Planos da FIFA para tentar capitalizar o Mundial de 2026 e ganhar 17 mil milhões de euros não caíram bem nas nações europeias
Um país aqui, outro país ali, foi ficando cada vez mais claro que as seleções europeias estão fartas de Gianni Infantino, ele que as supervisionou quando estava na UEFA, mas cujas posições polémicas dos últimos meses rebentaram com a paciência no Velho Continente.
De acordo com a Skynews, os países europeus estão mesmo a discutir entre si o possível boicote do próximo Mundial de futebol feminino, que se vai realizar no Brasil.
Em causa estão os planos da FIFA em abrir o seu mercado a investidores privados, numa tentativa de capitalizar a popularidade que ainda sobre do Mundial de 2026.
O site britânico escreve que as nações europeias vão realizar uma reunião de emergência ainda esta semana para discutirem como vão demonstrar a sua intransigência perante o passo dado pelo organismo máximo do futebol.
Um dos trunfos em cima da mesa parece ser o boicote ao Mundial, sendo que dificilmente se imagina uma competição dessas sem equipas europeias.
O problema é o FIFA Forward Enterprise, um organismo criado para que a FIFA consiga arrecadar cerca de 17 mil milhões de euros, sendo que se trata de uma organização sem fins lucrativos.
A Skynews escreve que a federação inglesa, por exemplo, não tinha qualquer informação sobre os planos. O mesmo terá acontecido com as outras nações europeias, o que justifica a quebra de confiança.
“Isto ultrapassa a linha que as instituições que governam o futebol nunca devem ultrapassar. A UEFA leva isto extremamente a sério”, pode ler-se no comunicado do organismo europeu, que pediu que se pense no futebol.
“A essência e a governação do futebol não são ativos para serem negociados, especialmente sem qualquer transparência sobre quem lucra financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à FIFA vendê-lo”, acrescenta a nota emitida após a notícia dada em primeira mão pelo Financial Times.
Apesar de ser uma medida extrema, o boicote é mesmo algo que a UEFA admite fazer caso Gianni Infantino não reconsidere este passo.
Esta é mais uma pedra na engrenagem que é a tensa relação entre FIFA e UEFA. Em 2021, por exemplo, o organismo máximo teve de recuar na ideia de fazer um Mundial a cada dois anos, depois de as nações europeias terem ameaçado não participar. E agora, quem cede?
