Agora a FIFA quer dinheiro a sério e Trump volta a estar envolvido. UEFA já veio dizer que não gosta da ideia

28 jul, 19:03
O presidente Donald Trump mostra um cartão vermelho durante uma reunião com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, ao centro, e o presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, Carlos Cordeiro, à esquerda, no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 28 de agosto de 2018, em Washington. (AP Photo/Evan Vucci)
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Cerca de 20% da FIFA Forward Enterprise pode ser composto por investidores externos. Um fundo de investimentos ligado a Donald Trump pode liderar as negociações

Nos últimos anos, a FIFA demonstrou que o facto de ser uma organização sem fins lucrativos não a impede de aumentar as suas receitas e investir no lado comercial das suas competições. Agora, pretende dar um novo passo neste sentido e deseja vender 20% de uma nova entidade comercial a investidores privados. A chamada FIFA Forward Enterprise (FFE) seria avaliada em 20 mil milhões de dólares (17,55 mil milhões de euros), noticiou o jornal britânico Financial Times. 

A instituição responsável pelo futebol mundial está a trabalhar com o banco norte-americano JPMorgan para angariar 4,6 mil milhões de dólares através de investidores externos. Um dos principais nomes ligados às negociações com a FFE é Joshua Kushner, que mantém conversas para liderar o negócio através de um fundo de investimentos chamado Thrive Eternal Fund. 

Joshua é investidor da área da tecnologia e irmão de Jared Kushner, marido de Ivanka Trump. O genro do presidente dos Estados Unidos atua ativamente em negociações diplomáticas como enviado-especial do país ao lado de Steve Witkoff. 

Segundo o site brasileiro ge, que pertence à Rede Globo, a Fifa Forward Enterprise seria responsável por gerenciar o Mundial de Clubes e o Campeonato do Mundo, as duas principais competições da FIFA. 

A proposta, porém, não é unânime e ainda precisa de ser aprovada pela maioria das entidades associadas à organização. A UEFA já manifestou o descontentamento com o projeto. "Isto ultrapassa um limite que as instituições que regem o futebol nunca deveriam ultrapassar. A UEFA leva isto muito a sério", disse em comunicado. "A essência e a gestão do futebol não são bens para serem negociados - especialmente sem qualquer transparência quanto a quem lucra financeiramente com isso". 

FIFA quer aumentar receitas cada vez mais

A proposta para a criação da FFE faz parte de uma tentativa da FIFA de aumentar cada vez mais as receitas da instituição. Para isso, a entidade tem reformulado as suas principais competições, como ocorreu com o Mundial de Clubes em 2025. A competição antigamente era disputada apenas pelos campeões dos diferentes continentes, mas agora conta com 32 equipas. A primeira edição foi conquistada pelo Chelsea.  

O Campeonato do Mundo também passou por importantes mudanças. O número de seleções aumentou de 32 para 48 - a FIFA ainda cogita a expansão para 64 - e as partidas sofreram alterações significativas. Este ano, todos os jogos tiveram com duas pausas para hidratação que foram utilizadas para a venda de espaço publicitário. Além disso, o intervalo da final entre Espanha e Argentina foi estendido para a realizações de concertos, como ocorre no Super Bowl. 

Isso é uma tendência que existe há cerca de dez anos, período em que Gianni Infantino preside a federação. Segundo o Financial Times, a FIFA deve faturar 13 mil milhões de dólares no atual ciclo de quatro anos, que termina no final de 2026. No período relativo ao Mundial de 2022, o valor total foi de 7,6 mil milhões de dólares. 

Segundo a instituição, o valor arrecadado com investidores estrangeiros serviria para um pagamento de 20 milhões de dólares a dividir por cada uma das 211 federações associadas. Entre 2027 e 2030, os pagamentos anuais realizados pela FIFA também subiriam de 2 milhões para 5 milhões de dólares. 

Relação com Donald Trump

Joshua Kushner mantém conversas para liderar as negociações de investimento através do fundo Thrive Eternal Fund. No entanto, esta não é a única relação entre a entidade comandada por Gianni Infantino e Donald Trump. 

No fim do último ano, o presidente da FIFA criou uma nova categoria no "The Best", evento que celebra os atletas que se destacaram em suas respetivas equipas no futebol masculino e feminino. O "Prémio da Paz" foi dado a Donald Trump cerca de dois meses depois do anúncio de que Maria Corina Machado havia conquistado o Nobel da Paz, título desejado pelo presidente dos Estados Unidos. 

A decisão de Infantino foi questionada por diferentes entidades. A Noruega, por exemplo, chegou a apresentar uma queixa no Comité de Ética da FIFA. 

A relação entre a instituição e o governo dos Estados Unidos continuou próxima durante o Mundial e resultou numa das principais polémicas da competição. Após uma ligação de Trump a Infantino, a FIFA decidiu revogar unilateralmente a expulsão de Folarin Balogun, fazendo com que o atleta estivesse disponível para a partida eliminatória dos EUA  contra a Bélgica. O país sede, porém, acabou eliminado após sofrer uma goleada por 4-1.

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