e professora de política e gestão de saúde na Escola de Saúde Pública, do Instituto Milken, na Universidade George Washington.

Uma infeção causada pelo vírus sincicial respiratório costuma ser leve, mas pode ser motivo de preocupação para bebés, crianças com outras comorbilidades e adultos mais velhos, indica Schaffner, que é, de igual maneira, diretor médico da Fundação Nacional para Doenças Infeciosas.

Isto não significa que é o momento de entrar em pânico, acrescenta Wen, que também é autora do livro “Linhas da Vida: O Percurso de um Médico na Luta Pela Saúde Pública”. Apanhar VSR e outras infeções virais e bacterianas faz parte do crescimento, bem como do desenvolvimento do sistema imunitário das crianças.

Segundo os especialistas, veja como avaliar quando deverá manter o seu filho longe da escola e quando deve ir ao pediatra.

É uma constipação, uma gripe, covid ou VSR?

Entre as constipações, gripes, faringites estreptocócicas, VSR e covid-19 prolongado, há muitas infeções a circular neste inverno e, muitas vezes, podem parecer muito semelhantes em termos de sintomas, sublinha Schaffner. Mesmo os médicos mais perspicazes podem ter dificuldade em diferenciá-los quando um paciente se encontra no consultório, acrescenta.

Wen diz que os pediatras são experientes e estão preparados para tratar infeções respiratórias das vias aéreas superiores, mesmo que não seja possível distinguir exatamente qual o vírus ou a bactéria que as causam.

Seja qual for o vírus ou a bactéria que cause fungadelas, dores de cabeça ou de garganta, a idade, os sintomas e o estado de saúde do seu filho provavelmente farão a diferença na forma como vai agir, refere.

Deve manter o seu filho em casa?

Preferencialmente, os profissionais de saúde pública gostariam que criança alguma com sintomas fosse para a escola ou para a creche, uma vez que poderia espalhar infeções, diz Schaffner. No entanto, sobretudo para os pais solteiros ou cuidadores que precisam de trabalhar, este nem sempre é o conselho mais prático, acrescenta.

Os testes feitos em casa podem indicar se uma criança tem covid-19. Contudo, para outros vírus, como os que causam constipações, pode não haver uma boa maneira de se ter a certeza quanto a isso.

Alguns sintomas que podem realmente indicar que é o momento de manter o seu filho longe da escola ou da creche incluem: febre alta, vómitos, diarreia, dificuldades para comer, falta de sono ou problemas respiratórios.

Donna Mazyck, enfermeira e diretora executiva da Associação Nacional de Escolas de Enfermagem, divide o assunto em duas considerações principais: a criança está com febre e está muito doente para se concentrar na escola?

As famílias também devem consultar as orientações escolares, algumas das quais podem ser detalhadas sobre quando uma criança precisa de ficar em casa, ao passo que outras dependem mais da decisão dos pais, lembra.

“Em caso de dúvida, consulte as normas da escola e elabore um plano com um pediatra”, diz Wen.

Para crianças com maior risco devido a outras condições médicas, consulte o seu pediatra antes que o seu filho adoeça, de maneira a saber a que sinais deve estar atento.

Quando é o momento de mandá-los de volta?

Novamente, é aqui que as escolas podem ter normas diferentes e torna-se importante confirmar as informações por escrito. Fale, de igual forma, com o diretor ou com uma enfermeira escolar, afirma Wen.

“Geralmente, as escolas pedem que a criança esteja sem febre, sem ser necessário recorrer ao uso de medicamentos para baixá-la, antes de voltar à sala de aula”, lembra.

Para crianças que tenham asma ou alergias, pode não ser razoável mantê-las afastadas da escola sempre que tiverem tosse ou funguem, diz Wen, pois isso poderia muito bem mantê-las afastadas metade do ano.

E alguns sintomas, como uma tosse persistente, podem prolongar-se à medida que a infeção desaparece e a criança recupera. Nesses casos, pode ser indicado mandar a criança de volta para a escola, diz Mazyck, sublinhando que é importante verificar as diretrizes da escola.

Quando deve procurar ajuda médica

Schaffner diz que as famílias fazem bem em levar os seus filhos ao pediatra quando eles parecem doentes. Ainda assim, com tantas coisas que estão a acontecer, é importante lembrar às famílias que os médicos preferem ver as crianças que não se sentem bem o quanto antes.

Se as crianças parecerem letárgicas, pararam de comer ou tiverem dificuldades em respirar, justifica-se que os pais e os cuidadores levem os seus filhos ao pediatra e procurem cuidados médicos, sobretudo se os sintomas piorarem, aconselha Schaffner.

“Não deve haver hesitações quanto a isto”, afirma.

Quando se trata de bebés ou de crianças mais novas, deve procurar ajuda médica, caso as crianças tenham dificuldade em ingerir líquidos ou tiverem as fraldas secas, as narinas dilatadas, dificuldade em respirar e quando o peito se contrai em vez de expandir-se, acrescenta.

As famílias devem procurar tratamento urgente para as crianças em idade escolar que tenham dificuldades em respirar, bem como em dizer frases completas, alerta Wen. Felizmente, a maioria não precisará de tratamento de emergência. Geralmente, aquelas que precisam voltam para casa e recuperam em alguns dias, diz Schaffner.

“Os pais devem saber que o tratamento para o VSR, bem como para outras infeções respiratórias é o ganha-pão dos pediatras e dos médicos de emergência”, observa Wen. “É isso que fazemos.”

Como prevenir doenças e contágios

Para prevenir estas doenças respiratórias, ensine os seus filhos a usar as práticas de higiene que os profissionais de saúde promoviam muito antes da pandemia, tais como: lavar as mãos, usar gel desinfetante para as mãos quando não puder lavá-las, tossir e espirrar para o cotovelo ou para um lenço de papel e, de igual maneira, não partilhar comida ou utensílios com amigos, aponta Wen.

Ainda não existe uma vacina para o Vírus Sincicial Respiratório aprovada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, mas existem vacinas eficazes disponíveis para a gripe e para a covid-19, recorda Schaffner.

Se o seu filho ainda não foi vacinado, fale com o médico sobre a maneira como pode protegê-lo contra esses vírus.

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