UEFA reclama vitória e diz que perdeu a confiança em Infantino

1 ago, 11:22
Aleskander Ceferin (AP Photo/Peter Dejong)
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Organismo europeu diz que está já a trabalhar numa solução para uma nova gestão da FIFA

A UEFA saúda a decisão da FIFA de ter deixado cair o plano de vender participações das suas competições, incluindo o Campeonato do Mundo, a investidores privados, num comunicado publicado na manhã deste sábado. O organismo europeu diz também que perdeu a confiança em Gianni Infantino e já está a trabalhar, com outros parceiros, na procura de uma solução para a direção do organismo que dirige o futebol mundial.

A confederação europeia começa por recordar que não estava sozinha neste processo. «A proposta defendida por Gianni Infantino foi rejeitada por unanimidade pelas federações filiadas à UEFA e por muitas outras federações e confederações de todos os portes ao redor do mundo, cuja missão é proteger o futebol», começar por referir.

De seguida, a UEFA agradece o apoio de todos os que se manifestaram contra a iniciativa promovida pelo presidente da FIFA. «A UEFA agradece a todos os adeptos, ligas, clubes, jogadores, indivíduos, associações e confederações que se opuseram à iniciativa, bem como aos muitos primeiros-ministros, chefes de Estado e comentaristas que demonstraram ao presidente da FIFA que o futebol não está à venda».

A UEFA lamenta ainda a falta de comunicação da FIFA e pede consequências ao nível da direção. «Não podemos continuar assim, com planos secretos tramitados em ritmo acelerado, arquitetados por pessoas sem rosto e de benefícios duvidosos para o desporto. Precisamos identificar os responsáveis ​​e responsabilizá-los», refere.

Nesse sentido, a UEFA diz que está já a trabalhar para encontrar uma alternativa a Infantino nos comandos da FIFA. «É certo que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com suas federações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que tal situação não se repita. Essa análise deve ser minuciosa e profunda. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual liderança da FIFA perdeu não apenas a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol», prossegue o comunicado.

A UEFA recorda ainda que Infantino foi eleito com promessas de «mais transparência» na gestão da FIFA e na distribuição de verbas entre as federações. «Ele não cumpriu nenhuma dessas promessas. O acordo precário, obscuro e articulado nos bastidores, que ele tentou impor à força, foi tudo, menos transparente. Além disso, com reservas superiores a 5 bilhões de dólares, ele também falhou em utilizar o dinheiro das federações em benefício do desporto», diz ainda a UEFA.

Além de rejeitar o plano para a entrada de investidores privados, a UEFA exige agora uma nova política na distribuição de recursos.

«A UEFA começará a trabalhar imediatamente com parceiros e partes interessadas de todo o mundo e de todos os segmentos do futebol para propor uma nova forma de distribuição de recursos por meio do programa FIFA Forward já existente. Precisamos começar a utilizar parte desse dinheiro parado nas contas bancárias da FIFA para dar o impulso inicial de que o futebol de base e o desporto como um todo necessitam em cada um dos 211 países filiados à FIFA. Mas não precisamos vender o patrimônio da família para financiar isso», destaca ainda.

A fechar o comunicado, a UEFA volta a pedir uma nova FIFA. «Esta é uma vitória para todo o futebol. No entanto, não pode ser o fim da história. A proposta foi apresentada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas começando», lê-se ainda no comunicado partilhado pela UEFA.

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